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sábado, 30 de março de 2013

Una jornada particular (Una giornata particolare). Ettore Scola, 1977

FELIZ PÁSCOA - DENISE FRANÇA

Curitiba, 30 de março de 2013.

Muitos ovos de chocolate, caixas de bombons, etc e tal, quem não gosta de um chocolate?!

E dizer que a Páscoa é significativa porque representa a RESSURREIÇÃO DE JESUS CRISTO, é menos doce, leva muito tempo, e as pessoas ficam meio contrariadas com esse negócio de ressurreição, ou seja, talvez não seja um bom negócio, voltar novamente....

A SEMANA SANTA.

Guardei algo para dizer neste dia a todos que me circundam.

A BOA NOVA não é a bota nova comprada numa liquidação da Rua Tefé, por 200 reais... Não, não é mesmo.  A BOA NOVA também não é aquele carrão vermelho que o meu irmão comprou, e fica esperando a tarde inteira em frente de casa, para ver se encontra uma vaga... Não, não é mesmo.

A BOA NOVA não é e nem será a importância dos créditos no celular, na internet, sei lá.... A BOA NOVA não é uma garota de 20 anos, bonitona, para um coroa de 58 anos. Parece que é, mais não é.

A BOA NOVA, seria então aquela gelada na mesa do bar, compartilhada com os amigos, em longas conversas acerca do sucesso, do futebol, da mulherada que dá, enfim.... não é.

A BOA NOVA, aonde está, de que jeito é, como se apresenta?!

IMAGINEM O TEMPO, voltem atrás e lembrem-se de quando fizeram dezoito anos, e pensavam o mundo, e compreendiam todas as coisas, possíveis e não possíveis, e os sonhos se mesclavam com a realidade, e as impressões da existência particular se chocavam com as coisas de fora, o mundo parecia velho, e os velhos pareciam contrários à felicidade particular e pessoal de cada um de vocês....

IMAGINEM O TEMPO, hoje, dos dezoito, vocês estão com 30 anos....  Alguns já casaram, outros estão esperando o primeiro filho, e a sensação é que aqueles sonhos eram irreais, e que a realidade não é fácil agora, e que o custo de vida para uma família de três pessoas é alto, e que não dá mais para parar de trabalhar....

IMAGINEM O TEMPO, e agora vocês estão com 50 anos de idade. Credo, olha só os cabelos grisalhos, as rugas ao redor dos olhos, a paternidade, a maternidade, ou não, ou outra coisa... Existem alguns amigos verdadeiros, existem fugas irreversíveis da realidade. Os sonhos agora, são sonhos de não acabar mal, com uma ameaça de saúde, ter a certeza de que o filho foi até o final da universidade. Olhar as outras mulheres, com um desejo voraz, e a sua própria é um mal necessário. E olhar este homem, nossa, graças a Deus, tenho o porto seguro, e esta sensação de mal-estar, de que minto pra mim....

IMAGINEM O TEMPO, e agora já a idade dos 70 anos.... Poxa vida, não sobrevivi e não ultrapassei a vida. A morte me espera, espero que não sofra, não seja abandonado... Espero que alguém olhe por mim... Meus netos, acho que eles gostam de mim....  Me dá vontade de dormir e não acordar mais....

IMAGINEM O TEMPO, e agora, eu sei que vou morrer. Estou aqui, todos olham pra mim, sim, eu sei que é o fim. E o pior é que me olham com essa cara de coitadinho. Será que sabem tudo o que vivi, tudo o que passei, as dores, os sonhos, os desejos, será que seriam capaz de suportar tudo isso....

Estes infelizes, me olham, e pensam: coitadinho, chegou a hora dele...

IMAGINEM O TEMPO, AGORA EU MORRI...

MISSA DE SÉTIMO DIA:  a FAMÍLIA presente, ou não. Todos falam do defunto, lembram coisas, fatos, discutem a herança... Riem de algumas manias do infeliz, enfim, a missa acabou, e todos voltam as suas casas.

UMA SEMANA DEPOIS,  é a vida!!!!  A certeza de que todos um dia terão o mesmo fim!!!

