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sexta-feira, 31 de maio de 2013

FAMÍLIA (ESTRUTURA): MANDOS E DESMANDOS (4) - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 31 DE MAIO DE 2013.

 Continuação....

Não uso maquiagem, não costumo "maquiar" a realidade. Se falo sobre a minha vida, se para falar de assuntos relevantes ao mundo, às pessoas, escondo e reporto a elas apenas uma "imagem", possivelmente estaria sendo desleal com o leitor.

INCRIVELMENTE, usando esta palavra que li no texto do Doutor Flávio Gikovate, incrivelmente algumas pessoas "acham" ou "gostariam" que eu contasse mentiras, histórinhas bonitinhas e maravilhosas a respeito da minha vida particular e pessoal, para assim deste modo esconder condutas, e comportamentos de outros seres que fizeram parte desta existência.

SINTO MUITO, NÃO POSSO!

 Na leitura de tudo aquilo que escrevo, acho também que dá para perceber que o meu interesse no ser-humano, não é o mesmo interesse das fofoqueiras que vivem nas esquinas da vida. O meu interesse é sério, a minha vida, a minha existência depende de tudo aquilo que eu filtro da realidade.

Eu não devolvo às pessoas que me cercam a gratuidade da vida. Custa caro levar a sério a vida, a nossa, e das demais pessoas. Custa muito caro mesmo. A gente fica, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, COM UM SALDO DEVEDOR...

Muitas pessoas, as mais íntimas, nos cobram a FALSIDADE.

Gostaria de dizer, "nossa... o meu pai era um cara que me respeitava, carinhoso, afetuoso, que beleza". Não sei porque razão as pessoas não podem dizer o que sentem e o que foi, o que está sendo. Mentem idiotamente para si mesmos e para os outros, e cultivam essa mentira como verdade, sabotam a vida, devolvem uma IMAGEM IRREAL...

Explico o porquê disso: a cultura nos obriga a dizer que estes seres que nos criaram são PERFEITOS. São modelos de vida, inatingíveis.... SÃO O IDEAL. A realide diária nos demonstra outra coisa: a humanidade, são pessoas, são fálíveis....  E quanto mais volvemos para o IDEAL, mais longe ficamos da possibilidade de uma relação mais autêntica, mais espontânea, menos sofrível, e mais cabível a cada um...

Se uma mãe decide RENUNCIAR A SUA COROA DE RAINHA, e opta pela amizade com o filho ou a filha, possivelmente a vida e a convivência se tornarão menos árdua para ambos os lados. Ou seja, esta mãe poderá revelar seus pensamentos, suas emoções, numa "boa", sem se sentir ridícula ou apequenada em razão daquela imagem que criaram.... E o filho sentirá mais facilidade de chegar até essa mãe para conversar, trocar idéias....

A RECÍPROCA É SEMPRE VERDADEIRA.

Um pai autoritário, despótico, não pode esperar do filho senão a distância e a inimizade, o CONFLITO.

A amizade com o filho não quer dizer anarquia, mas respeito. Amizade e responsabilidade. Responsabilidade no lugar do medo e do mando.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

FAMÍLIA (ESTRUTURA): MANDOS E DESMANDOS (03) - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 29 DE MAIO DE 2013.

TEXTO COMENTÁRIO EM RELAÇÃO ÀS OBSERVAÇÕES DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.


Estendendo minhas observações anteriores a estas, experiências vividas a partir dos 18 anos de idade, e suas relações com o momento atual de vida.
Por que o Teatro?! A atividade intelectual sempre fez parte da minha rotina habitual, desde os 15 anos de idade. Interesse e curiosidade em saber, entender, compreender, e principalmente, elaborar mentalmente minhas próprias experiências vividas... Li muito e muito mesmo.

O fato de viver não nos dá a consciência efetiva de tudo o que fazemos, e porquê fazemos, pensamentos, emoções, atitudes. Vivi fortes angústias derivadas da família: o autoritarismo do meu pai não me permitia seguir livremente, o que pensava e o que queria e gostava de fazer.... Em casa, era mandar e obedecer, ou calar... 

O querer em contraposição à vontade do meu pai, não poder fazer, não ter liberdade de ir e vir, de ser... A angústia produzida por essa pressão do meio era muito grande.... As minhas amizades eram de conversa, de desabafo, de troca de experiências, e os amigos, muitos deles eram pessoas que pensavam, artistas, professores e outros... Eu desenvolvi desde muito cedo o modo da observação, da leitura do comportamento humano, e tentar sobreviver neste meio opressor era uma questão de justiça. 

Nesse sentido, sempre questionei a autoridade do meu pai e da minha mãe, porque nunca conseguiram me convencer de suas razões. E principalmente porque a autoridade do meu pai era arbitrária, injusta e incoerente. Sempre lutei contra isso, e ainda hoje luto.

Eu não travo mais uma luta interior como quando era jovem, o meu espírito é verdadeiramente livre para pensar e ser. Mas as armadilhas, e o modo ardiloso, a especulação em torno de tudo o que faço e penso, nunca deixaram de existir, isto posto, porque essas pessoas ainda existem...

Muitas foram as direções que tomei, os livros que li, minhas tentativas de encontrar meios para não me sentir assim tão sufocada. A amizade sempre foi um caminho, a amizade verdadeira me proporcionava conhecimento e bem-estar.

Desde cedo também, motivada por amigas que faziam psicoterapia, procurei este conhecimento. E a psicologia era uma matéria favorita, quando entrei na Faculdade, não senti nenhuma dificuldade.

