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terça-feira, 31 de julho de 2012

MUDAR É POSSÍVEL - DENISE FRANÇA

Curitiba, 31 de julho de 2012.

MUDAR É POSSÍVEL?!OBSERVAÇÃO ACERCA DA EXPLANAÇÃO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE...


Lembro da primeira vez que entrei no consultório do Doutor Velloso, psicanalista. Ele me cumprimentou com um aperto de mão. Disse: fale o que lhe vier a mente. E eu começei a falar: ".....é como se você sentisse....". E ele disse: "Fale na primeira pessoa, por favor.".
Quando ele me pediu para falar na primeira pessoa, percebi e começei a escutar o que dizia.
Todas as sessões com o Doutor Velloso, uma vez por semana, sempre me recebeu assim: "Vamos trabalhar, Denise.".
A princípio ele escutava muito e falava raramente. E a sensação de estar deitada no divã e falar, o silêncio principalmente, são desconfortáveis nos primeiros dias.
Percebemos o quão significativo é o silêncio, e começamos a perceber os "espaços" do silêncio. A diferença entre estes espaços, e a quem se dirige.
A elaboração dos processos mentais, como eles se organizam e se fazem. A nossa estrutura familiar, particular, a nossa função, o lugar que ocupamos e o lugar onde nos colocam, tudo isso passa a ser palpável, dinâmico e concreto numa análise.
A transferência também e outro fenômeno perfeitamente observável, localizável. O enfrentamento dos núcleos cristalizados, sintomas, tudo isso, que nós observamos em teoria, ali, na análise didática, pessoal, é perceptível e concreto.
Como eu sempre escrevi, repassei todos esses fenômenos no papel, transcrevi minha análise pessoal. Foi altamente criativa, e daí surgiram outras elaborações, alguns livros. Todo esse material foi lido pelo Doutor Velloso.
Entendo perfeitamente essa distância entre um sujeito que vive o seu dia a dia, e um sujeito que produz um significado e uma direção. Mesmo porquê, antes da psicanálise, esse sentido já estava bem delineado em minha vida.
Durante toda a análise, o Doutor Velloso fez algumas pontuações relevantes quanto a minha análise.
Que eu era uma pessoa honesta, séria e competente nas coisas que fazia.
Que eu tinha uma "ética" profissional e pessoal fora do comum.
Que eu tinha uma capacidade de sensibilização do outro bem delineada.
Capacidade e criatividade artística.
Manuseio dos conceitos e compreensão deles.
E no momento mais crítico, "crítico", de minha vida e análise, ele disse:
"SUICÍDIO CULTURAL E OU ASSASSINATO CULTURAL....". Em razão do risco de morte que eu estava sofrendo por parte de terceiros, justamente porque tinha me confrontado com a verdade...

E ESTAS PONTUAÇÕES, foram também as pontuações que fiz dele como psicanalista: seriedade, rigor conceitual, solidariedade, renúncia e caridade.
Estas palavras "RENÚNCIA" E "CARIDADE", FORAM PALAVRAS MANUSEADAS PELO DOUTOR VELLOSO. Conceitos elaborados a partir da leitura da OBRA FREUDIANA.  Como ele mesmo dizia: "Caridade Freudiana, disposição do doutor Freud em nos transmitir, seus conceitos e mais do que isso, todo o processo de sua elaboração conceitual....".

Em razão de tudo isso, ao fim de minha análise pessoal, o Doutor Velloso, me deu de presente um de seus "seminários" transcritos, falando sobre a obra de Freud, com uma dedicatória especial, pelo merecimento que eu mesmo gozara e me dedicara:

"DENISE, VOCÊ SE ULTRAPASSOU...".

Depois ele me convidou para ser integrante daquele grupo de psicanalistas. E, também, fazer as ilustrações de seus seminários, livros.
Como ele mesmo disse para mim em vários momentos:
"DENISE, NÓS NÃO PODEMOS PREVER, MENSURAR, O CURSO E A DIREÇÃO DO SUJEITO; por mais que nos sintamos bem alicerçados....".
E estas palavras serviram para entender, ou melhor, assimilar, tentar assimilar, as coisas que se passaram ali, no Colégio Freudiano de Curitiba, Associação Cultural Jacques Lacan, depois que resolvi aceitar o seu convite.

Hoje muitas coisas mudaram na  minha forma de catalizar a dinâmica terapêutica. E, a minha direção depois que saí do Colégio Freudiano, foi calcada em vários aspectos do relacionamento humano, como a seriedade, a empatia, a sensibilização, honestidade, e estilo.
Respeito os bons terapeutas, psis da vida. Mas acho e considero que precisam ir mais além do que isso, em suas próprias vidas, e experiências.
Mudar não é uma tarefa fácil. O Doutor Velloso também sabia disso, mas, repasso aqui, suas próprias palavras: "TEM SALVAÇÃO...".
A amplitude e significado das palavras sempre devem estar calcadas na vida do sujeito dentro e fora do consultório. OU, APESAR DELE.


sábado, 28 de julho de 2012

OBSERVAÇÃO - DENISE FRANÇA

Curitiba, 28 de julho de 2012.

LEITURA DO TEXTO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE, "INDIVIDUALISMO", e  MINHA OBSERVAÇÃO A RESPEITO DESTE TEXTO.



