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domingo, 15 de dezembro de 2013

MENSAGEM DE NATAL COM DESTINO A UM AMIGO ESPECIAL - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 14 de dezembro de 2013.

ESTIVE NA CECC, COMUNHÃO ESPÍRITA CRISTÃ DE CURITIBA.
LINDA CONFRATERNIZAÇÃO DE NATAL... Á FAMÍLIA FURLAN, UM FELIZ NATAL!!!!

VAI AÍ MINHA MENSAGEM PESSOAL PARA VC, NADIL:

Sem dúvida, em suas palavras a presença da união, da perseverança, da comunhão, da família, do acolhimento, estão presentes.
Não são palavras ditas ao acaso, mas são palavras calcadas na sua experiência de vida, amor e solidariedade de todos vocês....

O AMOR É ISSO: CALCADO NA VIDA, presente em todas as situações, abrindo portas, recebendo pessoas, aproveitando a capacidade e vocação destas pessoas, compartilhando, tornando os sonhos possíveis, fazendo as pessoas acreditarem que é possível construir um mundo melhor.

EU LI TODA A OBRA DE ALLAN KARDEC, e por muitos anos participei de uma comunidade espírita, BEZERRA DE MENEZES.

Ao longo da minha vida, não me furtei em conhecer e saber a respeito de outras doutrinas, além daquela dentro da qual nasci, em minha família, católica. Para mim, e em meu coração, DEUS ESTÁ A TODO TEMPO PRESENTE EM TODOS OS LUGARES...

A manifestação de Deus está aí, agora, e nunca deixará de ser assim. É claro, e isso também é uma direção do espírito, estarmos aonde devemos estar. Independente se esse lugar é uma Igreja, um comunidade Espírita, um sanatório, ou outro lugar qualquer.

SE ESTAMOS AQUI, SEJA ONDE FOR, PRECISAMOS ESTAR PRESENTES.

O natal, é a manifestação DESTA PRESENÇA DE JESUS.

JESUS CONVIVIA COM TODAS AS PESSOAS, não fazia e nem excluía ou limitava a aproximação das pessoas em sua vida. Não existia nenhum tipo de radicalismo naquilo que Jesus dizia. ELE ACEITAVA O SER-HUMANO em sua incongruência, em seu sofrimento, em sua precariedade...

NADIL, que bom revê-lo hoje. EM VOCÊ EU SINTO ESSA MESMA PRESENÇA. VOCÊ ESTÁ PRESENTE EM MINHA VIDA. DESDE O PRIMEIRO MOMENTO. FAZ PARTE DA MINHA FAMÍLIA ESPIRITUAL.

Ao longo da minha vida eu descobri isso: DEVEMOS ENCONTRAR A NOSSA FAMÍLIA ESPIRITUAL AO LONGO DA VIDA. AMIGOS, IRMÃOS, SERES QUE COMPÕE ESSA UNIDADE, ESSA PARTILHA, ESSA DIREÇÃO. Pessoas que efetivamente provam e atestam essa PRESENÇA, em forma de AÇÕES, da atenção, cuidado, paciência, esperança, partilha, compromisso.

ESSA É A OUTRA PALAVRA CHAVE EM MINHA VIDA;  COMPROMISSO.

O MEU COMPROMISSO COM TODAS AS PESSOAS QUE PASSAM EM MINHA VIDA, OU CONVIVEM DIARIAMENTE COMIGO, É UM COMPROMISSO PARA SEMPRE.

O SEMPRE É UM JARDIM QUE EU CUIDO EM MEU CORAÇÃO, ONDE TODOS ESTÃO PRESENTES... MESMO PESSOAS QUE  JÁ SE FORAM, OU PESSOAS que disseram adeus por algum motivo.

DEVEMOS NOS COMPROMETER COM A VIDA, COM OS SENTIMENTOS QUE ATRAVESSAM NOSSO ESPÍRITO. NÃO TEMOS NENHUMA POSSE OU PROPRIEDADE SOBRE AQUILO QUE SENTIMOS OU SOBRE A PESSOA QUE NOS DESPERTA O SENTIMENTO.

MAS DEVEMOS NOS COMPROMETER COM ESTE SENTIMENTO, E DAR-LHE A DIREÇÃO DEVIDA: CONTRIBUIR para a felicidade do outro, para o bem-estar do outro, para a melhora do outro... Não o contrário....

PREPAR O CAMINHO, é esta a meta de todos nós. Abrir portas, incentivar as pessoas naquilo que lhes é possível, em suas vocações, na busca de um objetivo, e principalmente, despertar nelas a POSSIBILIDADE DE SER.

NÃO É O DINHEIRO, E NEM O PODER QUE DÁ OU CONCEDE A UMA PESSOA, UMA AUTORIDADE QUALQUER.

A AUTORIDADE só é possível na medida em que a pessoa consegue revelar o seu ser em seu destino.

MUDAMOS E TRANSFORMAMOS A VIDA, PARA O ESPÍRITO.

A MINHA VIDA CONCRETA, SEM DÚVIDA, É ESPIRITUAL.

EM VC, NADIL, EU PERCEBO MUITAS COISAS SÓLIDAS, MADURAS, com base no sentimento, na GENEROSIDADE, UMA GENEROSIDADE SEM FIM, e na preocupação em atenuar o sofrimento dos outros, e possibilitar as pessoas ao seu redor, uma vida mais digna.

SEI TAMBÉM, SINTO EM MEU CORAÇÃO, QUE VC VIVE ALGUMAS TRISTEZAS.... E SUA SOLIDÃO NÃO É MAIOR DO QUE A MINHA.  MAS isso vc já aceitou dentro de si, do seu coração, como uma purificação, um SACRIFÍCIO.

A vida é assim, NADIL, EXISTEM ACONTECIMENTOS IRREVERSÍVEIS, dos quais não podemos nos safar, temos que aceitar, e ao longo da vida, ASSIMILAR. Entender, não através da limitação da nossa consciência, mas OBSERVAR E OLHAR COM OS OLHOS DO ESPÍRITO, DO CORAÇÃO DE DEUS!!!!


MEU QUERIDO AMIGO, NADIL, QUE BOM OLHAR PRA VC, VER OS SEUS OLHOS CHEIOS DE ALEGRIA E FELICIDADE AO COMPARTILHAR COISAS BOAS COM TANTOS AMIGOS.... PARABÉNS!!!! SEMPRE EM FRENTE, CUSTE O QUE CUSTAR. E NUNCA DEIXE DE HONRAR A SUA HONESTIDADE EM SENTIR E FAZER.... NA PERENIDADE DOS TEMPOS...

BJUS.

 
NADIL FURLAN
(Em frente à janela, de óculos...)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

BLACK FRIDAY - DENISE FRANÇA


Curitiba, 29 de novembro de 2013.




Exatamente assim: estava assistindo televisão ontem, enquanto costurava. E de repente eu vi com os meus próprios olhos que a terra há de comer:



BLACK FRIDAY



E aí eu pensei, é o meu grande dia!, não consigo mais nem enviar emails pelo meu notebook, vou pesquisar e achar um outro e comprar a prestação... Suaves prestações mensais... Ora bolas, metade do preço!!!!

Acordei hoje cedo, sexta-feira, fiz o que sempre faço, limpei a casa toda, a calçada, etc e tal. e chamei por minha mãe:

- A senhora viu ontem na televisão?! Tudo pela metade do preço?!

E ela disse, com seus 79 anos de idade:

- Vi, o quê?!

E eu retruquei:

- Pois é, eu estava pensando, ia guardar dinheiro e comprar um notebook no início do ano, mas, dava pra gente ir até lá, usar o cartão de crédito e aproveitar esse preço barato, e eu pago por mês daí...

Ela disse:

- Tá bom, é dá, vou falar com teu pai.



Ela foi falar com o meu pai. Todos nós começamos a nos arrumar para esse grande dia:



BLACK FRIDAY



E, eu abri o portão do carro, minha mãe e o meu pai, dirigindo, eu atrás.... Ele ficou reclamando o tempo todo, até chegar ao CARREFOUR.

Estacionou o carro, na vaga para IDOSOS.

Ao lado da vaga, numa tabuleta, já como o prenúncio e sinais dos tempos estava escrito:



"NOTEBOOK, R$ 758 REAIS á VISTA, ou em 20 PRESTAÇÕES SEM JUROS!!!!!!"



Eu pensei: "Nossa!!!!!"

Papai Noel Existe! Eu peguei no braço de minha mãe, de 80 anos de idade, e entramos pela porta.... Correndo.... E já ali, estava o NOTEBOOK CCE, nesta valor. Nossa!!!! MInha mãe, chamou a moçinha, e disse:

- A senhora podia atender... Eu queria esse aqui.

- A minha mãe queria aquele ali...