Esses adendos, preâmbulo, para evocar a consciência que temos de nós mesmos, do mundo, dos outros, da realidade que nos cerca... Esta consciência não está dada ao nascermos, e muito menos ao longo da vida. Somos sensíveis a esta consciência ou não somos sensíveis, então procuramos por alguma coisa: um sentido.

A filosofia, psicologia, literatura, não são matérias de pessoas problemáticas, "esquisitas", mas de pessoas que se preocupam em entender, pessoas que observam o mundo, e elaboram suas percepções de vida...
Infelizmente em minha casa, achavam mesmo que eu era uma "louca" porque havia escolhido essa direção...

Hoje, ao conviver com esses estudantes do curso de Teatro, percebo a mesma procura,  a empatia que nos cerca. Olhando para eles, lembro da minha juventude.  Alunos de 20 anos ou mais, sensíveis a tudo isso que acabei de dizer. 

A elaboração mental, racional, a elaboração emocional, a sensibilização do corpo e da mente, do espírito para tudo o que vivemos e nos cerca, resumidamente, faz parte do teatro... E portanto, esteve em mim desde sempre...

A criatividade existencial é isto: a capacidade de recriar a vida, através da produção de novas possibilidades existenciais... viver, sentir, transformar estes sentimentos, renunciar a outros, e seguir honestamente diante de si mesmo e dos demais.

Mas a razão maior de falar sobre o Teatro, é a convivência que estou tendo com homossexuais.  O universo existencial de pessoas que se consideram gays, antes era desconhecida para mim.

Quase todos os meninos do curso são gays. Percebo o quanto de preconceito existente em relação a esse fator,  o quanto de discriminação e de falta de conhecimento a esse respeito, sem relação com a verdade e com a realidade destas pessoas.

Sempre e sempre, a melhor forma de saber sobre uma realidade diversa da nossa, é conviver.  Eu convivo no curso de teatro com pessoas maravilhosas, numa relação humana. Reabasteço minha energia pessoal todos os dias através desta convivência, com alegria, amizade, carinho, muito carinho, e sinceridade...

E com ternura quero agradecer esta convivência carinhosa e afetuosa de pessoas maravilhosas.

A vida sexual deles, não me importa. A escolha sexual desses jovens, não me constrange em nada, muito pelo contrário, me dão liberdade de falar tudo o que penso, vivo, e pratico.

A promiscuidade ligada à homossexualidade, foi algo produzido e desenvolvido arbitrariamente. Nem todos os homossexuais são promiscuos, não existe nenhuma relação de verdade e de fato entre uma coisa e outra.

Voltamos sempre ao tema da sexualidade, e da opressão, re-pressão. Nesta amizade recíproca, verdadeira, percebo muitas coisas. A sexualidade é algo incerto, variável, inconstante, um mundo onde a fantasia é um recurso, e tem respaldo em nossas experiências pessoais, nossa história de vida.

Estou aqui escrevendo e tenho que sair, continuarei mais tarde....

terça-feira, 28 de maio de 2013

FAMÍLIA (ESTRUTURA): MANDOS E DESMANDOS (02) - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 28 DE MAIO DE 2013.

TEXTO EM OBSERVAÇÃO AOS COMENTÁRIOS DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

Gosto de fazer comentários a partir da realidade daquilo que vivo, enquanto mulher, e daquilo que percebo ao meu redor. Não poderia ser diferente.


Uma vez, estava varrendo as folhas na frente de casa, logo ao amanhecer, prática essa habitual... Vi então uma senhora me observando, ao lado da minha casa. Isso acontece porque minha casa fica ao lado do Hospital Nossa Senhora das Graças, e geralmente muitas pessoas passam por aqui, chegam cedo, e ficam esperando... Esta senhora se aproximou e começou a conversar, dizendo que o jardim desta casa era muito bonito, e começou a fazer perguntas: “Você é casada?”. Respondi. “Você tem filhos?” Respondi: Não tive filhos, mas criei os do meu irmão... Resposta simples, fatos da minha vida....

Aquela senhora então olhou pra mim e disse: “Ah, você é seca!” Em razão dessa resposta, vi que a minha primeira impressão desta senhora não estava enganada: ela era mesmo uma “crente”... Continuei conversando com ela, apesar deste comentário...

“VOCÊ É SECA!”

A Igreja dos Capuchinhos também fica ao lado de minha casa. Gosto muito dos freis capuchinhos, e gosto de cantar.... Frequentemente vou até a igreja. No dia das mães, na missa oferecida em homenagem as mães, também é possível perceber uma série de coisas; a exclusão, a falta de habilidade para aceitar outras possibilidades, e diferenças...

Esses pequenos exemplos cotidianos, a frequência com que acontecem, o modo banal com que são tratados, e a maneira sistemática deste funcionamento, nos mostram também uma série de vetores, a disposição destes vetores, a estrutura, porquê e para quê uma mulher faz uso do fato de ser mãe....

Não é um julgamento destes critérios, mas a realidade tal qual se manifesta: instrumentalização.

Eu não me sinto infeliz por não ter filhos. Enquanto mulher, estou satisfeita do jeito que sou. Não preciso usar ARTIFÍCIOS para me declarar frente a outra mulher. E normalmente, não uso esse tipo de artifício...

A maternidade para mim, é sentida de outra forma. Eu adoro crianças, e convivi com crianças desde sempre. O universo infantil para mim não tem novidade alguma, nem dificuldade, nem constrangimento. E a recíproca é verdadeira: as crianças sentem-se bem em minha companhia, respeitadas, amadas, protegidas.