Boa noite Doutor Flavio Gikovate. A noite torna-se mais bela quando escutamos palavras assim.  Tenho 48 anos de idade, e uma experiência de vida bem complexa e ampla. Procuro conhecer todo o tipo de pessoas, e realidades. A arte faz parte da minha vida desde sempre, musica, pintura, teatro, cinema, etc e tal.  Eu escuto muitas pessoas.... Realmente as escuto. Com meus 16 anos de idade, já estudava por vontade própria, psicologia, literatura, filosofia, línguas, e depois a psicanálise me encantou... Imagino que o senhor saiba o verdadeiro significado desta palavra: saber. O saber e o conhecimento são coisas diferentes. E eu entendo perfeitamente o teor da palavra “individualista”, como o senhor a colocou. Na minha juventude eu era tímida, porém, buscava pessoas, convivi com escritores, poetas, músicos, aprendi muito. E também comecei a escrever bem cedo.  O senhor imagine, que nas aulas de química e física, matemática, eu ficava lendo embaixo da carteira, “Os pensadores”... hahahaha. Reprovei 3 vezes em química... Mas por um bom motivo... Nessa idade, tinha muitas dúvidas, angústias, ansiedade que provinham da direção que eu já tinha pra mim, e a direção que outras pessoas queriam dar a minha vida. As vezes isso se tornava simplesmente insuportável.... Mas, caríssimo doutor, em primeiro lugar, a honestidade que sempre busquei em relação a tudo que acreditava, em relação as pessoas, em relação a mim mesma. Não aprendi a mentir. Essa trajetória, me causou a princípio muitas dores, porque eu era realmente uma menina diferente das demais....  As bonecas e o casamento não me interessavam... O amor, sim. O relacionamento humano, sobretudo.
Entrei para a Faculdade de Psicologia, e comecei a estudar. Nenhuma novidade, porque eu já havia estudado tudo aquilo ali. Mas o que me chamava a atenção e me deixava entediada era esta grande distância entre o conhecimento e a vida. E eu observava que os alunos aprendiam e escutavam e aprendiam, mas não traziam isso verdadeiramente para a sua vida pessoal...  Algumas pessoas eram como eu, e dava para sentir essa empatia. Nesta mesma época, comecei o estudo da psicanálise, a princípio por conta própria, depois, tive o acaso de conhecer uma psicanalista que me convidou para fazer análise com um amigo seu: Doutor Helvídio de Castro Velloso Netto. Um dos melhores... E, eu fui passar pela experiência de análise no divã. Longos anos. E, o senhor acredite, nunca faltei uma sessão. O Velloso gostava muito do que eu escrevia, e gostava sobremaneira da minha pessoa. Jamais deixei de avaliar os meus “sintomas”, ou fugir da vida. Fui até o fim, e paguei o preço. Os dois preços, o real, que não é barato, e um outro, mais caro do que tudo. O preço da verdade e da ética e da honestidade. Tal foi o preço, que em um momento da minha vida, corri o risco de morte, de fato. Por implicações de terceiros...
E assim foi.... O senhor, Flávio Gikovate, eu o “conheço” de longa data. Leio seus textos há muito tempo. Não sei porque, a minha intuição fez com que me aproximasse mais através do seu site, e da internet. Em nenhum momento eu faço a leitura dos seus textos como alguém que procura análise, ou terapia, ou coisa do tipo.  A vida felizmente, me deu suporte pra tudo...  Venha o que vier, estou aqui. Não tem outro jeito, a vida é assim. Mas, a leitura que faço do senhor, de tudo o que escreve é uma leitura do sujeito mesmo, aquele que dá significado ao seu trabalho, que leva a sério, leva á sério as pessoas, acredita na transformação, e principalmente, não se deixa ser tragado pelo status, fama, e essas coisas que eu venho observando na conduta de muitos psiquiatras, psicanalista, e psis da vida. Eu acredito na leitura que faço do senhor, e esta leitura é feita com todo o respeito, o que inclusive me deu vontade de escrever a respeito... Mas, eu fiz isso de outra forma.
Escrevi a respeito do que percebo em seu trabalho de uma maneira mais ousada, porém, não sem respeito. Produzi textos, que eu chamo de “A COMPOSIÇÃO DO BEIJO”, imaginando como é a sua vida, e como um homem se relaciona com uma mulher. Essa figura  homem-mulher, para implicar a diferença que faz com que nós produzamos alguma coisa nova na vida.
Os homens na minha vida foram sobremaneira importantíssimos, grandes amizades...  O mesmo não foi possível com as mulheres. Mas tenho amigas verdadeiras também.
Entendo perfeitamente quando o senhor coloca a questão da generosidade e do egoísmo, porque eu me debati muito com isso através da minha experiência de vida, e na observação das pessoas, no relacionamento humano. É assim mesmo. As coisas acontecem assim, na vida.
Existe  mais além disso, outra coisa, mas isso eu vou deixar para depois, farei esta colocação com mais tempo, e maior inspiração.
Continuo lendo o que o senhor escreve, e desejo sucesso, e continue, não se aposente, não. Continue até o fim.
Um grande abraço.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

CURSO DE ARTE DRAMÁTICA - DENISE FRANÇA



COMEÇAMOS,  2012...

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (20) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 27 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA: ROSA CHOQUE.