E meu pai:

- É esse mesmo.



A moçinha disse:

- Me acompanhem.... E aí chegamos junto com ela ao SISTEMA.

A moçinha disse;

- O senhor já é cliente aqui?!

Meu pai disse:

- A vida toda...

Minha mãe certificou:

- A vida toda a gente compra aqui.

A moçinha revidou:

- O senhor tem cartão de crédito.

Meu pai disse;

- Sei. Não sei. Acho que sim.... E começou a procurar os documentos... E achou o CARTÃO DO CARREFOUR!



TODOS NÓS JUNTOS DISSEMOS:

- OH!!!! Está aqui o cartão.



A moçinha consultou o SISTEMA E O SISTEMA DISSE:



- CARTÃO DE CRÉDITO DO CARREFOUR VENCIDO!



A moçinha olhou para nós e disse:

- Seu cartão está vencido! Mas não tem problema, o senhor se dirija até o balcão e renova o cartão e depois me chama de novo. Meu nome é........

Então tá. Fomos até o balcão do cartão de crédito e a outra moçinha que estava atendendo olhou os velhinhos e disse:

- O senhor e a senhora podem se sentar ali....

Foi um convite delicado.

Disse ao meu pai:

- Sente, não espera em pé.

Minha mãe orgulhosa já tinha se sentado.

O rapaz que a moçinha estava atendendo, foi embora e a moçinha nos olhou e disse:

- Podem se sentar aqui....

E aí, os dois velhinhos levantaram e se sentaram novamente no outro balcão.



A mocinha pediu o cartão de crédito vencido! Pediu o CPF do meu pai.

A mocinha consultou o SISTEMA.

O SISTEMA DISSE:

SÓ PODE RENOVAR DAQUI A UMA SEMANA!



E aí, diante disso, todos nós nos entreolhamos e ficamos tristes, perdemos a esperança.



A moçinha então teve um ato de coragem: olhou para a minha mãe e perguntou:



- A senhora é aposentada?!

- Minha mãe ficou quieta, ensimesmada. Será que respondia o quê?!

Eu disse:

- Não. Ela trabalhou em casa a vida toda.



A moçinha olhou pra mim e perguntou:

- E a senhora????



Eu fiquei ensimesmada do mesmo jeito. SERÁ QUE RESPONDIA O QUÊ?!



DISSE VERDADEIRAMENTE:

- EU TRABALHO EM CASA!



E moçinha retrucou:

- Trabalha aonde, no quê?!



- Em casa! Todos responderam.



A moçinha finalmente teve a coragem de dizer:

- Então não dá pra fazer o cartão...



E nós nos entreolhamos. Eu disse:

- Está bem. A gente procura outro lugar....

Agradeci.



Saímos, eu, meu pai, e minha mãe......



FOMOS EMBORA....



A SENHORA É APOSENTADA?!



TRABALHO EM CASA!





0 sistema falhou....





O sistema não avalia o caráter de ninguém! O sistema não pode medir o sacrifício de uma pessoa no decorrer da vida.... O sistema exclui pessoas que na verdade pegam no pesado...



Eu não faço parte do SISTEMA!!!!





A senhora trabalha aonde:



- EU TRABALHO NA COMPANHIA DE JESUS! e.... FAÇO TEATRO!



Há quantos anos a senhora trabalha nesta empresa?!



- DESDE SEMPRE!



Qual é o nome do seu patrão?



- DEUS!!!



Qual é o seu salário?



- Nenhum! Eu nunca cobrei pelas coisas que fiz.... Faço DE GRAÇA!!!!



A senhora se aposenta quando?



- NUNCA! Eu trabalho assim toda vida... E depois também...



A senhora tem algum fiador?



- Sim! É claro que sim: SÃO FRANCISCO DE ASSIS. Eu vivo cercada de bichos e da natureza....



A sua mãe é quem mesmo?!



- Minha mãe é a AVOGRADA DE CRISTO!



Então tá. TENHA FÉ QUE TUDO VAI DAR CERTO!



O SISTEMA RESPONDE:



- INFELIZMENTE NÃO VAI SER POSSÍVEL FAZER O CREDIÁRIO EM 20 PRESTAÇÕES MENSAIS, DE UM NOTEBOOK NO VALOR DE R$ 800,00.... SINTO MUITO.



Para quê mesmo a senhora ia usar o NOTEBOOK?!



- PARA COMPARTILHAR MENSAGENS DE AMOR.....





BLACK FRIDAY!!!





segunda-feira, 11 de novembro de 2013

O RARO PRAZER - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 10 DE NOVEMBRO DE 2013.

O prazer, quando tocamos neste assunto, imaginamos uma longa lista de suposições em torno daquilo que nos oferece prazer. Neste mundo, pensamos a sensação do prazer a algo recebido, algo concreto vindo do exterior.
Os órgãos dos sentidos: o olhar, o olfacto, a audição, o paladar, enfim.... As sensações, os sensores e as informações que nos chegam. Recebemos o mundo externo 24hs por dia em contingentes maciços de informação. Assimilamos bem pouco do que recebemos. E clonamos informações de terceiros, sem análise ou crítica a respeito, sem observação, sem assimilação e de-codificação disto tudo.
Na maioria das vezes, o prazer é  imediato, como o sabor de uma torta, a posse de um objecto do desejo. Logo em seguida, nosso aparelho sensorial passa a procurar outra coisa.

Outros prazeres, mais elaborados, podem ser os do espírito: ler um livro, e ter a satisfação de imaginar as situações, os acontecimentos, vivenciar mentalmente aquele universo. Conseguir desenvencilhar problemas de natureza científica, entender e manusear conceitos, nos dá imenso prazer.

Outros prazeres, a meditação, onde tocamos espaços dentro de nós mesmos, inimagináveis. Apreciar a música, escutar, sentir, entender o som, a melodia, a interpretação do artista.  Todos esses meandros da criação, da arte, nos trazem prazer...

Desde o mais superficial ao mais elaborado, quase todas as pessoas entendem e sabem o que é o prazer.

O desprazer é a sensação proveniente da frustração, da privação, da irritação. Por ausência do que provoca o prazer, ou por excesso deste elemento.

Nos submetemos a várias informações que contém duplo sentido, contrariedades, e que nos causam ansiedade ou repugnância, ou angustia. Porque o nosso aparelho sensor não consegue assimilar aquela informação, e nem nós nos posicionarmos quanto aquilo que sentimos.

Existem elementos de uma sutileza tal que, ao passarem despercebidos, nos colocam do outro lado, a entender o bom como estranho, e o ruim como bom. Infelizmente, hoje em dia, essas informações de dúbio sentido conseguem sabotar e passar por esse filtro interior. De forma imediata se organizam e se acumulam em nossas vidas.

Aos poucos passamos a aceitar inadvertidamente uma série de coisas que não nos fazem bem, como próprias, como pessoais.


segunda-feira, 7 de outubro de 2013

O LISO DO SUSSUARÃO - POR DENISE FRANÇA

CURITIBA, 07 DE OUTUBRO DE 2013.

DIADORIM SABIÁ

Ademais, de muito tempo venho, por hoje, ficar, e fico oiteando e lardeando o espírito de uma noite.
Sei, alojo meu olho no entrementes da distância que me cobre, meus pés, meu chão já colocado antes, no apoio da minha vontade.
Parto, o coração sobe disparado pra dizer um finalmente, avivar a minha parte no que estava, pra ir no insuspeito. Fui.

Atravesso. Sem folga e sem tempo. Já de mão dada no destino, variado, ultraje, a ponta da estrela, luz sem luz que foge no infinito.
Diadorim é o nome sobrenome, na maneira que fui em sendo sempre. Assim meu conhecimento, de tudo e de todos no fato da vida.

Esconjuro o covarde, a sombra do medo, esconderijo que não vinga a verdade, parecido o mesmo, na soma dos dias. Esconjuro!

Liso do Sussuarão, nesta parte, no amanhecido de agora.




segunda-feira, 16 de setembro de 2013

ÁGUAS PASSADAS - DENISE FRANÇA

Curitiba, 16 de setembro de 2013.

O tempo passou.

Hoje, acabara de chegar à sala de aula, e dei uma olhada no celular. Inacreditavelmente, vi a mensagem de uma senhora: "Eu sou a esposa do Righetto. Li o que você escreveu sobre ele... e quero agradecer...".

Depois dessa mensagem, percebi que num prazo de dois meses, essa é a segunda mulher que vêm me agradecer numa razão igual: eu fui uma ex-amor do amor-atual delas....

Coisa de certa forma risível. Como conheço bem o ser-humano, sei que a intenção da mensagem leva consigo um outro código que todas nós, mulheres, conhecemos.

Conhecemos. Porém, o que me faz diferente das atuais esposas é justamente isto: não faço de homem nenhum, um escudo. Ex-cudo.