POIS É.... FAZER O QUÊ.


A BOA NOVA, onde está a BOA NOVA??????

Não é possível, a BOA NOVA tem que estar em algum canto por aí, na vida de alguém....

A BOA NOVA É JESUS CRISTO!

Só coloco aí uma exclamação.

Jesus ressuscitou dos mortos no terceiro dia.

Encontrem em sua vida, algum SINAL DE RESSURREIÇÃO EM VOCÊS PRÓPRIOS, PROCUREM ESTE SINAL DE RESSURREIÇÃO NO CAMINHO DE VOCÊS, EM SEUS PENSAMENTOS, EM SEUS QUESTIONAMENTOS, NA FORMA COMO CONDUZEM SUAS VIDAS, PROCUREM....



Em que momento em suas vidas, vocês encontram este sinal... Em que momento em suas vidas, vocês conseguiram vencer a morte. 



Em que momento em suas vidas, vocês conseguiram ultrapassar a impossibilidade, ultrapassar a descrença, ultrapassar as forças vitais, ultrapassar a nobre certeza de que vocês são possuidores de alguma coisa, de que vocês dominam a vida, ou dominam algumas pessoas, de que o poder sobre alguma coisa ou alguém lhes pertence.    (?).

ENTREGUEM A VIDA. ABRAM OS BRAÇOS E ENTREGUEM A VIDA DE VOCÊS.



sexta-feira, 22 de março de 2013

ANTES, AGORA E DEPOIS - DENISE FRANÇA


Curitiba, 22 de março de 2013.

Estou aqui no FAROL DO SABER: KHALIL GIBRAN.

As colunas do tempo se erguem ao longo da nossa vida. O vento franquia seu movimento por entre as colunas. As águas do suor modelam e dão uma uma aparência única a essas colunas. Tudo aquilo que se refere à vida derrama seu prisma de cores infinitas a esse momento, nossa passagem por aqui.
Não encontramos ao longo do caminho, o mundo todo. Ao longo do caminho, e muitas são as vezes que passamos pelo mesmo lugar, fazendo equivaler aos olhos de outros nossos mesmos passos a esse lugar.
E alguém algum dia pergunta a outro alguém:  ela não passou mais por aqui, já faz um bom tempo, se foi, onde estará?!
Essas  películas que nós produzimos nesses caminhos-descaminhos, nos olham como a interrogar o sentido da história, o destino, a veracidade ou a opacidade desta vida.
O compromisso do nosso amanhecer com as promessas de ontem, o intercâmbio para o futuro.
O que não nos aconteceu se desprende do tempo, não nos pertence, ou enviamos como carta para um tempo mais distante, esperando a resposta.

Transcender os momentos de nossa vida, é reescrevê-los outra vez, e mais uma, em várias passagens e versões, através da memória, da lembrança, do personagem que se modifica, da ressurreição de um motivo.
Enfim, o AMOR pergunta: você esteve em mim?!
Quantas vezes na colheita dos significados, encontrei seu sorriso, sua voz, seu toque. A persistência me trouxe a sua presença, no sonho ou no segredo investiguei sua razão, atravessamos sozinhos a mesma avenida, nos chocamos com a graça do reconhecimento.
Encontramos uma dimensão própria a cada um, cabendo a nós nossa própria definição.
EU TE CHAMO.







quarta-feira, 20 de março de 2013

O CORPO-MORTO - DENISE FRANÇA

Curitiba, 20 de março de 2013.

A voz tem a sua contrapartida no silêncio.
A ausência revela todas as características de uma pessoa em determinado espaço de tempo, grupo, preferências, costumes, enfim.

Estive no velório de meu primo, ontem, e percebi muitas coisas, detalhes incríveis, inscrições. O corpo-morto, a letra esquecida.

A suavidade de tudo, uma película que corre, mostra e de repente, apaga. Os olhos se fecham, a respiração acaba, o coração interrompe suas batidas, os impulsos vitais diminuem, ali está o corpo-morto.