Dois mundos...  Sem dúvida alguma, a minha realidade era muito diferente daquela em que vivia Gikovate.
Mas, só quem ama pode responder como dois mundos tão diferentes se encontram e se comunicam.
A platéia de Gikovate, seus leitores, eram inúmeros e ecléticos...
Desde sempre, me consideravam uma pessoa exótica, diferente, e desde sempre eu me observara também, com um olhar à distância e me considero uma pessoa diferente, fora dos padrões habituais. Não me sinto estranha a mim mesma, muito pelo contrário, gosto do meu jeito, curto a minha pessoa. Não tenho necessidade de bajulação, nem de grupos ao meu redor, a minha companhia é agradável...
Talvez por isso, o choque de dois mundos, não tenha comprometido o olhar de Gikovate. Ele me olhou com outros olhos desde o início. Sentiu e sorveu a minha presença, o olhar que também o observara.
De lá onde estava, listava meus olhares, minha dinâmica pessoal. Aliás, em alguns casos, a distância serve para salvaguardar a nossa observação, e nos dá senso e sensibilidade para a leitura de signos, sinais, significados.
Essa empatia, e esta permissão as vezes antecede nossa consciência. Mas sempre fui uma pessoa intuitiva e de bom senso. A diferença entre uma presença na platéia e uma presença de fato vem do conhecimento que temos daquela pessoa, mesmo que não a conheçamos intimamente, e vem da nossa postura, saber que também temos importância e conhecimento, sem diminuir ou desvalorizar nossa capacidade.
Jamais me julguei imprescindível, não sinto necessidade de aparentar algo que não sou. Apenas a minha presença revela aquilo que sou e o que sou é aquilo que faço. Independente daquilo que tenho.
Gikovate era sensível para perceber essa diferença. Outros homens ou uma grande parte deles, não consegue estabelecer esta diferença, e muitas coisas são perdidas, sentimentos e pessoas importantes, amizades reais, em razão desta supervalorização do status...






terça-feira, 24 de julho de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (20) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 24 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLAVIO GIKOVATE

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA:  ROSA

A complexidade das diferenças e do universo ao nosso redor, nos atribui a tarefa de investigação, assimilação, entendimento. Não é possível a convivência sem essa capacidade e sem esse suporte.
Cada pessoa é particular, cada pessoa, mesmo se aproximando do grupo onde convive, família, escola, trabalho, ainda assim, é particular.
Só conseguimos absorver e assimilar a diferença, quando saímos do nosso núcleo primário, e conseguimos desmembrar essa identidade que nos recobre. Para isso, necessitamos adquirir flexibilidade, humildade, serenidade.
Precisamos querer isso, porque senão nada acontece...

Percebo que as pessoas sentem dificuldade de elaborar mentalmente os sentimentos, as emoções, os pensamentos... E essa dificuldade faz com que se tornem sugestionáveis, e busquem fora modelos de existência, identidade... O pertencimento a um grupo.
Com certeza, tudo aquilo que dizemos e repassamos aos outros, em algum momento foram coisas escutadas, e repetidas por nós, sem uma visão analítica e crítica. E, essas palavras, ou condutas, depois, se transformaram em nosso próprio costume.

É essencial ao ser-humano sair da sua concha, e procurar assimilar outros modos, e outras realidades, fazer a leitura de seus processos mentais, físicos, espirituais... Significar o seu impulso, motivação, direção.

GIKOVATE estava sentado em sua poltrona, com seus óculos fazia a leitura de alguns parágrafos que iria falar ao público. Com as pernas cruzadas, ele se mantinha sério e pensativo. Eu o observava atentamente. Estávamos só nós dois naquele momento, e eu havia chegado a umas duas horas mais ou menos.
Gostava muito de observá-lo trabalhando... Nesses momentos observava a sua introspecção, o pensamento, a dinâmica que o motivava mais e mais em sua avaliação, e é claro, observava cada detalhe dele enquanto homem. Sua expressão fisionômica, suas mãos finas e suaves, o relógio, a corrente ao pescoço, a camisa, o paletó, o sapato, o conjunto todo, e à medida que observava ele, sentada em uma banqueta diametralmente oposta a sua poltrona, isso me envolvia numa névoa de ternura e cuidado.
Cuidava de vê-lo e de não perturbá-lo, tirar sua concentração... Mas, inequivocamente, ao contrário, quando mais  o meu silêncio se tornara um afago em seus cabelos, ele, telepaticamente, largava os papéis, sorria, levantava-se e vinha em minha direção.
Colocava-se entre as minhas pernas, na banqueta, e me abraçava, e me beijava, e reconstituía o nosso espaço. Eu abria o primeiro e o segundo botão de sua camisa, perfeitamente lisa, e beijava seu cangote, alisava seus pelos do peito, gostava de fazer isso, como uma espécie de calmante, e tranquilizador para ele, antes de começar o seu momento junto ao seu público.
Tudo isso era muito rápido, mas era irremediavelmente mágico. E, por ser assim tão rápido e fugaz, mas abastecia o nosso ânimo sentimental e emocional, nos dava prazer e vontade de ficarmos a sós mais tarde...
Isso era muito bom.



segunda-feira, 23 de julho de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (19) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 23 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (ficção):  TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO DÉCIMA NONA:  VERMELHO


Sou apaixonada pela vida. O que me produz alegria, quando vejo um músico tocar, quando leio uma passagem de uma obra e me emociono, quando brinco de bola, quando estou com meus cachorros sozinha e tranquila, quando ando quilômetros e quilômetros, quando faço exercício, quanto tiro uma foto, e acho linda. Quando escrevo, escrever é uma grande alegria para mim...
Embora eu acorde todos os dias, e faça o mesmo serviço, e retorne as mesmas atividades, nada é a mesma coisa, porque hoje é um OUTRO DIA.
Se eu repetir incansavelmente a cópia de uma melodia, sempre vai ser outra coisa. Os ciclos da vida são assim. E assim eles nos informam, e nos dão uma REFERÊNCIA, nos apontam uma direção.
Todas as pessoas são ESPECIAIS. Toda as pessoas são especiais... Ando pelas ruas, e alguém me cumprimenta, me chama pelo nome: Denise!!!  Isso me causa alegria.
Um dia, andava pelo Jardim Shaffer, bairro nobre aqui em Curitiba, colocando folders da loja de uma amiga, nas caixas de correio. De repente, eu escutei: Oi Denise, quê de a bike??? Olhei, e vi, era um carrinheiro que catava papel ali, me reconheceu... Isso me deixou alegre.