O tempo simplesmente se foi. Passou para todos nós. Cada um aproveitou como lhe foi possível, e só Deus sabe a intenção verdadeira de cada proveito.

O resto, é resto.

Aproveitando essa crônica, e esse acontecimento, novamente, me volto ao Teatro, e ao dramaturgo Nelson Rodrigues: "A vida como ela é".

A vida como ela é! 

Porém, contudo e portanto, segue a minha resposta à mensagem daquela senhora:

"O texto que escrevi falava do Investigador Righetto. Não do seu marido.... Porque eu não a conheço... Mas imagino que ele deve estar bem seguro em suas mãos....".

O problema da maioria das mulheres é esse: "Ele é meu!"

Eu me eximo dessa culpa, e digo: nada é meu. As pessoas passam por mim, não são propriedades minhas... E eu sigo, ao lado delas no tempo devido. E da mesma forma que aparecem em minha vida, podem ir embora, quando isto lhes apetece...


Assim eu sou, assim continuarei sendo....







terça-feira, 20 de agosto de 2013

ROSAS DE PLÁSTICO - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 20 DE AGOSTO DE 2013.

ROSA DE PLÁSTICO, me veio subitamente esta metáfora para esta gente sem expressão, sem ousadia, sem chão: os poderosos. PODEROSOS!

O vaso empoeirado, a casa vazia, as rosas de plástico depositadas ali dentro, sem saber, inexpressivas, solitárias, abundantes em sua falta revelada.

Há uma falta, maior do que todas as faltas, aquela que se revela em seu conteúdo, sem presença de sentido. Justificadamente uma aparência, pois foi colocada ali, a rosa de plástico. Abruptamente num momento isolado da vida, com certidão de uma verdade longínqua que desabou sobre os anos.

Colocada ali, a rosa de plástico, inerte e silenciosa, revela a dolorida queda, em sua impossibilidade o desfecho de uma morta.

Ostentação poderosa, nesta rosa insaciável de toda vaidade, se derrama a cal do sofrimento, e o orgulho da solidão. Sem freios, com a forma primeira e a substância última também quer se comparar à própria morte. Inutilmente.

Inutilmente sem plasticidade. Morta sem morrer.

Sua sede é a secura, o destaque do último grito, permanente e sem ruído algum, o friso da boca aberta para nada. Bobagem, menos que a bobagem, dose única.





segunda-feira, 19 de agosto de 2013

INVESTIGADOR ALEARDO RIGHETTO - POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ

 CURITIBA, 19 DE AGOSTO DE 2013.

HÁ CASOS E CASOS!


Eu, Denise França, namorei o INVESTIGADOR DA POLÍCIA CIVIL, ALEARDO RIGHETTO, mais ou menos 4 anos.

ALEARDO RIGHETTO, em primeiro lugar, é pobre. APAIXONADO PELA POLÍCIA CIVIL desde sempre.

ALEARDO RIGHETTO, coincidentemente, nasceu no mesmo dia que eu, dia 1º de janeiro, 6 anos mais velho...

ALEARDO RIGHETTO é filho de uma mulher que criou seus filhos praticamente sozinha, trabalhou de doméstica muitos anos na casa do Doutor Calixto, coincidentemente, tem um prédio ao lado de minha casa...

ALEARDO RIGHETTO, esteve no EXÉRCITO BRASILEITO, SARGENTO DA INFANTARIA DE PARAQUEDISMO, 9 ANOS, EM MANAUS.... Extremamente rígido  quanto a tudo que diz respeito a normas e regras.

ALEARDO RIGHETTO, nesses 4 anos de namoro, o vi muito poucas vezes, porque a POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ, exige dedicação total.

ALEARDO RIGHETTO, quando o conheci, trabalhava de investigador para o DELEGADO RECALCATTI, NA DELEGACIA DE FURTOS E ROUBOS.... Gostava muito do Recalcatti, e ficou muito infeliz quando foi transferido dali...

ALEARDO RIGHETTO depos, foi para outra Delegacia, trabahar com o Gerson Machado.

ALEARDO RIGHETTO, quando eu o namorava, possuía apenas um carro antigo, sem seguro. Ficou profundamente triste quando foi fazer a entrega de uma cadeira de rodas numa farmácia, e deixou o seu carro estacionado... Quando voltou, roubaram o carro. ALEARDO RIGHETTO  ficou um bom tempo sem carro, e mais uma vez, isso dificultou nosso namoro.... Eu tive que pegar onibus de Piraquara, junto com ele, para podermos namorar....

ALEARDO RIGHETTO mora em Piraquara numa das casas de sua mãe.... que é pensionista. Ele falava muito em sua mãe, e sempre ia até a praia de Matinhos visita-la porque ela gostava de ficar lá, passar uns dias com suas amigas.

ALEARDO RIGHETTO, introvertido, sim. Tem uma vida solitária, poucos amigos.... Seus melhores amigos são os cachorros e cavalos, que cuida, os abandonados...

ÙNICO DEFEITO: Não gosta de CORRUPTOS, NÃO ACEITA CHANTAGEM... E por essa mesma razão, foi preso umas 3 vezes, porque quebrou os dentes de um DELEGADO que falou mal de sua mãe para afetá-lo, o que eu chamo de abuso de autoridade, tentativa de humilhação de um subordinado.... De um juiz, que tinha um filho que usava drogas, e por desacato à autoridade, por não aceitar corrupção....

ALEARDO RIGHETTO, gosta muito de pescar, gosta do mar... E mesmo namorando ele lá na praia, em Matinhos, o vi pouquíssimas vezes, porque ele participava da OPERAÇÃO VERÃO....

ALEARDO RIGHETTO É UM CARA HUMILDE, MAS COMPETENTE NAQUILO QUE FAZ. Investigador apurado, que vai ao local do crime, e em busca do criminoso onde ele estiver....

SE POR VENTURA, encontraram alguma arma com ele, provavelmente por outras razões.... Ele prefere bem mais uma LUTA DE MÃOS LIMPAS, sem nenhum tipo de armas, porque daí ele pode medir bem a capacidade e CORAGEM de seu oponente...

O DELEGADO GERSON MACHADO, EU NÃO O CONHEÇO, mas dizem que ele é um casca-grossa, porém, não é CORRUPTO.

Existem muito mais informações a respeito de ALEARDO RIGHETTO, de alguém que o conheceu durante 4 anos.... CORRUPTO, ELE NÃO É....

MAIS INFORMAÇÕES:

Aleardo Righetto amava com paixão o Exército Brasileiro, a Infantaria de Paraquedismo, tem os dedos dos pés atrofiados, em razão do coturno que usava no exército.... Deixou o Exército Brasileiro porque teve que vir para o Sul do Brasil em ocasião da doença do seu irmão. O seu irmão morreu.... E ele então, optou por seguir na POLÍCIA CIVIL... Se apaixonou pela carreira....

Aleardo Righetto, além de policial, é também detetive, FAZ PARTE DO INTERNACIONAL BOUREAU, para encontrar crianças perdidas....

Ele é um sujeito que possui profundo sentimento, mas guarda consigo mesmo, e sofre as INJUSTIÇAS CALADO!

EM RAZÃO de tudo aquilo que tem feito na Polícia Civil do Paraná, de bom, obviamente surgem pessoas que não gostam dele, e o perseguem. Ele é perseguido sim, por pessoas de dentro da Polícia e pessoas de fora, bandidos de quadrilhas.... Muitas e muitas vezes me disse que  não gostava que eu me aproximasse dele, sem avisar, porque tinha receio que me acontecesse alguma coisa, por ser namorada dele....

Bem, eu também não tenho medo dessas coisas, chantagem, perseguição, etc.... mas entendi o ponto de vista dele...

ALEARDO RIGHETTO, uma vez foi convidado para uma festa, um JANTAR DA POLÍCIA CIVIL, até hoje ele não sabe se convidaram por sacanagem ou realmente foi convidado. Aleardo RIGHETTO foi neste jantar, mas como não tinha ROUPA SOCIAL, porque é um cara simples, comprou uma camisa, e a camisa estava com um furo, ou coisa assim, para usar a camisa, foi preciso fazer um remendo.... E foi até o JANTAR, USANDO ESTA CAMISA.... Todo mundo ficou de olho nele durante o jantar por causa da camisa remendada.....

Esse tipo de coisa eu pessoalmente também faço, principalmente quando se trata de figurões, e gente que se acha muito "poderosa"..... É uma forma de satirizar a ELEGÂNCIA DAS AUTORIDADES....

ALEARDO RIGHETTO uma certa vez, deixou de aparecer, e eu fiquei muito brava.... Quando apareceu, explicou o motivo da ausência: ESTAVA EM MATINHOS, concertando a casa, quando então o cara que estava em cima do telhado, escorregou e caiu em cima dele, no ombro.... Ele passou a noite toda com uma dor infernal, e depois foi até o pronto socorro, mas daí, acabou que foi até uma farmárcia, comprou ARNICA, e foi esse o remédio que o curou....