Existe um jogo de cartas que em determinado momento, revela o morto. Todas as pessoas que atravessam o velório, falam umas as outras, sobre o morto, denunciam virtudes, riem de algumas manias, choram a ausência, outras ficam impunes no pecado que escondem em relação ao morto, e a noite se consuma.

O morto, inevitavelmente, não é o vivo. O morto tem aí uma razão de ser, aquele que suspende, aquele que cala. É neste sentido que a presença do corpo-morto revela uma parcela de cada um...

A última palavra.

Talvez esta impossibilidade, a última, revele de alguma forma a liberdade do sujeito humano, único.

O que não pode ser violado, o seu segredo, o seu direito, o seu favor, enfim. Aonde não podemos tocar, esta relatividade que caracteriza todo grupo, seja qual for.

Talvez o corpo ainda morno nos conserve em nossa certeza. Mas o corpo-morto abre outra condição. O silêncio verte, a memória pulula neste lugar, lembranças, momentos, situações. Pretendemos a revelação da vida ali.

Vivemos, não vivemos, amamos, não amamos, continuamos como estamos, desagradavelmente percebemos que não temos a posse de nossas vidas, muito menos a da vida dos outros.

Esta ilusão é desfeita com a presença do corpo-morto.





Peter Sellers funny cuts!

"Being There" Movie Trailer starring Peter Sellers and Shirley MacLaine

quinta-feira, 14 de março de 2013

O RISCO DOS TEUS OLHOS - DENISE FRANÇA

Curitiba, 14 de março de 2013.

Sou tentada a olhar para você mais de uma vez, e com outros olhos...

Essa tentação me leva a reconhecer no risco dos teus olhos, um pouco melhor a distância minha em relação a você, e uma aproximação sem dúvida, achada.

Não se trata da sua aparência, mas dos seus traços inconfundíveis... Eu encontro esses traços ao longo de mim, há séculos. Inegavelmente, falamos a mesma língua.

Abro esse segredo sem dizer o que digo, mas faço a interpretação desta língua que falamos, numa comunicação única que preserva nossa consciência de entender e compreender. Simplesmente, há comunicação, observo-me no silêncio, e repentinamente percebo a sua presença.

A sua presença persevera nos limites do meu corpo, uma extremidade sua toca em mim, sensivelmente ocupamos um espaço ao acaso,  esperamos algo, vivemos quase de uma mesma contrariedade.

As horas já foram... penso nas ruas, procuro, vislumbro o olhar das pessoas congestionadas junto ao tráfego da rotina, mas me desencanta essa mesma memória de tudo. E, buscando uma outra coisa, meus olhos vem dar nos teus olhos, rapidamente...

O infinito sim, repercute ali, no instante. Um sopro, um toque ao vento, aparto-me do dia, e vivo o que está sendo, essencialmente, apresento-me em sua presença.

Não questiono, e nem o meu movimento tem explicações, simplesmente sinto, e deixo esta sensação da tua presença viver em mim, neste momento. Porque assim é, e assim precisa ser...

Imagino que tudo é um trabalho árduo do tempo. Colocada está ali a rocha, e organizada de tal forma que apresenta o meu ser a minha pessoa, no momento do olhar, e no momento de ver. O destino se escreve desta forma, marca o tempo, provoca os sulcos, estabelece a  hora. E nós nos apresentamos a ele, e em razão desta presença produzimos e criamos uma história.

Não modificamos as coisas que foram, as coisas que são. E novamente nos encontramos.

Nada sei do que sabe, mas perpetuo a vez, a voz, a palavra, o direito. Mesmo o avesso, nas adversidades vividas, que prorrogam as horas em defesa da impossibilidade de amar, ou acusando o meu princípio de estar ao lado de muitos, e viver a solidão de todos, mesmo assim, os teus olhos passaram inexplicavelmente diante dos meus, e eu diria até, irremediavelmente ao longo dos meus... eu te vi.


Agora, tenho acalentado este poema, como tantos outros que fiz durante a minha vida, para vivê-lo em meu inverno que aos poucos chega, para viver em minha demora, na garoa úmida e perseverante sobre meu rosto. O risco dos teus olhos, teus olhos muitas vezes escuro, outras vezes claro e rápido coberto pela túnica da decisão, daquilo que já é acabado, que se apresenta aos fatos, à materialidade real  desta passagem.