Isso é um FATO!

Gostaria de negar muitas experiências da minha vida em prol destas mães ciumentas, autoritárias, e infelizes, mas não posso.... O meu relacionamento com as crianças sempre foi excelente, autêntico e verdadeiro, e isso basta.

Não posso negar minha vida, rechaçar os movimentos, o percurso, as experiências, boas ou não. O vivido foi vivido...

E gostaria de salientar os “modos” deste funcionamento: o constrangimento que muitas mulheres causam a outras, não é uma variável que depende do padrão de vida, ou nível de educação.... Não, é realmente independente disso.

Convivi com mulheres que eram psicanalistas, com formação em psicologia, que coabitavam no mesmo espaço físico, na prática da psicanálise, e que em determinado momento descreveram esse mesmo funcionamento, esse mesmo constrangimento, em razão da inveja, e ciúme.

Logo que terminei minha análise pessoal, fui convidada pelo meu psicanalista a trabalhar naquele local. Convite esse feito por ele 3 vezes. Intuitivamente, algo me apontava que essas coisas aconteceriam ali naquele local.

O fato de ter sido convidada pelo Diretor do Colégio Freudiano de Curitiba, já foi o motivo inicial para o tipo de comportamento daquelas mulheres que ali se apresentavam... Ao contrário delas, eu tive a maior boa fé, e interesse em colaborar com todo o trabalho que ali acontecia. E para isso, levei o material necessário para trabalhar com aquelas crianças, crianças do Educandário São Francisco.

O meu trabalho não consistia na observação das crianças, pois eu fazia ali exatamente o que sempre fiz com o sujeito humano: conviver. Conviver, compartilhar, integrar, participar.... E isso, não agradou as psicanalistas em questão, que ficavam observando a minha conduta, de forma crítica, e avaliando as minhas atitudes como se estivessem estudando um caso.

Felizmente, a secretária deste lugar também se tornou minha amiga, conversávamos sempre, e considerava tudo o que fazia ali com normalidade, e participava da mesma forma. Nós duas, dávamos conta do recado, na ausência do psicanalista... E as crianças não só se sentiam bem, alegres, agradecidas, incentivadas, como algumas mães me procuravam nesse lugar para conversar, e gostavam do trabalho realizado.



Esse foi o motivo secundário para o agravo da inveja daquelas psicanalistas. E assim sucessivamente, ao ponto de se tornar um ambiente inabitável para mim. Fui convidada para trabalhar ali, aceitei, trabalhei, e de repente me vi frente a uma situação simplesmente incompreensível: mulheres que se diziam psicoterapeutas, doutoras.... Na verdade, não sabiam exatamente o que estavam fazendo, e estavam manifestando um furor derivado da insatisfação com elas próprias, da incapacidade de realizar um trabalho como aquele, incapacidade de se relacionar com crianças com naturalidade....

ESSES FATOS FAZEM PARTE DA MINHA REALIDADE EXISTENCIAL, DE VIDA. E FATOS ASSIM SE REPETIRAM AO LONGO DA MINHA VIDA. A INSISTÊNCIA DESTE TIPO DE CONDUTA EM RELAÇÃO A MINHA PESSOA CARACTERIZA EXATAMENTE A LIMITAÇÃO DESTAS MULHERES, E A POSSIBILIDADE DE TRANSPOSIÇÃO DESTA LIMITAÇÃO, PRODUÇÃO DE OUTRA COISA...

REPETIÇÃO E INSISTÊNCIA, SÃO CONCEITOS! CONCEITOS QUE DEMARCAM UMA PRÁTICA, PRAXIS, OFERECIDOS E ESCLARECIDOS NA OBRA DE FREUD. EXISTE UMA RAZÃO DE SER PARA TAL...

Antes de viver essas situações, não imaginava que isso pudesse acontecer com pessoas que tinham uma educação superior, e muito menos pessoas que se formaram na área de psicologia, mas estava ali, dia após dia, vivenciando estas circunstâncias absurdas e no entanto reais.

HOJE, percebo que a vida, a realidade, a diversidade do sujeito humano, apresenta todas essas vicissitudes, independente da classe social, do status, da educação....

E, a CONVIVÊNCIA diária, o trato com o ser-humano nos dá capacitação para lidar com problemas, e maleabilidade.

AO CONTRÁRIO, é exatamente a ideia de que a função é o ser, que traz tantas equívocos, e constrangimentos.... Em determinado momento, dentro daquela Instituição, eu olhei para o Presidente e disse: “Você é o presidente daqui, mas pode deixar de ser. E aí vai ter que fazer outra coisa da vida, e talvez não saiba fazer....” . Ocupar um lugar, não significa que a pessoa seja este lugar, e isto é tudo.

A rigidez psicológica é derivada desta incapacidade de lidar com realidades diferentes, pessoas diferentes, acontecimentos inesperados... E adquirir capacidade e maleabilidade para a vida, depende da prática e disposição do sujeito para isso.

O sujeito-humano é tudo isso, e ao mesmo tempo, nada disso... Ostentar uma postura, um lugar, dificulta ainda mais as relações humanas, a naturalidade de exposição, a aproximação com o outro, criando barreiras e defesas...

E, em certos momentos fica ostensivamente óbvio a CONTRARIEDADE ENTRE AQUILO QUE O SUJEITO DIZ SER, E AQUILO QUE EXATAMENTE ELE É, OU SEJA, O QUE O SUJEITO FAZ NA REALIDADE DE SUA VIDA ORDINÁRIA, NEGA AQUILO QUE ELE PROCLAMA ENQUANTO DIREÇÃO DE VIDA....