ALEARDO RIGHETTO, CONVIVEU, MINHA GENTE, COM ÍNDIOS, NA SELVA AMAZÔNICA, ISSO ANOS E ANOS A FIO.... Uma pessoa que convive com índios, puros, selvagens, jamais SE TORNARÁ UM CORRUPTO!!!!  Aleardo RIGHETTO, tem em suas veias o mesmo sangue dos índios, e ele conhece forma e lugares, e tem O SEXTO SENTIDO, proveniente de sua capacidade de SOBREVIVÊNCIA, e tudo aquilo que adquiriu esse tempo todo vivendo na AMAZÔNIA, com a natureza e os índios....

INFELIZMENTE, ISSO TUDO SEMPRE FOI RECHAÇADO, e geralmente rechaçam o melhor da pessoa, o que deveria fundamentalmente ser aproveitado no exercício da profissão, principalmente de políciais e a inteligência da polícia....

ALEARDO RIGHETTO ADORA A LEITURA, e estudou por conta próprias.... Costumava ir até o INSTITUTO MÉDICO LEGAL, participar de autópsias, para saber o que acontece com o trajeto de uma bala no organismo humano, e conhecer outras coisas.... Estudou muito em livros e é um sujeito ESPIRITUALISTA....

ALEARDO RIGHETTO É CAPAZ DE VIVER ISOLADO POR ANOS A FIO, SE PRECISAR, porque adquiriu essa capacidade de SUPORTAR A DOR E A SOLIDÃO.

O MESMO POSSO DIZER DE MIM MESMA, e isso não é só sobrevivência, mas treinamento, dia após dia.....

ALEARDO RIGHETTO, CONSEGUIU conter sozinho uma REBELIÃO que se iniciava numa DELEGACIA.... Quando a rebelião começou, o DELEGADO CAIU FORA.... Ele ficou praticamente sozinho.... Telefonou para o CORPO DE BOMBEIROS, e pediu que trouxessem um caminhão com aquelas mangueiras.....  O que ele fez, se estava sozinho diante de uma possível rebelião em cadeia????  Aproximou o caminhão, puxou a mangueira, e colocou numa pressão suficiente em direção as grades e aos presos que estavam tentando se revoltar.....  Os presos receberam o jato de água e se acalmaram.... e A REBELIÃO FOI CONTIDA EM RAZÃO DESSA ESTRATÉGIA MILITAR.....

OBVIAMENTE, NENHUM MEIO DE INFORMAÇÃO NOTICIOU ISTO!!!!!  Nem sequer o Delegado deve ter agradecido a ele.....

ENTÃO, MINHA GENTE, AÍ ESTÃO MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O INVESTIGADOR DA POLÍCIA CIVIL, ALEARDO RIGHETTO, e eu assino embaixo tudo aquilo que escutei de súa própria boca..... é verdade, e tenho dito.....

MAIS INFORMAÇÕES AINDA SOBRE ELE:

O Investigador da Polícia Civil, Aleardo Righetto, tem o DIPLOMA DE DIREITO.  Desde que eu o conheci, ele me falava de suas ex-namoradas que, quando ele dizia que tinha feito DIREITO, elas diziam: "POR QUE VOCÊ NÃO É DELEGADO???!" 

E ELE DIZIA: "NÃO QUERO SER DELEGADO, QUERO SER INVESTIGADOR!"  E ponto final.

Então, neste caso especial, o fato de não querer ser Delegado, já diz muita coisa. Não tem necessidade de status, nem do salário que um Delegado ganharia.... Gosta de trabalhar como investigador porque é esta a paixão dele....

E ele leva consigo geralmente a medalhinha de SÃO JORGE, para proteção....


INVESTIGADOR ALEARDO RIGHETTO



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A IMPORTÂNCIA DO DINHEIRO - DENISE FRANÇA