Deixo que o risco em teus olhos me atravesse quantas vezes forem preciso. Semelhante e fugaz, compareço como testemunha, e provo dos teus lábios, o silêncio, e a tua última palavra.




Les Parapluies De Cherbourg- Michel Legrand & Jessye Norman

sexta-feira, 8 de março de 2013

O MEU MODO DE SER-MULHER - DENISE FRANÇA


Curitiba, 08 de março de 2013.


Eu gosto de ser mulher.  Nenhuma coroa de louros, de prata, de ouro me cabe. Só os cabelos soltos.
São os cabelos soltos e o chão de barro que constituem a minha meninice... ou, a minha molequice.... Eu era uma menina de cabelos curtos, meu pai não deixava que os meus cabelos crescessem.... Mas, eu corria, jogava futebol, andava descalça, subia em árvores, brincava com os bichos, e me sentia uma menina com vastos cabelos compridos, alados.
A minha infância nunca deixou de existir, mesmo mulher sou exatamente aquela pessoinha magra, aparentemente frágil, sentada em cima do telhado, olhando e observando o fragmento das horas.
Eu fazia parte do grupo dos meninos, eles aceitavam minha companhia, e logo cedo aprendi a viver em companhia de meninos e homens, sem medo, sem divergências.  Não sentia inveja dos meninos, eu me tornei amiga, e companheira.
Aos poucos, fui atingindo a adolescência, e as coisas se tornaram mais difíceis, porque comecei a ver os meninos com outros olhos, além dos de amizade. O primeiro beijo que dei em um menino, na hora do pai-nosso, foi prova de toda minha ousadia e amor... O que me custou um grande castigo em sala de aula, na frente de todos.
Eu gostei e ele gostou do beijo. E nos encontrávamos escondidos embaixo do palco construído para as festas da escola.  E assim seguiu a minha pré-adolescência, com namoricos, com muito estudo, gostava de estudar, e com a sensação de um grande amor por acontecer.
Sempre acontecia um grande amor em  minha vida. Era grande ainda mais, porque eu não podia namorar, meu pai não deixava.... E aos poucos traduzia toda a angústia de amar, em páginas, em cores, em desenhos...  Aos poucos eu me tornava um escritora, e aos poucos eu desenhava o modo e o mundo, o i-mundo, e o mudo silêncio da espera, até olhar os olhos do amor, o toque do amor, a vontade de ficar.
Engraçado, eu tinha noção das coisas que sentia, assim como tinha noção do que a outra pessoa sentia, e levava tudo isso muito a sério. O amor para mim sempre foi uma coisa séria. E a minha característica desde pequena era a amizade, a lealdade, e o amor...
Fui me tornando de alguma maneira diferente de muitas amigas.  Eu não compreendia o amor da mesma forma que elas compreendiam. O amor não ficava em mim, não parava em mim, ele se transformava e se estendia as demais pessoas, eu não era egoísta.
Era uma dor muito grande quando o menino que eu amava ia embora... Mas eu aceitava e continuava a vida de menina-moça. As ideias de casamento também não faziam parte da minha pessoa, porém eu era coerente com o que pensava e sentia. Sempre fui coerente e honesta com os meus sentimentos e consequentemente, com as pessoas ao meu redor.
Inexplicavelmente eu também era sozinha. Existia uma solidão dentro de mim tão grande que me apertava o peito. Hoje eu sei porquê sou sozinha.
Eu me construí e me desconstruí, para me tornar o que sou atualmente, enquanto mulher. Não comungo de muitas ideias e pensamentos que vigem na cabeça de grande parte das mulheres. Eu sou a mulher que sou, e não preciso e nem quero formar um grupo de mulheres para me fortalecer.
Acima do fato de ser-mulher, existe em mim a condição humana, maior e mais intensa. Todas as coisas que faço desde o momento em que acordo, até a hora de dormir, são e constituem o meu  ser, e o meu ser-mulher.
Eu sei que por muito tempo ainda fiquei com medo de viver este ser, e tentei seguir e ir em direção ao mesmo destino de muitas mulheres... Mas a vida não quis assim, outras direções e caminhos se abriram, outros horizontes, que me proporcionaram ver o mundo de outra forma, e desejar de uma maneira diferente a minha postura e condição de mulher.
Delas, as outras mulheres, eu não posso falar, porque é elas que devem falar de si mesmas. Eu apenas posso falar de mim enquanto mulher, e da minha vida, do que vivi e do que sou, o que foi, o que é, o que está sendo.
O homem em minha vida, sempre foi em primeiro lugar, algo gostoso e bom.  Eu gosto de amar, e a minha vida seria imensamente sem sentido e sem graça se não existisse esse amor ao homem.  Porém, a minha vida, e isto eu aprendi, não depende do homem, deste ou daquele, a minha vida depende apenas de mim mesma, e das coisas que faço, o que penso, o que sou. O homem é um ser que faz a diferença, que me possibilita as sensações de prazer, de aconchego, de amizade, ternura, cuidado, o que sinto e, ou o que possa sentir.
Os homens na minha vida não existem mais no campo da necessidade, como um elemento lógico que devesse estar acoplado ao meu ser.  Eu amo os homens, e antes de tudo, respeito o ser do homem, o masculino.
Hoje, não tenho dúvida alguma, não há nada assim tão bom e tão gostoso, quanto a companhia de um homem-amado. Não há nada assim tão lindo e maravilhoso quanto experimentar a ventura de um grande amor, e todas as sensações e sentimentos e  produtos derivados desta convivência.
O amor estagnado, precário, óbvio, o mesmo amor, não cabe em minha vida. Acho possível uma felicidade ao lado de um homem derivada de muitos outros fatores, bem além da mesmice. Isso não quer dizer alcançar coisas absurdas, muito pelo contrário, eu acho que é o bem-estar comigo mesma, a minha capacidade de viver sozinha, a minha compreensão de mim mesma e do mundo, que me possibilita amar um homem em plenitude de espírito.
E, falando em espírito, existe em mim, desde a minha meninice até os dias de hoje, um sexto-sentido que me guia e me coloca aonde devo estar, ao encontro de pessoas inusitadas. E existe também em minha vida, e sempre existiu, uma PRESENÇA indiscutível que jamais se separou de mim em momento algum, a esta presença, não preciso nomear, ou explicar. Simplesmente existe.
Eu gosto do meu corpo de mulher, do meu jeito de ser-mulher, e sinto que estou dentro deste ser-mulher, localizada e apreensível como uma luva, sem medo de viver, e sem medo de amar....