Não pensem que as pessoas que me cumprimentam com entusiasmo são as pessoas da família... Não, não são. As pessoas que me cumprimentam com entusiasmo são essas raras e especiais pessoas, que um dia eu conheci em algum lugar desta cidade, e troquei palavras, ou joguei bola, essas pessoas estiveram presentes na minha vida, e na minha passagem neste ou naquele lugar.

Foram tratadas com RESPEITO. Desta forma eu entendo o respeito: não sou melhor do que ninguém. NÃO ESTOU ACIMA OU ABAIXO DE NINGUÉM.... eu não obedeço a ninguém... e nada me pertence  nesta vida.

Estava numa cancha de areia, na Praça Nossa Senhora Salete, Centro Cívico, dando chutes, fazendo o meu treinamento. Quando então, outro carrinheiro parou, e ficou olhando... Eu disse: quer chutar aqui??? Venha.... O cara era um homem forte, mulato, sorridente ele entrou na cancha... O sujeito disse: CHUTE GOL A GOL???  E eu disse: BELEZA!!!

O cara era bom de bola, e eu quase sucumbi.... Mas o que me encantou nele, o respeito. Ficamos ali mais de uma hora brincando, e ele estava alegre e feliz, e eu também... ISSO ME BASTA. O resto não me importa. Não me importa o que as pessoas pensam de mim, me importa a vida, e o valor da pessoa humana.
E por isso mesmo, sinto tanto carinho pela humildade e pelas pessoas do povo... Não subestimo a vida e a experiência de vida de uma pessoa que vive em uma favela, ou a vida de um sujeito que cursou a Universidade, doutorando... Me desculpem, mas a minha EXPERIÊNCIA DE VIDA é esta, e isto eu aprendi vivendo, e deixando de lado todos os preconceitos e valores furados que não tem validade nenhuma como VERDADE.

Aterrizei  minha cabeça em seu ombro, GIKOVATE e chorei, me deu vontade de chorar... As nossas emoções eram declaradas com autenticidade. Ele segurou meu queixo, me abasteceu com um beijo, secou minhas lágrimas e nos deitamos na cama, escutamos o silêncio, assimilamos a dor, nos confortamos desta tristeza passageira um nos braços do outro.


domingo, 22 de julho de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (18) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 22 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE

INSPIRAÇÃO DÉCIMA OITAVA: AZUL ESCURO

Hoje domingo, no fundo deste céu, as estrelas se tornaram clarividentes... Fazem duas semanas que sinto esta emoção maior, a presença dele em mim.
Tenho a necessidade de ficar quieta, em calmaria, para senti-lo comigo. Fecho meus olhos e reabro novamente, suas mãos estão me tocando suavemente. O único direito que o amor nos dá, é esse pertencimento ao outro, suave e quase febril que chega, mansamente nos invade, e sabemos, sabemos que o o outro está conosco..., habitando esse mesmo espaço.
Infelizmente as pessoas confundem este momento com a sobre estimação da pessoa amada e a necessidade de tê-la sofregamente ao lado.
Eu não sou assim. Sinto a presença dele, abro este espaço na quietude do meu ser, e uma onda de quentura me invade, e isso me permite criar, produzir, agradecer. Sobretudo agradecer.
Gikovate percorria com suas mãos, o bico dos meus seios,  minhas paragens começavam a produzir a essência de mim mesma, o gozo, a vida, a alegria, minha natureza de mulher...
Quando o homem amado me toca, a minha essência se declara, é evocada, e a manifestação de tudo o que sou converge para o meu corpo, e o contorno das emoções, sensações e sentimentos se expandem, e se unem ao espírito, universo. A isso eu chamo INSPIRAÇÃO.
Esta ALQUIMIA que nos proporciona o amor, é ma-ra-vi-lho-sa. Mas são poucas as pessoas que a vivem e se permitem.
Eu distingo tudo isso em mim não como propriedade, mas como fonte, elo, aliança. E tudo isso se quebra quando transformamos em objeto, e esquecemos o espírito desta manifestação. Infelizmente é o que fazem todos os dias.
O amor entre duas pessoas é uma revelação de um novo estado, só isso. E tudo isso. Cabe as pessoas cuidarem deste estado e movimentarem estre processo em benefício do humano, a sensibilidade humana e tudo o que ressurge, parte deste momento.
Um ato de criação, transformação.
O sentimento se verifica em nossa vida no dia a dia, em razão da convivência, em razão da vida, mas isso não nos permite fazer deste sentimento ou daquela pessoa, que acreditamos por um EFEITO qualquer imaginário, propriedade nossa, razão para a nossa vida, responsável por nossos atos.
Muitas e muitas vezes, pessoas deprimidas, ou acusando o outro de ser a causa do sofrimento, pela vida afora e chamando isso de AMOR.
COITADO DO AMOR, O AMOR NÃO É ISSO!!!
Não golpeiem o amor com a falta de coragem para viver, pra transformar, pra enxergar....E sobretudo com esse menosprezo à vida, e subestimando a nossa inteligência....










sábado, 21 de julho de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (17) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 21 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO DÉCIMA SÉTIMA: AMARELO OURO.