A IMPORTÂNCIA DO DINHEIRO: MINHA RELAÇÃO COM O DINHEIRO
Procuro em minha vida, as  primeiras lembranças que fazem alusão ao dinheiro.  Moedas, as moedinhas que eu ganhava e guardava em latinhas. Meu avô, italiano, nos finais de semana dava a seus netos, alguma quantia em dinheiro, moedinhas... Esperávamos por isso, imaginando o que faríamos com aquela quantia.
Minha família era pobre, casa de madeira, construída por meu avô. Aprendemos a construir nossos brinquedos com madeira, pregos, latas, enfim.... O Avô ajudava e alimentava nossa criatividade. Tínhamos direito a um presente por ano, no Natal. E ansiosamente esperávamos o ano todo por ele. Assim também, lembro, um par de alpargatas para durarem o ano todo...
No Domingo, íamos com meu avô assistir a missa, na Igreja dos Capuchinhos, e ao final da missa, meu avô comprava pipocas para a nossa delícia...
A merenda escolar era um suco, pão com manteiga, ou pão com goiabada. Não recebíamos dinheiro para comprar o lanche. Nos primeiros anos da minha vida, não lembro de nada além disso em relação ao uso do dinheiro.
Sim, lembro: Quando a “santinha” chegava lá em casa, algumas vezes minha mãe abriu a santinha e retirou algum dinheiro para comprar pão. Eu não considerava que aquele ato fosse um “roubo”, mas uma necessidade. E, algumas vezes, minha mãe me levava junto até a casa de um Vereador, quanto tinha que pedir dinheiro emprestado. A mulher do vereador não tinha filhos, não podia ter filhos. E todas essas vezes, eu achava que ia ser deixada lá, em troca de dinheiro...
Lembro das minhas vontades e desejos. Quanto íamos ao supermercado com minha mãe, as vezes ela comprava um chocolate, que era dividido entre eu e meu irmão.  Lembro a primeira vez que conheci o “chicletes”. Lembro do Ki-suco. Lembro da gasosa de groselha.
Sabia e via que a vida lá em casa não era fácil. Dificuldades financeiras, brigas. Lembro nitidamente que às vezes a mensalidade do colégio atrasava, eu estudava em colégio de freiras. Lembro que isso despertara em mim dúvidas entre aquilo que as freiras falavam da vida de Jesus Cristo e o problema no atraso do pagamento: as freiras não “perdoavam”. E eu era excluída porque tinha cabelos curtos, usava calças, me parecia com um menino, e acabava nos últimos lugares...
Aos poucos fui relacionando esses fatos com a falta de dinheiro em casa. As brigas também. Minha mãe e meu pai brigavam muito, por causa de dinheiro... O dinheiro era o motivo. Mas essa relação sempre me parecei equívoca. Havia outra coisa.
Mas a minha vida de criança não era alterada, em razão daquilo que eu vivia, e gostava. A presença do meu avô me fazia assimilar outras coisas... Construção, pintura, o porão cheio de coisas interessantes. Eu via meu avô fazer o seu trabalho, entendia, aprendia a lidar com as ferramentas. A presença do meu avô me proporcionava reconhecer outra coisa.
No colégio de freiras, eu era a primeira da turma, ou uma das melhores, gostava de estudar, não tinha dificuldade, ensinava meu irmão, quatro anos mais velho que eu. Minha mãe dizia que ele era “atrasado”, bôbo... E eu tinha a responsabilidade de ensiná-lo, ajudá-lo.
Nesses primeiros anos da minha vida, até os 10 anos de idade, o dinheiro não teve representação em minha vida além disso.
Aos 11 anos, fui para outro colégio de freiras. Entrando na adolescência, eu começava a ter dificuldades e perceber que minhas amigas usavam roupas que eu não podia usar. A conversa entre as meninas, falavam dos meninos, paqueras, e festinhas em casa, as roupas, a moda. Eu me angustiava com isso, porque não tinha jeito de vestir roupas melhores, e nem tinha jeito de participar das festinhas, por causa do meu pai, e da minha mãe: eles não deixavam. Então, eu não sabia o que dizer, quando surgiam conversas sobre esses assuntos nos grupos de amizade.
Normalmente eu tinha uma amiga de verdade, com a qual conversava e contava meus problemas, partilhava segredos. Engraçado, mas nessa idade, fui percebendo que os meninos me olhavam e gostavam de mim, por outras razões: não era por causa da roupa que usava. Gostavam de mim pela conversa, pela amizade, pela inteligência e criatividade. Isso superava a falta de recursos para comprar e se vestir de forma mais “bonita”.
A angústia só vinha quando as outras meninas me consideravam “fora do grupo”, pelas razões anteriores. A angústia não partia de mim, mas destes comentários.
A minha relação com os meninos sempre foi satisfatória, apesar desta impossibilidade.
Aos 14 anos de idade, fui estudar na Escola Técnica Federal do Paraná. Passei na prova, e entrei nesta escola. Tudo ali era um universo cheio de possibilidades.... Adorei o curso que fazia, porque gostava de desenhar... As pessoas ali eram da mesma “classe” que eu, a maioria era pobre. Todos tinham dificuldades em casa... E o universo estudantil naquele lugar girava em torno do conhecimento. Um conhecimento promissor e novo... As amizades, fortes amizades, e a possibilidade de interagir com os professores em tudo.
Comecei a estudar, sem dificuldades em aprender. O primeiro problema que tive, foi em “redação”, eu não conseguia expressar meus pensamentos, e minhas redações sempre eram carregadas de erros... Mas inexplicavelmente, conheci um professor que era escritor... E foi através da presença dele, que comecei minhas leituras.... e inexplicavelmente comecei a elaborar meus pensamentos, a entender a realidade, a lidar com conceitos, bem antes de muitas pessoas....
Tive um grande amigo nessa época, o Gilberto. Longas conversas, caminhadas, tudo em torno do conhecimento, leitura, estudo, sonhos....
O dinheiro nessa época  tinha outra significação, dependeria da profissão a ser escolhida. Em minha casa, do meu pai e minha mãe eu só ouvia: “isso não dá dinheiro!”  Eu não pensava em dinheiro, pensava no conhecimento, no saber. E fazia todos os cursos que gostava, desenho artístico no Atelier do Museu Alfredo Anderson. No esporte, comecei a jogar vôlei na escolinha, para entrar na seleção. Entrei como levantadora.
A minha timidez, e ansiedade, eram em razão da autoridade do meu pai e mãe, que me proibiam de viver com meus amigos e de namorar. No entanto, as minhas amizades eram poucas mas infinitamente verdadeiras e sensíveis. E o meu amor era sublime e reescrito através de histórias...
Tentava driblar este problema do dinheiro, que não era problema para mim, mas era um imperativo no núcleo familiar. Mas não me convencia. As razões para escolher isso ou aquilo em função do dinheiro jamais me persuadiram. Dentro de mim existia uma outra razão para a vida...
E fui adiante, mesmo contra os preceitos da família. Sempre lendo, estudando, procurando cursos para aprender gratuitamente.
Desde a infância até o final da adolescência, o dinheiro não teve nenhum valor substancial na minha vida. O conhecimento, a criatividade faziam parte da base daquilo que eu procurava.
Quando saí da Escola Técnica, um pouco depois, por volta do ano 1982, tinha amigas que eram de família “rica”, e eu observava os recursos da família delas, mas isso não me impressionava, e a amizade com essas pessoas era real, e não havia outro tipo de interesse.
Uma dessas amigas, havia descoberto a “terapia”, pois havíamos aprendido as bases da “psicologia” em uma das matérias do curso. Essa amiga propôs a mim que fizesse terapia, para me conhecer melhor. Ela fazia. Eu comecei a fazer terapia com aquele professor da Escola Técnica que dava aula de Psicologia. Coisas extraordinárias aconteceram, porque de terapeuta ele tinha muito pouca coisa, tinha mais de neurótico.... Acredito que eu o ajudei mais do que ele a mim.... Ficamos amigos.
E nesse momento, comecei a estudar Psicologia por conta própria....  Meu pai queria que eu fizesse Faculdade. Ele dizia: pra ser alguma coisa na vida, tem que fazer Faculdade. Casar, só depois de se formar... Outro imperativo!
E entrei para a Faculdade de Psicologia. Mas, não tive boas impressões do lugar e da dinâmica de estudo. Eu amava a escola técnica, e, quando entrei na Faculdade, vi que a estrutura era outra, e deixava a desejar. Fiquei frustrada, e o conhecimento que tinha de Psicologia, também fez com que o curso fosse indiferente...
A novidade aconteceu, quando comprei um livro, e comecei a estudar PSICANÁLISE. Na leitura fui surpreendendo um outro universo que me agradava muito. E, coincidentemente, nesse momento da minha vida, segundo ano do curso de psicologia,  estava lendo esse livro na sala de aula, quando então uma outra aluna sentou-se ao meu lado e pediu para dar uma olhada no livro. Chamava-se Deyse Malucelli. Ela olhou o livro, folheou, leu alguma coisa e me perguntou: Você não gostaria de fazer Psicanálise??? Daí eu conversei com ela, e ela me disse que eu teria que fazer uma análise pessoal, e para isso, me indicou seu amigo: Doutor Velloso.
Fui. E comecei minha análise pessoal no Colégio Freudiano de Curitiba. Lembro-me do primeiro dia de análise. Fiz uma comparação entre aquele terapeuta que eu conhecera, e a figura do Velloso. Ele era quieto, não havia nenhum tipo de euforia, senão seriedade, sobriedade, e escuta.
A presença do Velloso repercutia em mim dessa forma: ESCUTA. E, quando comecei a falar, e observava o silêncio dele, comecei a escutar minhas próprias palavras... Assim comecei a compreender a práxis psicanalítica.
As repercussões da minha análise foram de encontro ao universo familiar e suas contrariedades. De que forma eu poderia encarar o meu pai, em seu autoritarismo, seu imperativo... Como responder a isso...
Durante toda a minha análise, da mesma forma, foram observados meus problemas, questões humanas, essenciais, mas a questão do dinheiro nunca tomou um lugar prioritário.
Nessa época, da Faculdade, eu não trabalhava, e o meu jeito para resolver esse problema de serviço para ganhar dinheiro, foi a ideia de datilografar textos, ler e interpretar textos, ajudar em nono grafias. Assim, foram os primeiros trabalhos que fiz e recebi dinheiro como pagamento.
O Velloso observou em mim o que eu sempre dizia em relação ao dinheiro: “Eu não sei cobrar!”  Não, eu não consigo “cobrar”, e muitas vezes, não cobro mesmo...
O meu trabalho, eu chamava de “serviço”, talvez porque a figura do meu avô me ensinou isso em relação ao trabalho, uma coisa por outra. Eu faço um serviço pra você, e você me retorna de outra maneira...
E assim foi. A minha relação com o dinheiro partiu desse princípio.
Com 20 anos de idade, eu comecei a namorar um homem, com 16 anos a mais que eu, de família árabe. Na verdade, meu primeiro namorado, antes disso, não tinha convivido por muito tempo com homens..., numa relação séria.
Aliás, não imaginava que esse homem quisesse um relacionamento sério comigo. Começamos a namorar e logo em seguida, ele quis conhecer minha família. Outra coisa que também me surpreendeu...
E foram longos anos de namoro.
Muitas coisas mudaram em minha vida em razão deste relacionamento. Percebi que minha família queria que eu casasse com ele, por interesse. Eu gostava mesmo dele. Não me apaixonei à primeira vista,  demorou um pouco para isso. Fui conhecendo ele e fomos ficando cada vez mais próximos e envolvidos afetivamente. Gostei muitíssimo da família dele, porque me receberam com muito carinho, a família dele era uma família diferente da minha, afetiva.
Eu estudava e namorava. Minha vida era assim. Em análise, levava todos esses conteúdos, familiar, sentimental...
Existiam duas dificuldades essenciais na minha vida: o autoritarismo do meu pai, e a ágora-fobia que eu desenvolvi ao longo dos anos da adolescência, por razão do medo e das brigas em casa, quando eu saía para estar com meus amigos, e voltava para casa. Eram brigas com gritos, e muitas palavras de chantagem emocional, etc e tal. Eu não podia responder ao meu pai, era proibida de fazer muitas coisas sem razão justa, e ele determinava a minha sorte.
Um dos motivos para eu fazer a análise também foi esse, a agora fobia. E por esse mesmo motivo, no quarto ano da faculdade”, fiquei impossibilitada de fazer os estágios em razão deste problema.
Eu havia estudado psicologia muitos anos, vários autores e quando me deparei com essa dificuldade em minha vida, realmente me senti incapaz de solucionar.
Foram longos anos de análise.
O Ehden Abib, meu namorado, foi enriquecendo ao longo dos anos. Quando o conheci, ele me contou uma história a propósito da falência de sua empresa na Arábia Saudita, Bahrain. Era uma empresa de construção de Estradas. Era uma empresa familiar, e os irmãos eram seu ascensoristas.  Nunca tive acesso à vida profissional do Ehden. Não me interessava por isso. Nunca cheguei sequer a  ligar para o seu trabalho.
Em primeiro lugar fui honesta com ele, não tinha razões para mentiras na minha vida, ou para esconder sentimentos e pensamentos. A HONESTIDADE existiu desde sempre em minha vida na relação com as pessoas.
E assim foi. Em dado momento do curso de Psicologia, Psicanálise, e análise, eu me coloquei essa questão: por que eu precisava de Diploma?! Eu não achava necessário fazer a Faculdade, e nem ter Diploma. Essas questões eram essenciais para o meu pai, e não para mim.
Parei a Faculdade e continuei a Psicanálise.
Nessa época eu já escrevia bastante,  tinha um sonho, de editar um livro. Esta era uma coisa que eu queria muito fazer. 
Infelizmente, tudo aquilo que dizia respeito as coisas que eu gostava, a nível de conhecimento, não tinham repercussão na vida do Ehden, porque a prioridade dele era o “dinheiro” e a “política”. Jamais imaginava que isso pudesse ser assim tão imprescindível à vida dele.
Ele dizia coisas assim para mim: “Você vai ser a mulher mais rica...”, “Não precisamos nos casar, já estamos juntos...”. Ele dizia essas coisas com convicção. Nunca duvidei. Mas eu não tinha interesse em dinheiro, e muito menos “posição social”.
Eu levava para análise esses acontecimentos.
Minha vida sexual com o Ehden Abib era excelente. Quando descobri a sexualidade junto a ele, o nosso relacionamento ficou ainda mais próximo e firme. Não havia dúvidas que seguiríamos juntos.
Porém, meu pai todos os anos exigia de mim que me casasse com ele. E, por sua vez, o Ehden não queria se casar comigo, por uma razão inexplicável. Ele simplesmente não conseguia... E dizia: “Nós já estamos juntos....”.
Por mim, o relacionamento tal qual existia, já era concreto. Mas eu tinha que repassar sempre essa mensagem do meu pai a ele, porque existia essa “pressão” da família que me oprimia a cada dia.
Por fim, eu entendi o seguinte: “Meu pai na verdade, não queria mesmo que eu casasse, porque não queria abrir mãe de sua filha a ninguém... E por isso mesmo, me mantinha naquele regime de opressão, e proibição.” O Ehden por sua vez, gostava de mim, mas tinha uma espécie de fobia ao casamento.... Eu sentia que ele gostava muito de mim, mas a única contrariedade entre nós, era a importância do dinheiro na vida dele, e aquilo que era prioridade pra mim, o conhecimento, a criatividade...
A família do Ehden também gostava de mim, no entanto, o Ehden tinha um lugar específico na família dele, resolvia todos os problemas, morava na casa da mãe, e cuidava da filha de seu irmão... Essa estrutura me revelou o seguinte: que a família dele não queria abrir mão do filho....
Essas coisas não precisam ser ditas..., declaradas, a gente sente, percebe.   Ao longo dos anos, o lugar aonde nos colocam, o lugar que ocupamos, e representamos...
E aí, o laço se rompeu. Não vou contar aqui as coisas que aconteceram....
E o dinheiro?! Pois é, foi nesse rompimento com o Ehden, depois de um ano em depressão profunda, e mais o tormento do autoritarismo do meu pai, que me fez compreender as relações de dependência e a função do dinheiro.
 FOI NESSE ROMPIMENTO COM O EHDEN, DEPOIS DE UM ANO EM DEPRESSÃO PROFUNDA, E MAIS O TORMENTO DO AUTORITARISMO DO MEU PAI, QUE ME FEZ COMPREENDER AS RELAÇÃOES DE DEPENDÊNCIA E A FUNÇÃO DO DINHEIRO.
A agora fobia se desfez da seguinte maneira:
Meu pai me levava de carro para as consultas com o Velloso. E eu não aguentava mais ouvir aquilo que ele dizia até chegar ao consultório do Velloso. Ele fazia toda uma série de chantagens,  cobranças,  comentários, que me eram INSUPORTÁVEIS. EU NÃO AGUENTAVA MAIS...
Então, num belo dia de consulta, eu disse: “Pode deixar que eu vou sozinha....”. Eu tinha decidido isto. Eu pensei: Vou cair na rua, desmaiar, se isso acontecer, alguém me levanta... E, na hora de abrir o portão e sair, meu pai veio correndo e disse: “Não, espere, deixa que eu te levo...” . E eu observei de forma bem transparente porquê ele queria me levar ao Velloso.
Eu disse: “Não!” E saí. Eu senti uma força imensurável. Uma força que me puxava para o meu pai, como se fosse uma corda elástica que me prendesse e não me deixasse andar em frente, livre. Eu percebi isso tão nitidamente, o elo espiritual que me mantinha prisioneira às vontades do meu pai...
E fui, fui me arrastando até o consultório, passo a passo, com uma angústia quase insuportável...
Quando cheguei lá, o Velloso ficou surpreso! E eu contei o que havia acontecido. E paulatinamente, dia após dia, eu fui perdendo o medo, até que esse medo, simplesmente se desfez.
Em segundo lugar: eu recebia uma quantia em DINHEIRO, que era dada a mim todo mês.
Essa quantia em dinheiro era pouca, nada além de 150 reais atualizados... O irmão do Ehden  pediu que fizesse a carteira de trabalho, porque ele era Diretor da Assembléia Legislativa do Paraná, e resolveu me “ajudar”, eu era uma empregada fantasma...
Quando rompi com o Ehden, fui até a Assembléia Legislativa do Paraná,  fechei a minha conta no Banco.
Em terceiro lugar: outro elo que eu desfiz: peguei este dinheiro, fui até a Igreja dos Capuchinhos,  coloquei o dinheiro na mesa do Frei Bonifácio, e disse: estou fazendo VOTO DE POBREZA! Pegue esse dinheiro e dê aos pobres.
Em quarto lugar: não tinha mais dinheiro para comprar cigarro. Eu era fumante. Deixei de fumar.
Não podia mais pagar o Plano de Saúde. Resolvi fazer exercícios regularmente para manter minha saúde. Caminhar, longas caminhadas, etc.
Em quinto lugar: comecei a APRENDER COMO SOBREVIVER SEM DINHEIRO!
Fazia todas as atividades possíveis sozinha. Atividades dentro de casa, e atividades fora de casa. Comecei a fazer artesanato, para vender...
ENFIM, ACHO QUE NÃO PRECISO DIZER MAIS SOBRE AS MINHAS RELAÇÕES COM O  DINHEIRO.... ACHO QUE FICOU BEM CLARO PARA TODOS, O QUE O DINHEIRO REPRESENTOU PARA MIM.
A MINHA EXPERIÊNCIA EM RELAÇÃO AO DINHEIRO É ESSA.
EU ME COLOQUEI À PROVA. E REAFIRMO AQUI ESTA TESE: O DINHEIRO CAUSA RELAÇÕES  DE  DEPENDÊNCIAS POSSÍVEIS E IMPOSSÍVEIS ENTRE AS PESSOAS.  SEJAM ELAS EMOCIONAIS, MATERIAIS, ETC. O INVERSO NÃO É VERDADEIRO: O DINHEIRO NÃO PROMOVE A INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL DE NINGUÉM, MUITO PELO CONTRÁRIO. 
A MINHA EXPERIÊNCIA É PARTICULAR. FOI EXATAMENTE O QUE EU VIVI: SÃO FATOS!