E TUDO ISSO É MUITO GOSTOSO!














quinta-feira, 7 de março de 2013

O SENTIMENTO - DENISE FRANÇA


Curitiba, 07 de março de 2013.

Por que eu não me engano?!

O sentimento com certeza é um vínculo de afeição que nos aproxima de outrem.

Existem modos e modos de sentimento. 

Os obstáculos ao sentimento são programações que fazemos em relação a outra  pessoa, programações que interrompem o fluxo do sentimento.

A empatia em relação a alguém que não conhecemos nos faz querer o conhecimento desta pessoa, a aproximação, a vontade da presença. A empatia é uma energia positiva, gostosa de sentir, a presença do outro nos alegra, nos transmite bem-estar. 

A sensibilidade em relação aos outros tem uma variedade de nuanças. 

A minha sensibilidade em relação a outrem me permite localizar vários tipos de sensações em mim mesma. O conhecimento do outro é gradual, vai da convivência, das palavras, da conversa, mas sempre está ali, no primeiro momento do encontro, o teor de todo o resto que virá a seguir. 

Infelizmente, muitas coisas acontecem que prejudicam esta sintonia, a harmonia da convivência. Nós sentimos esta harmonia e bem-estar em relação a alguém que acabamos de conhecer, e em algum momento, percebemos que algo trava, nos incapacita de continuar a aproximação. Podem ser fatores externos, ou pode ser fatores internos.