CONVIVÊNCIA: EFETIVIDADE DA PRESENÇA.



FAMÍLIA: MANDOS E DESMANDOS (01) - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 28 DE MAIO DE 2013.

COMENTÁRIO AO TEXTO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.




Sem dúvida alguma, para estarmos aqui neste mundo, nascemos. Existe sim, uma mulher cujo óvulo foi fecundado por um espermatozoide, e desse fenômeno chamado “fecundação” produziu-se um feto humano, e a gestação levada a termo com o nascimento de um bebê.

Porém, contudo, portanto, entretanto, eu aprendi a não mentir em nada quanto a minha vida, e quanto a tudo aquilo que observo, escuto e vejo desta realidade que me cerca. E por isso mesmo, acho necessário dizer: nem todos os bebês nascem, muito são abortados, livremente, ou com a intenção do aborto, mesmo o feto sendo normal...

Mais adendos: a mulher , cujo óvulo foi fertilizado, pode querer engravidar, pode não querer engravidar, pode rejeitar o bebê, pode odiar a criança, e assim por diante. É só pensar a quantidade de crianças vindas ao mundo, e dizer que todas elas foram amadas por uma mãe consciente e absolutamente “santa”, é uma mentira desleal com essas mesmas crianças....

Mais adendos: muitas crianças rejeitadas pelas mães, outras largadas em algum lugar, banheiros públicos, lixos, estações, sei lá, contam com a ajuda de outras pessoas para a sua sobrevivência, orfanatos, abrigos, etc.... E outras ainda, conseguem ser adotadas... por mulheres que não puderam engravidar, e queriam ser mães...

NOTAVELMENTE, me desculpem os moralistas, e muitas mulheres que se sentem ofendidas quando eu digo que ser mãe não é apenas fazer um bebezinho, e colocá-lo no mundo, SER MÃE, independe deste motivo inicial, e NATURAL, ser mãe vai bem além disso.

RESPONSABILIDADE: cuidar de uma vida, não é ENCARGO para qualquer um ou qualquer uma....

Mais adendos: Colocar uma criança no mundo as vezes, ou muitas vezes, não tem a ver com o amor, e o querer um filho, mas apenas o resultado de um controle cultural, de um status que garante a essa mulher uma posição na sociedade, um lugar de “pertença”.

Então, podemos observar que um comentário assim: “ser mãe é ter o dom de dar à vida a um outro ser, é ter a graça e a beatitude que Deus nos concedeu... parala parala parala....”, é incrivelmente FALSO E MENTIROSO...., mas que sustenta bastante a sociedade de consumo.

Existem muitas mulheres no mundo, mães queridas e exemplares, mas existem muito mais mulheres arbitrárias e prepotentes que usam esse lugar de mãe, para exercer uma postura de autoridade produzida única e exclusivamente por elas mesmas, na medida em que um bebê só sobrevive mediante a intervenção de alguém, seja a própria mãe ou outros...

Em razão desta relação de “dependência” pela qual o bebezinho não pode OPTAR, não pode ele mesmo determinar o curso, muitas e muitas mulheres fazem o que querem com estes seres inermes, e entregues a própria sorte....

Existem mulheres que fazem coisas absurdas com uma criança, bebê ou já crescida.... Esta é a realidade.... E não dá para negar, RECHAÇAR, porque há consequências e sequelas disso tudo ao longo dos anos, e à medida que a criança cresce e se torna um outro ser....

Existe a mulher que produz uma criança, mas existe a figura do homem, sem a qual isto não é possível.... Esse espermatozoide pode ser conhecido, ser do homem com o qual esta mulher vive, ou pode ser de um desconhecido, do qual esta mesma mulher não tem ciência. OU, ainda, poderá vir a tê-lo, de alguma forma, com o estudo do DNA....

MAIS ADENDOS SOBRE O ESPERMATOZÓIDE QUE GEROU A CRIANÇA: pode sim, ser o espermatozoide de um homem amado, pelo qual se tem o respeito, advindo de uma relação entre um casal responsável e consciente....

MAIS UMA VEZ, com relação ao homem, sem o qual nada é possível, neste sentido, observamos também as multi possibilidades....

E MAIS UM ADENDO: NADA INDICA QUE ESSE HOMEM , DE ONDE SURGIU O ESPERMATOZOIDE, SEJA UM “PAI”.

A MATERNAGEM É UMA FUNÇAO, ninguém nasce sabendo o que é ser mãe, o que é ser pai. Temos modelos ao longo da vida, pessoas da família e fora da família... Esses modelos, nada INDICA que são perfeitos, que funcionam para o bem... POR UMA SIMPLES RAZÃO: o ser-humano não é perfeito, não está pronto, caminha com o tempo, sofre influência de vários fatores, está sujeito há várias emoções, sentimentos, pensamentos, contraditórios, ou consoantes, sujeitos a vicissitudes ao longo da vida, de forma que não é possível programar o que pode ou não acontecer ao longo de uma vida.....

TODOS ESSES FATORES DEVEM SER LEVADOS EM CONSIDERAÇÃO DESDE O NASCIMENTO DE UMA CRIANÇA, QUE PODE OU NÃO SER FRUTO DE UM CASAL, HOMEM E MULHER, CASADOS OU NÃO, E ASSIM POR DIANTE...