Eu não era sedutora, era real. Os acontecimentos ao lado de Gikovate eram vividos,  não mascaravam uma realidade inexistente. Não desejava mostrar a ele  um sonho impossível, nem uma paixão avassaladora, fabricar o inominável... Chegava até ele todas as vezes como pessoa humana, e via um homem ali presente. Sabia se tratar de um homem público, mas eu o enxergava sem essa arrogância. Era o homem que me produzia  as sensações e os sentimentos, a deriva do meu querer e não a sua posição ou status.
Nem mesmo saberia dizer se retornaria um novo momento, porque  eu não programava  ter a presença dele ao meu lado, mas viver a presença dele enquanto fosse possível. 
A minha vida não precisava dele, e vice-versa. Não me sentia enfraquecida e nem sufocada, não sentia o medo de perdê-lo. 
A alegria em recebê-lo todas  as vezes permanecia em mim. Eu abria a porta, e seus olhos fixos aos meus, compreendendo e possibilitando que aquele espaço se tornasse o nosso espaço naquele momento, só isso. Não haviam regras de permanência nem de saída. 
Nosso encontro algumas vezes foi imediato, nem por isso nos sentimos frustrados. 
Nesses encontros ele me recebia, me puxava ao fundo, longe de olhares, de perguntas, e me beijava, abraçava, e eu sentia o significado que me era dado, entregue.  
Gikovate não precisava me explicar sua conduta, nem sua prática diária. Da mesma forma eu não sentia necessidade de prover a distância, com resíduos de fatos.
A natureza do amor vêm do bem-estar que a companhia do outro nos proporciona. O sentimento surge e expande seus horizontes em razão das coisas vividas, diárias, concretas, reais.
A sensação de bem-estar assim como o prazer na expressão do carinho da outra pessoa, acontece em razão desta permissão e franquia de liberdade e respeito.
Não posso viver o amor por um homem, se o meu descobrimento como mulher, se sentir travado, impedido, desmotivado. Porque sei que eu enquanto mulher, para ser, preciso e quero a diferença, através da figura do homem em sua complexidade, pensamento, sentimento, prazer, espírito. As relações de competição, de rivalidade, não tem e nunca tiveram espaço em minha vida, não fazem parte do meu pensamento e das coisas que acredito.
A dimensão da vida,  assim se torna fecunda. Gikovate me proporcionava este espaço de criatividade e produção, porque conversávamos muito.
O ser é uma construção do espírito. Eu penso que a dificuldade das pessoas, e o grande apego ao dinheiro, e tudo o que representa status,  se dá em razão da falta de espaço para a expressão humana, para a criação, para a observação, elaboração de um  pensamento acerca da realidade própria e outras realidades.
Gikovate tinha a noção do ser-humano, de si próprio, de suas capacidades, e sabia que isso era essencial a qualquer possibilidade de transformação social.


sexta-feira, 20 de julho de 2012

AMIGOS - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 20 DE JULHO DE 2012.

HOJE, DIA INTERNACIONAL DA AMIZADE.

Sou AMIGA. Passo a maior parte do tempo sózinha. Principalmente em datas significativas. Estou em muitos lugares, conheço muitas e muitas pessoas.... Considero a amizade, o valor da amizade, importantíssimo para  qualquer pessoa. Embora eu seja uma pessoa acessível, carinhosa, honesta, prestativa, não tenho muitos amigos, tenho alguns amigos de longa data.
Lembro-me agora de um GRANDE AMIGO, GILBERTO, época da Escola Técnica, CEFET, eu fazia Decoração e ele fazia Mecânica.
Como nos conhecemos?  Ele olhou para mim, me achava muito parecida com a JANIS JOPLIN. Outras pessoas achavam isso também. O meu espírito é certamente semelhante ao dela. E começamos a amizade, e frequentávamos o BAR DA DONA ROSELI E SEU ITAMAR, na esquina, em frente ao CEFET. 
Amizade linda e maravilhosa, eu e ele, gostávamos de literatura, filosofia, fazíamos longas caminhadas através da madrugada, conversando sobre a VIDA, sobre o que líamos, sobre o que achávamos, sobre o ser-humano, sobre as nossas vidas, e sempre, SEMPRE, em tudo o que dizíamos, prezávamos a HONESTIDADE.  HONESTIDADE DE SI PARA SI, E HONESTIDADE COM AS DEMAIS PESSOAS.
GILBERTO se vestia com uma túnica da aeronáutica, seu pai era do Exército da Aeronáutica. Gostava e sabia apreciar rock, me ensinou a gostar do rock, como PINK FLOYD, por exemplo.
Nós vínhamos aqui para casa, ficávamos fechados no quarto, escutando música e conversando.... Ou então,  frequentávamos a casa de outros amigos, e ouvíamos música, conversávamos muito mesmo. Era uma amizade muitooo gostosa.
GILBERTO, gostaria de lembrar o sobrenome dele para procurar na internet, mas infelizmente, não me recordo... GILBERTO era excepcionalmente inteligente, e buscava o conhecimento, assim como muitos filósofos, cientistas, ele fazia a leitura de um autor, e analisava pacientemente a obra, nós dois discutíamos, víamos as contradições, a coerência, e era uma grande alegria para ambos, quando conseguíamos captar aquilo que a obra dizia, quando compreendíamos um texto difícil....
A CADA PASSO DESTA AMIZADE, percorríamos a VERDADE, a VIDA, o Amor. GILBERTO se interessava por tudo o que eu dizia, e escrevia. Ele lia atentamente os meus textos, com um cuidado, uma sensibilidade, que me deixava comovida pela atenção real e sincera.
GRANDE AMIGO, VERDADEIRO AMIGO. Esta amizade me provoca muitas SAUDADES....
SAUDADES PORQUE AGORA EU NÃO RECONHEÇO MAIS O MESMO EFEITO, A MESMA QUALIDADE, A MESMA CAUSALIDADE NOS AMIGOS OU NAS PESSOAS QUE CONHEÇO atualmente...
As vezes me pergunto porquê os amigos são assim tão frágeis, tão sugestionáveis.... Porque se preocupam tanto com os bens materiais, e o status, em particular, do que uma conversa  autêntica e sincera....
As pessoas me parecem se distanciar da AMIZADE,  se distanciar por medo da aproximação mais sensivel com alguém. 
A presença de GILBERTO  era uma presença EFETIVA. A minha presença na vida dele, também.