sexta-feira, 26 de julho de 2013

TRISTEZA OU DEPRESSÃO? - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 23 DE JULHO DE 2013.

TRISTEZA OU DEPRESSÃO?


COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

Gosto muito daquilo que o Doutor Flavio Gikovate escreve. Por quê?! Digo: pelas mesmas considerações que ele colocou neste texto: “Tristeza ou Depressão?” Assim como ele, não sou uma pessoa dogmática e não gosto de pessoas radicais. Eu sempre digo: não sou PSICÓLOGA! Digo isto também para que não me acusem de não ter terminado a FACULDADE DE PSICOLOGIA, e estar falando a respeito dos psis.

Eu sou AUTODIDATA. A minha vontade de SABER, EXISTE DESDE QUE ME CONHEÇO. E eu sempre busquei REFERÊNCIAS, E BOAS REFERÊNCIAS, em todos os setores: literatura, filosofia, psicologia, antropologia, etc e tal. Li e reli vários livros. Uma leitura do mesmo nunca foi o suficiente. Entrei para a Faculdade de Psicologia aos 23 anos de idade, e nada ali me pareceu novidade, porque eu já havia estudado grande parte daqueles conteúdos. Ora, algumas pessoas perguntam, mas então, já que você estudava Psicologia, por que não terminou a faculdade????

Nossa, é incrível o quanto algumas pessoas “radicais” tentam, inexplicavelmente, nos colocar na berlinda com esse tipo de pergunta. Eu nunca tive necessidade de me representar através de um DIPLOMA ou, de um MESTRE. Nunca precisei de alguém para comprovar o que sei e o que não sei. Quando estava fazendo a Faculdade, começei também minha análise pessoal, e todas estas questões eram colocadas neste trabalho.