A atração por alguém, no primeiro momento, tem sua razão de ser.... Eu olhos aquele homem, sinto atração por ele, percebo sua fisionomia, seu sorriso, o modo de ser, de falar, de se conduzir na vida. Mas, existem outros elementos que podem ser percebidos neste primeiro momento, que vão muito além do que nossa consciência possa administrar.

Algumas pessoas tem domínios destas sensações mais profundas, outras pessoas sequer conseguem perceber isso.

O tom da voz, por exemplo. O tom da voz nos conduz a muitos lugares, nos sugestiona outras sensações, nos aproxima de lembranças, de lugares, enfim. Nós reconhecemos ali, ao escutarmos a voz da pessoa, um motivo, um vínculo. O nosso corpo interioriza tudo aquilo que vem da outra pessoa, e estabelece conexões...

E nós em algum momento nos perguntamos, ou julgamos estes sentimentos e sensações que o outro nos produz. 

Deixar acontecer, simplesmente sentir, é o melhor caminho. Curtir a sensação da presença do outro, receber sem defesas o que percebemos, deixar e sentir com naturalidade, assimilar os caminhos deste sentimento é o que precisamos fazer e aprender com o tempo.

Eu não me engano quando vejo surgir esse horizonte de possibilidades...  A presença do outro produz em nossa vida várias transformações, sensações novas, outros espaços, a vontade se revitaliza e passa a preencher direções diferentes do nosso modo habitual. 

O AMOR É ASSIM, nós deveríamos aprender a amparar este sentimento, cultivar e entender a natureza deste sentimento, acreditar, e não nos reservarmos tanto em relação as demais pessoas na nossa convivência diária.

Simplesmente sentir, deixar as sensações vivas em nosso corpo e nossa mente, curtir, nos revitalizar com essa gama de possibilidades, sem julgar ou rechaçar aquilo que o outro em especial, ou outras pessoas nos causam...




sexta-feira, 1 de março de 2013

CRÔNICA DO ABSURDO - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 1º DE MARÇO DE 2013.

A RENOVAÇÃO DA CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO


Estávamos almoçando quando minha prima perguntou: "Você já renovou sua carteira de motorista?!" Eu disse: "Não tive tempo ainda....".

Na verdade, eu pensei: "Renovar a carteira?! hahahahahahahahahaha".

Levantei cedo, e preenchi o boleto bancário para esta finalidade, renovação. Olhei pela janela, chovia muito... Peguei o guarda-chuva maior, fui até o Banco do Brasil, pagar o boleto, no valor de R$ 106,00 reais.

À tarde deste mesmo dia, fui até o Detran, andando... Cheguei lá, o guarda perguntou: "O que você veio fazer?!" E eu respondi: "Renovação da carteira de motorista..."  Ele disse: "O horário é das 9:00hs às 14:00hs." . Agradeci a informação, olhei no relógio, já eram 15:35 hs., resolvi ficar no centro, fui estudar no Farol do Saber, para depois assistir as aulas...

No dia seguinte, fui até o Detran novamente, e a transação foi rápida, e marcaram o Teste de Vista. 

No dia seguinte, por volta das 10hs, procurei na internet o endereço desta clínica:  Rua Frei ....., nº tal, BAIRRO CAPÃO RAZO, Ctba-PR.

Eu pensei, moro nas Mercês, ao lado do Hospital Nossa Senhora das Graças, Rua Alcides Munhoz, 393 (desde que nasci). Convidativo este endereço: CAPÃO RAZO.

Então, arrumei os documentos, e caminhei até a Rua João Gualberto, na frente do Colégio Estadual, onde estudo, para pegar o vermelhão em direção ao CAPÃO RAZO. Hora do almoço, ônibus cheio, sol quente....

E foi que foi, eu olhava pela janela as pessoas, pensei muitas coisas.... O rosto de cada um, a verdade escondida, a falta de sorte.... a sorte no AMOR.

Cheguei no terminal do CAPÃO RAZO, desci do ônibus, e perguntei a alguém onde ficava a Rua Pedro Gusso... Me disseram: "Segue ali adiante umas 6 quadras....".  A moça ainda perguntou: "Você está de carro??" E eu disse: NÃO, estou a pé.