Agradeço a ele, tantas e tantas horas de conversa, de fluidez, de empatia, de carinho, atenção, cuidado, ousadia, amor. AMOR AMIGO, sem medo da vida. 
Sem medo de viver, nós seguimos os dois, andando pelas ruas de CURITIBA. Muitas e muitas madrugadas, jogamos sinuca nos bares, bebemos juntos, enchemos a cara, a única coisa que nós dois não nos permitíamos fazer: MENTIR.
Nós dois, eu e o Gilberto, não sabíamos mentir. A HIPOCRISIA nunca fez parte da nossa vida. 

Eu tive amigos OUSADOS, HONESTOS, FODIDOS, SINCEROS, INTELIGENTES, HUMANOS, SOBRETUDO HUMANOS, sem falso moralismo, sem dinheiro.... 
Como isso é bom.... 
A PRESENÇA DE UM AMIGO, mesmo depois de longo tempo, mesmo depois da distância, nunca nos deixa sozinhos, nem isolados, porque as lembranças ao lado de um verdadeiro amigo, são as melhores, são lembranças de vida. SÃO SITUAÇÕES E FATOS, ACONTECIMENTOS VIVIDOS AO LADO DESTE AMIGO OU DAQUELE AMIGO,  que testemunham a VERACIDADE DA NOSSA VIDA!!!

A MINHA AMIZADE É LEAL, SINCERA, VERDADEIRA....  SIGO ATÉ O FIM, AO LADO DE UM AMIGO. 



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Diana Vishneva, Vladimir Malakhov - Kazimir Colors

The genius Charlie Chaplin (Smile original)


LINDÍSSIMO!!! MEU ESPÍRITO É MAIS OU MENOS ASSIM....

Béjart Ballet Lausanne - Light - du 5 au 13 mai 2012 au Théâtre de Beaul...

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (16) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 13 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE

INSPIRAÇÃO DÉCIMA SEXTA:  LILÁS


Meu bem-amado, no inverno, frio Curitibano, a saudade carecia de quebrantar o orvalho cristalizado... Aquele céu azul, andava pelo parque e alcançava mais viva a lembrança dele. GIKOVATE chegava-me ao coração desta forma, como um habitante de outro país... Ele trazia consigo outras fontes e outras paragens. Atentamente eu observava o sol e o orvalho cristalizado se desfazendo nas plantas.
Todas as vezes que voltava de São Paulo e o deixava, ele sorria e logo seus olhos ficavam úmidos... doloridos.
Nosso amor era um acontecimento presente, fecundo, e ao mesmo tempo, tanto eu quanto ele, alcançávamos este amor em outro tempo, como se assistíssemos a um filme. A distância e o longo tempo de espera causava essa sensação de nostalgia, calma, esperança e alegria.
Andava em meio ao sereno, ao mesmo tempo GIKOVATE folheava livros, anotava em seus rascunhos frases, modos, manifestações humanas, e quando o final da tarde chegava, ele retirava seus óculos, andava até a janela, olhava através e sentia essa mesma nostalgia.
Ao longo daqueles dias, nosso amor tornara-se um chamado, um signo da presença especial de cada um. Como não podíamos tocar um no outro, na tez, na pele, no rosto, na intimidade do nosso prazer, retirávamos essa sensação em pequenas detalhes no dia-a-dia, uma criança sorrindo, uma xícara de chá, um olhar nas horas do relógio antigo, um raio de sol que transpassa a cortina, os pássaros, e principalmente aquele silêncio no meio de todos, o ruído de todos....
Sentíamos o nosso amor assim, entregue, presente.
GIKOVATE observava essa mesma saudade e nostalgia em seu cachorro doméstico, que se acostumara a minha presença, ao meu amor. O cachorro se deitava no tapete, como se esperasse eu chegar, e Gikovate acompanhava com entusiasmo essa solicitude canina.
Essa manifestação gratuita e espontânea da presença do outro através da saudade, deixava-nos atentos ao sentimento, num espaço de calmaria, ânimo, doçura e delicadeza.
Nesta contemplação da saudade, a natureza nos observava, e sentíamos fazendo parte deste retrato, colocados ali simplesmente pela urgência do sentimento, e pela sintonia recíproca.







DESIGN BIJOUTERIAS DARK - DENISE FRANÇA








quinta-feira, 12 de julho de 2012

FORMATURA CURSO DE INFORMÁTICA 2012

MINHA FORMATURA, DO CURSO DE INFORMÁTICA, OS MENINOS ESTAVAM LINDOS, SÓ FALTOU EU, QUE NÃO FUI..... CHUIF CHUIF....
EU NÃO FUI POR DOIS MOTIVOS: PRIMEIRO: NÃO TINHA A QUEM CONVIDAR PARA IR LÁ... E SEGUNDO MOTIVO: NÃO PODIA GASTAR, PORQUE ESTOU PAGANDO O DENTISTA. O PRIMEIRO MOTIVO FOI MAIOR QUE O SEGUNDO.... HAHAHAHA...