A PSICANÁLISE me pareceu particular e original, foi em torno dela a minha atenção maior. Eu cursava a faculdade de psicologia, porque esta era uma exigência do meu pai: ter um diploma. Estudava Psicanálise por gosto mesmo, tinha a ver com aquilo que eu observava e procurava. E meus estudos da obra FREUDIANA foram pra mais de 10 anos....

Eu li a obra de Freud em espanhol, uma das melhores traduções. O meu Psicanalista, tive esse privilégio, e privilégio mesmo, realmente tinha conhecimento da sua prática, da clínica. Meu psicanalista, Doutor Helvídio Velloso, era médico, pediatra, psiquiatra, e psicanalista. Além, é claro, de ter sido do exército Brasileiro: Agulhas Negras. O cara, tinha um conhecimento e uma prática, bem superior a todos que até então eu havia conhecido.

Freud dizia: a autorização para a prática da psicanálise é conferida pelo sujeito, através de sua análise pessoal, e o estudo de sua obra. Não existe ALGUÉM QUE AUTORIZE A PESSOA NESSE PERCURSO, E POR ESSA MESMA RAZÃO, NÃO EXISTE “DIPLOMA” DE PSICANALISTA.

No momento em que frequentava a Faculdade de Psicologia, percebi muitas coisas: a “neura” dos alunos em torno do conhecimento que absorviam. No terceiro ano de Psicologia, todo mundo procurava se “enquadrar” nos tipos psicológicos, e por conseguinte, os outros também. Um conhecimento “absorvido”, como a própria palavra faz alusão, é absorvente mesmo, entra, mas a pessoa que absorve este conhecimento não quer dizer que tenha a capacidade de elaborar esse conhecimento para si mesmo, e fazer um “escoamento” desta absorção. Filtrar aquilo que está sendo absorvido. Tudo isso eu percebi desde o começo e sempre levei para a análise, e minha análise pessoal foi “séria”, não era um passatempo, uma coisinha bonitinha....

No transcurso de minha análise, eu também lia muito, a obra de Lacan, Freud, o estruturalismo, a linguagem, e outros tantos... E elaborava textos, fazia análise de leituras, etc. Já na Faculdade, no terceiro ano do curso, me procuravam para o auxílio em monografias, e interpretações de texto, principalmente os textos freudianos. Minhas amigas e amigos de turma tinham confiança em mim.

Todas essas considerações tem exatamente o MESMO VALOR daquilo que o DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE tem passado e repassado em seus textos e vídeos. E é por isso mesmo, que eu me interessei pelo trabalho dele.

No momento em que fazia a análise pessoal, no COLÉGIO FREUDIANO DE CURITIBA, eu ainda não tinha ciência do que acontecia naquela instituição. Eu via as psicanalistas ali com muito respeito, achando que se tratava de um trabalho sério, tal qual o meu....

ACONTECE QUE.... ACONTECE QUE OS FATOS MODIFICAM MUITAS COISAS NA ÁREA DO PENSAMENTO. Muitas coisas aconteceram em minha vida, mesmo porquê eu estava mais numa posição de para-raios dentro de minha família, na repercussão de minha vida pessoal, sentimental, e para-raios enquanto eu era um espelho de acomodação do que via e sentia.

UMA PESSOA QUE PENSA E ELABORA SEUS PENSAMENTOS ACERCA DO QUE VÊ E DO QUE VIVE, acaba nesta posição, e atrai todo tipo de coisas: sentimentos de inveja, ciúme, etc.

E era assim....

Fui convidada para trabalhar no COLÉGIO FREUDIANO DE CURITIBA, pelo Velloso. Minha intuição sempre foi superior a tudo. Eu sabia que aquele espaço era um espaço “fechado”, e minha entrada ia animar uma séria de outras coisas. Foi o que aconteceu, eu aceitei o pedido dele, fui e levei meu material de trabalho junto. O grupo, as psicanalistas, que eu considerava com muito respeito, não sabiam porquê eu estava ali. A princípio fui recebida bem, entrei em contato com elas, conversei muito, estimulei o trabalho de algumas... enfim. Na continuidade, por causa e em função daquilo que o Velloso representava naquele lugar, e de seu convite em relação a minha pessoa, as coisas começaram a mudar paulatinamente.... Fui verificando que as atitudes das psicanalistas não eram assim tão éticas e profissionais como eu imaginava ser a atitude de alguém que trabalha como psicólogo e psicanalista....

Ali dentro, em contato diário com o trabalho de todos aqueles sujeitos, eu vi a REALIDADE. OS FATOS! Houve momentos em que realmente eu não sabia mais o que pensar, porque o que via e observava era tão ABSURDO, tão irreal, o quanto aquelas pessoas estavam distantes do que era a obra de Freud, e do que era a vida e a relação de verdade com o SABER, COM O CONHECIMENTO.

CONTRARIEDADES, muitas contradições, entre o que se diz e o que se faz.

A pessoa do Velloso, a minha consideração em relação a ele, não mudou. Mas a sua vida privada, particular, estava de tal jeito, repercutindo em seu trabalho. Ali dentro do Colégio Freudiano de Curitiba, comecei a elaborar muitas coisas, e desenvolvi um estilo próprio para lidar com aquela situação fora do comum em relação a minha pessoa. Para conseguir sobreviver ali, e dar conta do que acontecia.

SOBREVIVÊNCIA! Por que as coisas chegaram aquele absurdo, “se ficar o bicho pega, e se correr o bicho come”.... ?!

O RECHAÇO E A INTERPRETAÇÃO DELIRANTE...

Por isso, minha gente, é SALUTAR DIZER, imaginem o cenário onde começaram todas as ciências relativas às doenças psíquicas, Freud, Charcot, Breuer, Jung, e por aí a fora. É exatamente isso que os alunos não sabem, não elaboram em suas vidas.... Essas pessoas, esses MESTRES, não eram destituídos de problemas pessoais, dilemas. O conhecimento deles foi elaborado paulatinamente dentro de um momento histórico, e sofreram as mesmas vicissitudes que sofrem todas as pessoas que trabalham com o ser humano e elaboram pensamentos, elaboram teorias, sistemas, enfim....

Por isso é importante procurar ler a vida dessas pessoas, em sua particularidade.

Os alunos que estudam Psicologia, Psiquiatria, etc. e tal, absorvem esse conhecimento de há muitos anos, décadas, e só fazem isso, param por aí.... Quando nos aproximamos de um professor, psiquiatra, doutor, psicólogo, etc., nos aproximamos com aquela sensação de estar falando com um MESTRE, e imaginamos que a vida dessa pessoa é uma coisa de “louco”, que esse sujeito é detentor de um saber, que ele “sabe” mesmo.... VÃ ILUSÃO!!!



Alguns mestres se distinguem, outros só são mesmo um ESPELHO, aparência, sustentam um saber, tornam esse saber propriedade deles, usam e abusam deste saber, se “autorizam” em relação aquilo que pensam que sabem, cobram um custo alto para repassarem esse saber, e ao final de tudo, o que sabem, é o que deixaram de saber. Não sabem.

A minha análise com o Doutor Velloso trabalhava o tempo todo essas questões, eu nunca me furtei em relação à verdade, mesmo que essa verdade custasse muito caro.... E isso tem um nome: ÉTICA.

E custou caro!!! A HONESTIDADE EM RELAÇÃO A TUDO AQUILO QUE EU APRENDI, E TUDO AQUILO QUE EU VIVENCIEI, CUSTOU BEM CARO, UM PREÇO EFETIVAMENTE CARO!

Por isso mesmo não terminei a FACULDADE DE PSICOLOGIA. E por isso mesmo, telefonaram do COLÉGIO FREUDIANO DE CURITIBA para a minha casa, pedindo que eu retirasse “minhas coisas” daquele lugar....

Nesse momento, também entendi o que significara a EX-COMUNHÃO do Doutor Jacques Lacan da Sociedade Psicanalítica.

FOI ASSIM, E ASSIM SERÁ.

Chorei muito.... Mas eu chorei mesmo.... Perdi todas as ilusões no que diz respeito a esse tipo de “instituição”. São poucos, são muito poucos aqueles que “sabem” e fazem bom uso do que sabem. E principalmente no que diz respeito à EMPÁFIA DOS DOUTORES.... A VIDA NOS ENSINA MUITAS COISAS: A VIDA NOS COLOCA EM SITUAÇÕES PECULIARES, EM SITUAÇÕES QUE NOS COLOCAM À PROVA.

A COMPLEXIDADE DA MENTE HUMANA, DO SER-HUMANO É MUITO GRANDE. E a vida, é sempre mais do que a vida. Precisamos ter HUMILDADE, HUMILDADE NO TRATO COM A VIDA DE OUTREM.... E precisamos urgentemente, renunciar a essa onipotência egóica que nos faz acreditar que somos o lugar que ocupamos...