Se o quadro já é assim vasto e complexo, podemos pensar o quanto se torna ainda mais complexo e difícil quando se trata de RECHAÇAR todas essas possibilidades e vicissitudes em prol de uma IMAGEM daquilo que gostaríamos que fosse, mas não é. NÃO É: ISSO É UM FATO!

O IDEAL, e aí eu concordo plenamente com o Doutor GIKOVATE, pode dificultar e tornar tudo mais inacessível na medida em que o sujeito nega a realidade, nega suas próprias emoções, sentimentos, para apresentar uma imagem e usá-la para fortalecer um lugar, uma posição, e contraditória em relação aquilo que de fato acontece e se passa no núcleo ou estrutura familiar....

NEGAR A REALIDADE E OU RECHAÇAR prejudica e interfere não só nas possibilidades de transformação, como também provoca efeitos a longo prazo na vida das pessoas que fazem parte desta estrutura...

GOSTO DE CITAR EXEMPLOS DA MINHA PRÓPRIA EXPERIÊNCIA DE VIDA, E DAQUILO QUE OBSERVO NA REALIDADE AO MEU REDOR.

Um pequeno e demonstrável exemplo: Eu não tenho filhos. Não sou casada, não tenho marido. No entanto, cuidei de crianças ao longo da minha vida. No dia das Mães, recebi um postal de uma amiga no facebook, onde ela falava sobre a GRAÇA DE DAR À LUZ....

Eu fiz a leitura do postal e o que percebi e venho percebendo ao longo da minha vida em relação a maioria das mulheres, A MEGALOMANIA.. Indissociável da maternidade, da necessidade que ELAS tem de dizer que são detentoras da vida, pela graça do espírito santo, pela dádiva de Deus, ou seja lá por qualquer outra razão.... Eu acredito em Deus, certamente. Não tenho dúvida. Mas eu duvido de tudo isso o que é dito em relação à maternidade.

E aliás, ao fim da leitura deste cartão de minha “amiga” me ocorreu a seguinte ideia: ELA FALAVA TANTO NA LUZ, DAR À LUZ, QUE EU PENSEI MESMO QUE ESTAVA FALANDO DA COPEL...

Uma ou outra mãe PERCEBO, AO CONTRÁRIO DESTE GRANDE GRUPO DE MÃES, a humildade e perseverança em relação aos filhos, verdade e experiência real de AMOR. Sem a necessidade MEGALOMANÍACA DE OSTENTAÇÃO QUE VEM DELAS PARA COM ELAS.... e não de DEUS!

Quanto às crianças, a minha experiência de convivência ao longo dos anos, me fez entender e observar muitas coisas: o medo em relação a essa autoridade da mãe, a IMPOSSIBILIDADE DE DISCUTIR ESSA AUTORIDADE, mesmo sendo ela autoritária e tirânica. A OPRESSÃO EM ACEITAR O QUE É INACEITÁVEL.... Muitas vezes a criança tem que mentir a realidade que vive, por medo do castigo dos pais, pecado moral, ou culpa...Enfim, a criança entra em crise, porque não pode dizer a verdade, não pode dizer aquilo que simplesmente lhe acontece, porque isso é INACEITÁVEL, em se tratando da mãe ou do pai..., “moralmente” inaceitável.

VOLTANDO A ESSE EXEMPLO DO POSTAL DA MINHA AMIGA.... Sei porque ela deixou o postal ali para mim, por uma razão muito simples: para dizer e reforçar esse ARGUMENTO que ao longo da nossa amizade, faz uso como um reforço: VOCÊ NÃO É MÃE E EU SOU.... Coisa banal, e USUAL que todas usam sempre, em relação a outras mulheres, que não tiveram filhos gerados do seu próprio ventre. Como se o fato de não ter filhos fosse considerado por ELAS uma DEFICIÊNCIA que colaborasse no mal-estar desta mulher, ou na INFELICIDADE DELA. NADA INDICA OU COMPROVA ESTE FATO: de que uma mulher que não tem filhos é INFELIZ, OU VALE MENOS QUE UMA MULHER QUE OS TEM.... Na verdade, é a mulher que teve uma criança que provoca nesta outra mulher esta FERIDA....

MAIS UM ADENDO QUANTO A ISSO; eu fui testemunha de muitos depoimentos de mulheres casadas, que gostariam de ter filhos, mas infelizmente, por uma razão de impossibilidade do organismo, não conseguiam engravidar, chegaram à beira da loucura, depressão profunda e isso tudo em razão da pressão da família. Mesmo sabendo que a mulher não pode engravidar, e que isso não é “culpa” dela, a família humilha esta mulher, e a coloca numa condição marginal, onde ela sofre todo tipo de invasão, e assédio moral....

ISSO A MEU VER É UMA LOUCURA.

Existem milhares de crianças que precisam de cuidados, precisam de pais e em razão dessa “loucura”, perdem a possibilidade de serem adotadas por mulheres, homens, ou outros...

Eu gostaria de dizer coisas belíssimas quanto as mães... Mas não sei mentir.... E não posso mentir, porque sou uma mulher, e vivo dia a dia esta condição existencial, em seu sentido particular, diferencial, em seu sentido social, e espiritual.

Existem mulheres maravilhosas que adotam 10 filhos, e produzem transformações singulares e espetaculares na vida destas crianças, isso pra mim é singular e salutar na vida, no mundo, levando em consideração o mundo tal qual se encontra. Isso para mim é mais salutar do que A MEGALOMANIA da mulher que se diz mãe para carregar a coroa da GRAÇA, BEATITUDE, ONIPOTÊNCIA, ETC E TAL, QUE VERDADEIRAMENTE NÃO LHE PERTENCE.



DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE



domingo, 5 de maio de 2013

A MATERNAGEM E O SUPEREU FEMININO

CURITIBA, 05 DE MAIO DE 2013.

HELVÍDIO DE CASTRO VELLOSO NETTO:

"SEMINÁRIO DE 1993: O SUPEREGO FEMININO"

"O real da anatomia é significante na determinação da escolha sexual.  Bissexualidade, quem a tem propriamente é o significante: Duplo sentido antitético das palavras ("A interpretação dos sonhos" - Freud).
Desejo demarcar o terrorífico da hiância, do Furo, o Feminino, que vai impelir ao movimento de fuga da vivência do Outro, do Grande Outro, em direção à Beatitude falicizada da  representação de algo, de algum objeto, de alguma montagem."

"A Beatitude sem medida é o gozo oriundo do gozo do Outro quando o Falo não se torna Falo, quando ele não se torna um elemento terceiro, e ele é simplesmente um brinquedinho entre ele, o bebê, e sua mãe."

"A Beatitude sem medida é o gozo oriundo do gozo do Outro, num corpo fantasmatizado da mãe arcaica, cujo o gozo só adquire medida pelo falo, função fálica. Sem medida é esse universo, que é o todo dessa relação originária. O Outro é essa mãe, que esses fenômenos, essas vivências, nesse jogo de completude que sobre ele pesa."

"Assim é o Supereu Materno, essa imperatividade do goza, é uma função não regulada que não conhece limite, e o gozo absoluto, afânise radical do sujeito, e por isso a referência ao desejo ser extremamente civilizado se comparado com o gozo."

"A inserção do sujeito na sua vida, você vai poder falar que o corpo, a vida, a morte, vai mudando o nível de estimulação desse sujeito. A esse nível que eu estou falando, primitivo,  nós vamos entender aí um corpo que é o real do buraco, o real aí se torna o outro, como esse buraco, essa hiância ao passo que o corpo sendo vivenciado, representado pelo sujeito adquire o lugar de imaginário, mas é o corpo real do sujeito, só que o real é o buraco da hiância, sob a representação que o sujeito vai fazer do que ele vivencia."

"Assim o Supereu materno, essa imperativa do goza é uma pulsão não regulada que não conhece limites, gozo absoluto. Afânise radical do sujeito, por isso eu me referi ao desejo sendo extremamente civilizado se comparado ao gozo. Eu demarquei também que a vivência superegóica radical, ficará para sempre não coordenada ao significante,  essa vivência superegóica radical não coordenada não quer dizer que não possa encontrar no significante sustentação, para o loqueamento, não quer dizer que o significante não vai entrar aí como significante - substância gozante - não coordenada ao significante, quer dizer que vai funcionar absolutamente sem um distanciamento possível daquilo que nós vimos ontem como subjetividade, um sujeito que possa fazer isso..., é esse significante trabalhando ditatorial, gozozamente naquela, na forma do isso, produzindo seus efeitos sem que haja uma condição de uma certa amarração. Dá para entender que na neurose não é o que se passa, na neurose já existem os cinturóes, o cara comete o lapso, e isso é por causa disso. A ficção da análise é dizer que realmente ele pode até saber. Espaço ficcional, e não estou falando do delírio, que não é a ficção futurística. É o primeiro artífício, por exemplo, os pais com a vinda de um novo rebento supõe que dali vai nascer um falante. Nao há nada ali que garante que aquilo ali não vai se tornar um autista, mas é um artifício que existe na estrutura, o artifício é espiritual. Diferente de um Júlio Verne, o fato é que  produza hoje idealisticamente no campo das ideias,  produzir coisas que ainda somos incapazes de realizar - isto é ficção - que se chame científica não deixa por menos que esse corpo de ideias, esse conjunto se situe aí no lugar do inominável..."

"O Deus de Shereber (caso Shereber - Sigmund Freud), é um infrator no que se refere à ordem do mundo, e não pensem que isso é uma sacanagem com Deus, é mais um artifício, é louco mas não é burro, artifício para degradar essa imagem. O neurótico tem uma força para manter a mãe, no psicótico nós já encontramos no cerne da doença, o cerne de distituição dessa figura."

"O Supereu das mulheres é diferente do Supereu dos homens. Freud questionou se as mulheres tem supereu. O Lacan denunciou que o tema o Supereu feminino é uma máscara, se falava muito, elas e eles, e da-lhe congresso, máscara que recobre a questão essencial do gozo feminino; o que chamo de gozo feminino é o gozo não freado, não relativizado pelo falo, é o gozo louco. O gozo fálico que não tem nada de feminino é absolutamente histérico, que já é um gozo localizado, do qual a mulher também participa e a histérica pretende tornar seu ser absoluto. "

"GOZO DA MÃE = GOZO FEMININO. O gozo feminino, enquanto não situado pelo falo, é o gozo que tem de alguma forma, se tornar cativo da ordem da palavra, num trabalho de civilizar a loucura, porque terá as mulheres de seu estado: de estarem perdidas, sem se mascararem de homens nas formas mais variadas que veremos. Civilizar a loucura, é transformar a hiância de figura obcena e feroz, hiância no imaginário, para hiância no simbólico. Separarmos para pensar um pouco, no que já falamos, podemos entender que há uma revirada na clínica: se entendermos o supereu não como uma função de inibição, de proibição, mas como uma função imperativa de exortação, de empurramento, num determinado sentido."