A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (15) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 12 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE

INSPIRAÇÃO DÉCIMA QUINTA: VERDE ÁGUA

PARA AMAR É PRECISO AMAR. AMAR O PRINCÍPIO DO AMOR: A CURIOSIDADE. AMAR O FIM DO AMOR, A PARTIDA. Sobretudo, amar os equívocos do amor.

GIKOVATE me recebia, as vezes sem o aviso. E as vezes, eu o encontrava com aquelas olheiras, de noites idas, muito trabalho...
Nesses dias, eu o via adormecer, e gostava de olhar seu cansaço, seu sorriso dolorido, muitas vezes sua tristeza de uma compreensão solitária, não compartilhada.
Nosso amor as vezes se tornava brusco e imediato, como se não quiséssemos perder, ou como se entregássemos aquilo que supostamente jamais daríamos. No meio da noite, durante a madrugada, nos encontrávamos, e era isso que o nosso olhar primeiro dizia.
E era assim que acontecia, abruptamente ele me roubava de mim mesma, e eu o assaltava em seu cansaço, e  ele ultrapassava a resposta que o levava até minha vontade.
Acabávamos abraçados ao mergulho no desconhecido de cada um, e o nosso suor se misturava a esta procura sôfrega...
Tudo era agradável, saudável, gostoso.
Muitas vezes, ele ficava profundamente irritado, com alguns de seus pacientes que tentavam manipular o que anteriormente ele havia compartilhado. Assim também com alguns amigos. Irritado ele se mostrava, e eu sentia isso vivamente no seu dia a dia. Mas o tempo para assimilar e compreender, vinha a contento. Ele amainava, e dava mais uma medida aquela pessoa.
A honestidade e ombridade em seu caráter acarretavam alguns sentimentos desta natureza.
A sua irritação passava mediante outras circunstâncias, quando eu brincava com ele, e não me faltava jamais o senso de humor para isso.
E sobretudo porque ele era curioso na descoberta da pessoa humana.



A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (14) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 02 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO A FLÁVIO GIKOVATE

INSPIRAÇÃO DÉCIMA QUARTA:  PINK

A recíproca é verdadeira. Eu disse a minha amiga: se você está sentindo isso, tenha certeza que ele também.

Descobri além do encoberto, a revelação. Precisávamos revelar as fotografias. Passavam pelo processo da câmara escura, e uma série de coisas.
Este desabrochar do espírito do outro ocupando a tua casa, é a presença, o encontro.
O primeiro encontro entre um homem e uma mulher, quando se descobrem apaixonados... O primeiro beijo,  
o primeiro momento de intimidade. Porque chego tão próxima dele, Gikovate, porque me enterneço com seus brocados?
GIKOVATE me estendeu a mão, estávamos os dois andando no parque, inverno. Subimos até uma altura mais elevada, de onde conseguíamos olhar a cidade. Ele disse: Venha querida, tenho uma surpresa para você.
Eu não morava em São Paulo, morava em Curitiba. A vontade dele fazia com que eu me resignasse à metrópole, e o encontro assim, mediante estas dificuldades, se tornava muito mais intenso.
A tarde chegava, ele me abraçava com ternura, beijava minha testa, sorria, e me contava histórias... pequenas e mágicas histórias ao pé do ouvido. Havia me dado de presente neste dia, um delicado anel.
Fazia muito tempo que não me sentia tão bem ao lado de um homem. Muito tempo mesmo.
Gikovate gostava de andar pela cidade de taxi, ao meu lado. Costumávamos visitar exposições, livraria, e bibliotecas. Algumas bibliotecas particulares. Os parques, também. E alguns lugares que só ele mesmo conseguia encontrar na imensa São Paulo. Lugares mágicos.
Não só a prosperidade do nosso amor vinha desta entrega pessoal entre ambos, mas também, da beleza destes encontros e lugares. Não nos víamos com tanta frequência, nos víamos quando se tornava  urgente a presença de um e outro.
Por isso, a atração e o desejo em relação a ele eram fortes, presentes, consistentes.
Não precisava conter a minha alegria, porque ele amparava minhas palavras e meus sentimentos e agia da mesma forma, com honestidade e segurança. A maturidade dele me enternecia e me envolvia ainda mais.
Nós não programávamos o futuro, porque o nosso envolvimento acontecia a contento todas as vezes que nos encontramos. A presença, a nossa presença era autêntica, e efetiva.
Gikovate as vezes falava bastante, e as vezes ficava numa quietude mansa, olhando meus olhos e escutando minhas palavras. O jeito dele era assim... E o carinho dele era preciso, o toque dele era seguro, profundo.
Uma mulher sabe quando está sendo amada.
Depois de algum tempo juntos, o corpo reconhece o corpo da outra pessoa. O gosto do beijo, a sensação da pele, o cheiro, o jeito de amar. As veredas do prazer, e a necessidade do outro que se faz ao longe, é entendida, querida, produz saudade.



segunda-feira, 2 de julho de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (13) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 01 de julho de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): DEDICADO A FLÁVIO GIKOVATE

INSPIRAÇÃO DÉCIMA TERCEIRA:  AZUL MARINHO

 Havia acabado de trancar a porta por dentro. Quanto me voltei, bem atrás de mim,  Gikovate segurou meus cotovelos,  e me encostou na porta. Se aproximou ainda mais, de forma que o seu torax de encontro a mim, fazia com que eu sentisse a sua pressão. Não era carinho, era vontade de homem.