Achei a Rua Pedro Gusso, e perguntei pela Rua: Frei não sei o quê.... O sujeito me olhou, e disse ao outro sujeito ao seu lado: "Essa rua é por aqui, não deve estar longe....". E eu disse: "Ai meu Deus, tenho um teste de Vista, as 13:00hs, para renovar a carteira de MOTORISTA..."   O sujeito disse: "Venha aqui, vamos telefonar para a Clínica e perguntar o endereço...".

Muito cordialmente, ele me forneceu o endereço: "Você sobe aquela rua ali, umas seis quadras para cima, e vira à direita, daí pergunta da clínica....". Eu agradeci e saí correndo.....

Fui correndo até encontrar a CLÍNICA PARA FAZER O TESTE DE VISTA...

Coloquei o meu polegar ali, o indicador também.

A mocinha disse: " A senhora pega esta folha e responde todas as questões, depois me entrega e espera na fila....".

AS PERGUNTAS:  RESPONDA COM SINCERIDADE, NÃO PODE MENTIR.

"Você sofre de algum mal?"  Etc e tal.... "Tem alguma probabilidade de você adormecer nas seguintes condições?!....."   Eu respondi: "NENHUMA PROBABILIDADE".

"Você fuma ou bebe, ou usa toxico?!"   Também não....

"Você usa algum medicamento?!" Também não...  E assim por diante.

EU NÃO MENTI, RESPONDI COM SINCERIDADE....

Então, o médico japonês me chamou.... Colocou o aparelhinho de pressão, marcou a pressão, o coração, etc e tal. E fez o exame de vista. ULTRA-RÁPIDO!!!

AO FINAL ELE DISSE: "`PARABÉNS! TUDO NORMAL, DAQUI HÁ OITO DIAS, A CARTEIRA CHEGA PELO CORREIO....".

E eu disse: Tchau e bom trabalho para o senhor....

Saí de lá, fui até a Avenida Winston Churchill, peguei o ônibus PINHEIRINHO, que me levou até a PRAÇA RUI BARBOSA. Desci, e andei até minha casa, no Bairro das Mercês....

CHEGUEI MUITO CANSADA. 

Fiz a minha CARTEIRA DE MOTORISTA, PRIMEIRA HABILITAÇÃO, EM 04/04/1989, quando fazia a FACULDADE DE PSICOLOGIA TUIUTI. Fiz a carteira para poder fazer os estágios de psicologia.... Mas essa é outra história.....

Meu pai pediu que fizesse a carteira. Tinha na garagem dois Fuscas Wolksvagem. Depois que tirei a CARTEIRA NACIONAL DE HABILITAÇÃO, meu pai saía para trabalhar com um dos carros, e fechava a garagem com cadeado...

A CARTEIRA DE MOTORISTA PERMANECEU NA MINHA CARTEIRA...

A segunda RENOVAÇÃO, FOI PRECISO FAZER O CURSO DE DIREÇÃO DEFENSIVA, TAMBÉM FIZ, na mesma auto-escola, LUCIANA, com a mesma instrutora que me ensinou a dirigir.... Ela até riu, quando me viu...

A INSTRUTORA OLHOU PARA A TURMA DE SENHORES E SENHORAS DE MAIS DE SETENTA, e eu também ali no meio e disse:   "VOCÊS QUE DIRIGEM HÁ TANTOS ANOS....". 

Eu me apequenei na cadeira, e fingi que não era comigo... Fiquei quieta.

Terminei o curso, e renovei a carteira.

MAIS QUATRO ANOS, SEM CARRO.

ESTOU COM 48 ANOS DE IDADE, e minha carteira nacional de habilitação logo vai chegar....

COLOCAREI A CARTEIRA JUNTO AS OUTRAS CARTEIRAS.... 





E CONTINUAREI ANDANDO A PÉ PELAS RUAS DE 

CURITIBA, OU DE BIKE, OU DE ÔNIBUS, COMO TANTAS

 PESSOAS POR AÍ....