"Nesse sentido, tantos problemas causam aos psicanalistas, machos e fêmeas, entender o supereu feminino. Em relação ao supereu feminino, não podemos dizer que a mulher o tenha, é que em razão de suas funções estruturais, a mulher é o supereu. Ela não tem o supereu, ela é o supereu."

"Por isso só com um homem é possivel a construção de uma mulher. Entanto isso, a mulher continua sendo o sinônimo de supereu."

"Em razão disso, é muito mais fácil eu ter uma crença qualquer, ideologias políticas, é muito mais fácil sustentar imperativo kanteano do que sustentar imperativo do gozo."

"O feminino é estrutural, o gozo é inerente - é uma instância. Instância é isso, é essa pressão, essa manifestação agora que se passa sem a radicalidade da fobia, permite essa usufruição."

"Vínhamos então, da medianação do Supereu e a Mulher. Falar de supereu, lembrando a Banda de Moebius, e falar de mulher, é somente uma continuidade. Tendo como conclusão do último sábado, que a mulher não tem supereu, por algo muito simples: ELA É O SUPEREU."

"Agora, na continuidade do trabalho, se impõe que nos encaminhemos rigorosamente na trilha da demonstração, e para tanto, vamos mais uma vez ao tear, pois que o cerco deve ser percorrido várias vezes e a Psicanálise nos ensina que as águas passadas movem o moinho."

"Botem na cabeça que isto é uma fórmula: não poderemos jamais falar de clínica, da observação dos ditos casos clínicos, que nos sitiam, nos assolam, sem estabelecermos uma leitura rigorosa desses elementos que eu venho, gradual mas progressivamente apresentando."

"O cerco deve ser percorrido várias vezes, nós já trabalhamos aqui. Só que o Lacan, à pág. 258 diz: "não há senão uma psicanálise, a psicanálise didática - o que quer dizer uma psicanálise que tenha fechado esse cerco até seu termo. O cerco deve ser percorrido várias vezes. Não há com efeito nenhuma maneira de dar conta do termo DURCHARBEITEN, da necessidade de elaboração, se não é pra conceber como o cerco deve ser percorrido mais de uma vez. Não tratarei disto aqui, porque isto introduz novas dificuldades..."
"Só que eu estou fazendo diferente. Este artifício epostemológico que ele está colocando em relação a um paciente em análise, eu estou realizando a aplicação dessa análise didática aos próprios conceitos que nós vamos trabalhar."
"Perguntem! Quero que fique bem entendido! Se o Lacan disse... 'Meus alunos, se eles soubessem por onde os conduzo', eu não tenho nada com ele neste aspecto. Eu quero que fique muito claro por onde os conduzo, e vai ficando muito claro o caminho que vou abrindo. FICA QUEM QUER! ESTÁ CLARA A MINHA ÉTICA?"
"Não há senão uma Psicanálise, uma Psicanálise como um corpo conceitual. Nada de MariasPsicanálises! Isso é delírio! Não há senão uma Psicanálise em relação ao sujeito. Não há senão uma Psicanálise em relação a esses conceitos, a estas formulações, que dirão da verdade. Qualquer coisa que se afaste disso, ou estão no campo da Psicose, da Perversão ou da Neurose, e não venham me dizer o contrário. Eu quero que vocês saibam para onde eu os conduzo. Esse é o caminho que eu trilho!"

"Psicanálise que tenha fechado o cerco até seu termo..." Então não há possibilidade de se falar aqui, ao nível do que seria o corpo conceitual da Psicanálise, a não ser percorrendo o cerco várias vezes, fechando-o. Um dos cercos nós estamos fechando agora... Estamos retornando ao feminino. Retornando às origens. Que vai ser noutro nível qualitativo, não tenho dúvidas que será!"

"Alguns por impossibilidade estrutural. Outros já num campo que eu deixei bem dito aqui, na letra de Lacan, por sotaque de perversão. Sabemos de há muito, que a identificação primária, se define em relação à mãe, sendo que a mãe remete à IMEDIATEZ, ao contrário do pai, que remete à MEDIATEZ, distância! Possibilidade de cortes e metáforas."

"Ora, essa identificação primeira ligada à mãe, se organiza em função de uma relação que se estabelece, de forma a mais estreita possível, que é a relação de maternidade, lugar por excelência, de organização e funcional de manifestação da CORRENTE PERVERSA DOS DESEJOS."
"Se funda num elemento básico que é o de fazer FUSÃO, CON-FUSÃO, entre o significante e o objeto. Fazer CON-FUSÃO entre o que é idéia, o que é substrato ideológico, e o que é objeto."

"Por exemplo: Uma mãe que perverteu tanto o seu filho, a ponto de que ele não conseguisse extrair bem estar da vivência do nível simbólico que a vida propicia, por tal objeto perverso ele foi feito, ele não conseguirá também extrair satisfação e bem-estar que não seja atra´ves dos objetos ontificados.... ENTIDADES."

"Essaç relação da mãe com o filho, a mais direta de todas as relações possíveis, é com efeito a que mais letimamente pode reivindicar o título de NATURAL. Termo que Lacan continua utilizando para significar o quê?"
"NATURAL, entendendo aqui, como predominantemente movida a uma tendência REAL/IMAGINÁRIA de manter tal filho na posição natural de um objeto feito de carne, e atravessado por necessidade."