Deixei ele dar a direção, e me beijou a nuca, os alvéolos da orelha, suas mãos subiam e seguravam meus peitos, e eu ficava assim, inebriada, ele me queria ali. Segurei com as mãos suavemente os seus cabelos, e pedi mais. 

Beijei a sua boca, o nosso beijo era incrível. Demorado, pausado, apaixonado, molhado de signos: abruptamente ele parava e tornava a me olhar nos olhos para entender minha vontade, e tornava a me beijar ainda mais fundo.

Eu abria os botões da camisa dele, para sentir o cheiro do seu corpo, junto aos pelos do tórax, e o coração disparado. Me sentia cada vez mais molhada, e com vontade dele dentro de mim.

Ele reconhecia as minhas demandas femininas, tocava em mim sem medo, tornava aquela corrente de tesão maior e mais intensa.

E parava, olhava em meus olhos, esperando que eu o puxasse de encontro a mim, e assim sucessivamente a gente se descobria, nos bocados de cada parte do corpo.

Ele por cima de mim, e eu fechava os olhos, e sentia.

O que eu sentia?! Abria outro espaço em mim. Era ma-ra-vi-lho-so se entregar a ele. Perfeito. Depois de alguns momentos sentindo-o dentro de mim, o universo se expandia, e ia crescendo, e aquela sensação de que não é mais o corpo, mas a alma dele de encontro a minha. Eu sentia isso perfeitamente, o momento em que a alma dele se encontrava a minha. Era lindo demais....

A sensação contínua de prazer, de gozo, e de alegria. E eu deixava isso se estender por muito tempo, e ele sentia e compreendia isso sem precisar dizer.

Ma-ra-vi-lho-so.  Começávamos com a ânsia do desejo, o ímpeto do tesão, e esse ímpeto nos levava a ter o corpo do outro, e a mistura que se fazia desta penetração, acabava num contínuo de prazer, me desligando da primazia do meu corpo, para sentir o espirito dele, Flávio Gikovate, meu querido...

Eu não pensava em outro homem quando transava com ele. Não tinha essa vontade. Era o corpo dele, o desejo dele, a vontade dele, e o prazer que me causava.

O sexo com um homem como ele, chegava a esse ponto, espírito. O que é se entregar a alguém?! Nossa, muito mais do que a textura da pele, são todos os signos e sensações que se provam, um ao outro, e que se entende e se percebe se o outro está dando, está entregando, está soltando a sua seiva. Do contrário, parece um entrave a pele da outra pessoa, sem inscrição, sem qualidade, sem possibilidade.

O sexo com um homem como ele, era ultrapassar a barreira do corpo, porque ele tinha o espírito de homem, a masculinidade, a efetividade de sua presença naquele momento, dá pra sentir um homem quando busca o corpo da mulher, não uma mulher fragmentada, mas a mulher e o seu coração, pensamento, alinhamento. Direção.

Poucas pessoas nos dão o direito de sentir esse contínuo do aparecimento e presença do outro. Entrega. Os seus lábios finos que sorriam brandamente depois do gozo, e sua ternura que buscava o meu aconchego em seus braços, fechávamos os olhos, e ficávamos em silêncio entendendo que era mais uma vez, e no entanto era outra vez, outra vez, diferente. Recuperando o sentido, o significado, a dimensão sexual, homem e mulher, ali.




FLÁVIO GIKOVATE - ESBOÇO 3





CURITIBA, 01 DE JULHO DE 2012.


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domingo, 1 de julho de 2012

A ÁRVORE DO AMOR - DENISE FRANÇA

Curitiba, 01 de julho de 2012.



ACORDEI HOJE, AS 4HS DA MANHÃ, algo me tirou o sono.... No amanhecer, fui até o quintal, e resolvi transferir a pequena árvore de caqui que estava no quintal, para o lugar da outra árvore que estava velha e apodrecendo. Aos poucos fiz o buraco no chão, e lá plantei a arvorezinha....

Terminei por volta das 10 hs. Ai peguei minha cachorra POLAQUINHA e fui passear, cantando a música do meu querido amigo FREI MAURO VELOSO.  ENCOSTA TUA CABECINHA NO MEU OMBRO E CHORA....

Hoje á tarde, saí pra conversar com meu amigo MARTINS DAGOSTIM, tomamos o cafezinho de sempre, conversamos sobre os Gregos, historia, cultura, antropologia.... Depois voltei para casa, e por volta das 17hs, fui até a IGREJA DOS CAPUCHINHOS, para falar com DONA ROSE, outra amiga de anos e anos.

Ao final da missa, o FREI BENEDITO anunciou a MORTE DO FREI MAURO VELOSO CAPUCHINHO, NESTA MANHÃ, AS 10:30 HS....

EU SORRI MUITO, ri muito.... Não me deu vontade de chorar, porque estávamos, eu e ele, plantando aquela pequena árvore....

Isso é maravilhoso...

Não sinto nenhuma tristeza, só alegria.

FREI MAURO VELOSO, MUITO OBRIGADA POR TUDO. EU TE AMO.

FREI MAURO FOI ENTERRADO EM BOTIATUVINHA, COMO TODOS OS FREIS CAPUCHINHOS....

E A ÁRVORE CONTINUARÁ CRESCENDO EM MEU JARDIM....