"Foi isso que levou Lacan, inevitavelmente ... SEMINÁRIO 11: "O inconsciente Freudiano e o nosso", a levar o conceito do inconsciente do IMAGINÁRIO ao SIMBÓLICO, e terminar, finalmente, como sendo REAL."
"Dizer com Lacan que o inconsciente é REAL, significa dizer o inconsciente está fundado, fundamentado...".
"O inconsciente termina como REAL, foi o último lugar do inconsciente, porque é esse das vivências, da origem, do contato a esse nível de necessidade, onde a necessidade se torna, porque é ela o elemento de vida e morte, se torna a arma mais poderosa que o outro utiliza para ingressar, fazer ingressar o NOVO SER, na dela."

"Exemplo, uma mãe que pega um filho, vai estabelecer com ele um trabalho que é o seguinte: APRENDA A DEMANDAR-ME. ME TORNE NECESSÁRIA À VOCÊ, SOB PENA DE QUE, SE NÃO TE MANIFESTARES NESSA LINHA, ESTÁS FADADO À MORTE."
"Mas isso é lido como amor. Isso é o ódio mais radical. Esse é o Discurso do MESTRE."

"Onde a subjetividade desta dita mãe, utiliza desta Mestria, produzindo sobre o outro o que será um saber, para que ele ocupe esse lugar de, além de ser um demandante, ainda seja um objeto. Ela exige, através desse movimento perverso, que ele também seja um perverso, na origem: seja do campo do saber ou do campo do objeto: ISSO É CHAMADO AMOR MATERNO."

"E aqui está o Discurso do Inconsciente. Por isso o Discurso do Mestre é o Discurso do Inconsciente: porque é o primeiro Discurso que vai configurar. Onde se estrutura, se organiza de saída, no OUTRO, a unidade de duas ordens diferentes."

"Ele está falando da Pulsão em Freud, e do Desejo do psicanalista. Tal é o relevo que o moralista teria podido observar nele, Lacan, se nosso tempo não estivesse tão prodigiosamente atormentado de exigências edílicas. Isso é o que quer dizer a referência constante em Freud ao WUNSCH-GEDANKEN, aos pensamentos de anseios, de votos..."
"Porque o que esta mãe exige do outro... ao projetar sobre o seu Supereu, que é a bocarra de mamãe.... exige o retorno: receber sua própria mensagem de forma invertida. Isso Lacan coloca na estrutura do Inconsciente. Só que diz o Lacan: É A ONIPOTÊNCIA DO PENSAMENTO".

"É TROCADO, A ONIPOTÊNCIA É PASSADA PARA CÁ, S²/a, TANTO QUE ELE COMEÇA A ACREDITAR QUE ELA É ONIPOTENTE!"

"Não é a megalomania que se denuncia." Isso é desimportante. E pergunto a vocês se não é a linha que tenho trazido aqui, com a frase que o Lacan pronuncia depois:
"O que se denuncia é esse movimento de "conciliação dos contrários". Não há movimento perverso maior."

"Sim! Conciliação; DIZER que é a mesma coisa, o campo do significante e campo do objeto. Então é claro que o cara tem que sair, como ele diz no Seminário Ética, procurando os bens do mundo, que o farão feliz."
"Faz isso porque foi enlouquecendo pela louca, porque a louca acreditou que era aquele bolo de carne que ela pariu que era o objeto."

"Objeto feito de carne e atravessado por necessidade. É o nível de relação em que o AMOR estára mais absolutamente e naturalmente garantido, entre a necessidade e A MORTE."

"Sendo que para fundá-lo e mantê-lo, não fal falta qualquer elemento pertencente ao registro da lei."

"É a relação que vai ser sustentada em uma inércia que se oporá fundamentalmente ao que ex-siste. E o que ex-siste, eu já lhes demonstrei. É O SIMBÓLICO. "

"Que seja outro, mesmo que em forma de um alimento mais sólido, por exemplo, e daí temos toda uma preparação, toda uma graduação, com pós-graduação e todos os títulos acadêmicos que quiserem aqui depositar, para essa vivência de retorno às relações com as mãezinhas da vida... de todas as formas, aspectos e sob os mais variadso DISFARCES, que vão compor a nossa clínica."

EXEMPLO:

"Uma mulher quando me procura, ou vai comigo falar de análise, ou vai trepar.

TREPAR ---> VERDADEIRAMENTE (rompendo isso que eu denunciei aqui: "é o nivel de relação em que amor estrará mais absolutamente e naturalmente garantido, em função da necessidade e morte, sendo que para fundá-lo e mantê-lo não faz falta de qualquer elemento pertencente ao registro da LEI.).

TREPAR VERDADEIRAMENTE ---> refiro-me ao que Lacan trabalhou na última página do Seminário XI:  "O amor, cujo rebaixamente pareceu aos olhos de alguns que nós havíamos procedido, só se pode colocar nesse mais além, onde primeiro ele renuncia a seu objeto."

"O amor, cujo rebaixamente pareceu aos olhos de alguns que nós havíamos procedido, só se pode colocar nesse mais além, onde primeiro ele renuncia a seu objeto."

"Onde faz a diferença do que eu dizia antes entre o significante, o que é do simbólico e o que é do campo do objeto."

"Também está aí o que nos permite compreender que qualquer abrigo onde pudesse instituir-se uma relação vi´´avel, temperada, de um sexo ao outro, necessita a intervenção, é o que ensina a PSICANÁLISE, desse médium que é a METÁFORA PATERNA".



HELVÍDIO DE CASTRO VELLOSO NETTO

COLÉGIO FREUDIANO DE CURITIBA