QUANTO À DEPRESSÃO E TRISTEZA, o cérebro, a alma, o corpo, o eu e o outro, tudo isso está inter-relacionado.

Entramos numa farmácia, fazemos isso bastante..., compramos uma cartelinha de comprimido para resfriado, ou outro tipo de medicamento. E ali mesmo na farmácia, existem estantes com chocolate, biscoitos, etc. e tal.... Isso é uma INFORMAÇÃO que o nosso cérebro capta, a realidade ordinária. Nós assimilamos isso, o tempo todo, de todas as formas...

Saímos da farmácia, voltamos para casa, pegamos nossa bagagem, vamos até o aeroporto, pegamos o avião, que nos deixa em MANAUS, e no centro de MANAUS, nos conduzimos através de uma canoa, para o centro da AMAZÔNIA. Uai, chegamos ao centro da AMAZÔNIA, e estamos diante de um pajé... E ali existem outros elos, outro tipo de ligação, de conhecimento... A percepção da realidade é outra, os elos são outros, os laços de parentesco são outros.... E aí, nossa, e aí, que maravilha!, a gente aprende outra coisa....

Saímos da Amazônia, nossa, e voltamos ao Brasil, entramos num SEMINÁRIO das irmãs CARMELITAS, elas não podem ter contato com o mundo aqui fora, e começamos a observar essas irmãzinhas.... e então, nossa, que maravilha, aprendemos outra coisa...

O QUE EU APRENDI COM A OBRA FREUDIANA, não tem nada a ver com aquilo que a maioria dos psicanalistas transmitem... O que eu realmente aprendi com Freud, está em mim até hoje... Aprendi a gostar muitíssimo da antropologia, nessas relações de espaço e tempo, história, memória, acho isso importantíssimo para a absorção do conhecimento, e elaboração conceitual.

E, penso, a convivência diária com o ser humano, mesmo em nossa vida ordinária, simples, nos mostra várias coisas. Mas precisamos ter a vontade de olhar este ser humano, e de olhar a nós mesmos com vontade, como se fosse a primeira vez...

O Doutor Velloso dizia, “esse é o meu estilo”... E nisso eu me distingo de Lacan. Eu quero que vocês saibam para onde eu os levo... Quem tiver suporte, fica. Quem não tiver, não fica.

A minha direção, para aquilo que eu aprendi, custou muito mesmo. Eu não sou psicóloga, não sou psiquiatra, não sou psicanalista. Sou o que sou. Das coisas que falo, eu sei. Gosto de aprender, gosto da convivência humana diária em todos os setores. E aprecio as diferenças.

A criatividade humana e a possibilidade de transformação dependem da renúncia desta soberba que pulula instituições, cargos, funções, atribuições.

Eu não me coloco como superior a ninguém. E NINGUÉM É SUPERIOR A MIM. Essa é minha base, o chão aonde piso no que se refere ao conhecimento.

Quando digo: A VIDA É MAIS DO QUE A VIDA! Digo: nós suportamos o sofrimento bem mais do que a felicidade. Suportamos o inferno bem mais do que a paz e tranquilidade.









sábado, 29 de junho de 2013

domingo, 2 de junho de 2013

INSISTÊNCIA, PERSISTÊNCIA E REPETIÇÃO - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 02 DE JUNHO DE 2013.

A insistência, a persistência, e a REPETIÇÃO, não são a mesma coisa.

Os quatro conceitos fundamentais da Psicanálise: o inconsciente, a repetição, a transferência, a pulsão.

Vamos por aí, em algum momento da nossa vida, a coisa pára, trava, cria um mal-estar, como por exemplo, a angústia, a ansiedade, e desenvolve um "sintoma", a fobia... Exemplificando.

Lembramos também aquela série de coisas ditas: armário, tortura, amante, espetáculo, vaso, quadro, aliança, humanidade, hoje, escândalo,                ,  casamento...

Pausa: silêncio, anurese, tremor, ansiedade. Estava ela prestes a se casar, quando então desenvolveu uma FOBIA, MAIS ESPECIFICAMENTE, AGORAFOBIA, medo de espaços abertos....

Esta pessoa então procura ajuda de um PSICOTERAPEUTA, entra pela porta adentro, para conversar com o dito-cujo, e ele diz, me conte o que aconteceu.... E ela começa: eu estava prestes a me casar, quando então começei a sentir uma série de coisas quando estou andando... e aí então.... aqui estou.

O PSICOTERAPEUTA: "VOCÊ É LOUCA CRIATURA???? TÁ DOIDA, O QUE ISSO TEM A VER COM AQUILO???"

hahahaha... Estou brincando.... ou não. A maioria não sabe "instrumentalização conceitual", sequer passou pela análise prática, sequer fez análise pessoal, e estão ali, na tal da dependência, transferência, e o escambau. NÃO SABEM.

AQUELE CARA ALI SENTADO, NÃO SABE.

À BEIRA DE SER FELIZ, A MULHER DEIXA DE ANDAR.... LITERALMENTE....

Travou.

Existe alguma coisa aí, na história desta pessoa, alguma coisa ali que manca. Não foi bem sucedido, e o doutor Freud então começa a estudar o RECALQUE, o recalcado.... Palavra interessante esta: o RECALCADO... Aquelas tias solteironas, chamavam de recalcadas, mal-amadas.... Aquilo está ali, parado, e o doutor Freud disse: coloca pressão aí.... A pulsão empurra. A pulsão quer continuar. Coloca pressão aí, a coisa emperra.

O DOUTOR FREUD, NÃO ESTÁ ECLIPSADO PELO TEMPO ATUAL, CONTEMPORÂNEO, E MUITO MENOS ULTRAPASSADO, ESTUDOU NEUROLOGIA MUITOS ANOS, DO CÉREBRO ELE CONHECIA, MAS O CÉREBRO NÃO ERA O ESPIRITO...

O DOUTOR FREUD, EM SUA RELAÇÃO COM O CONTEMPORÂNEO, O MAL-ESTAR NA CULTURA, ESTÁ ALI O SEU DIAGNÓSTICO.....

A NEUROLINGUÍSTICA,  NAO É UM ACHADO,  NADA SE RESOLVE NO ESPAÇO ALUGADO DE HOJE, A SE DAR O NOME DE CONTEMPORANEIDADE...

Não dá pra ser FELIZ!  A mulher que estava li, sofrendo de agorafobia, diz: NÃO DÁ PRA SER FELIZ.... QUE CULPA EU TENHO, MEU DEUS.....

A COMPULSÃO DE REPETIÇÃO:  por que você sempre escolhe esse tipo de namorado, minha filha????

Sacanagem. O sujeito quer sair daquele ciclo vicioso e não consegue: COMPULSÃO À REPETIÇÃO.

Então, se repetimos sempre, e TODOS NÓS SOMOS COMPULSIVOS A ISTO, A CAGAR NAS CALÇAS.... obviamente, é porque existe algo DIFERENTE.

EXISTE A POSSIBILIDADE DE SER FELIZ!!!

Essa criatura ia ser feliz... Não foi ela que travou. Não não foi. O circuito além dela, ao redor dela, emperrou o funcionamento quando na possibilidade desta mulher fazer parte de uma outra estrutura, outro espaço. A pressão não é interna, a pressão não é uma "imaginação" insensata, causada por neurônios, causada pela coagulação sanguínea de uma veia, o escambau.

A coisa deixa de funcionar no momento em que a pessoa está prestes a pular fora do circuito.... E ISTO É UM FATO! No momento em que este sujeito resolveu pular fora do circuito, deste funcionamento sintomático, destrutivo, a pressão deste circuito o quer ali novamente. OUTRA VEZ.

AS ALUCINAÇÕES, NUNCA SÃO IGUAIS.... OS DELÍRIOS, de uma pessoa a outra não são os mesmos, os sintomas, também não.

Nós temos aparelhos sensores, receptores, e filtramos a realidade diária, 24 horas por dia.....
A memória está suficientemente ABASTECIDA DE PERCEPÇÕES. E desta memória, se escolhe unicamente, aquele FILTRO DE PERCEPÇÕES que vai compor um delírio, ou uma alucinação....


A INSISTÊNCIA E A PERSISTÊNCIA: enquanto a REPETIÇÃO, é uma pressão (RE-PRESSÃO - FORÇA DE RETORNO - CIRCUITO). A insistência e a persistência são forças, vetoriais. Para executarmos um exercício complexo, precisamos repetir várias vezes aquele mesmo circuito, persistimos. Até conseguir desenvolver com tranquilidade, não sem esforço, INSISTÊNCIA, aquela modalidade ali.

Mas tudo isso é lindo e maravilhoso, e daí??? Como esta mulher vai resolver seu problema????

Esta mulher, está fora do circuito, ela já resolveu. O que emperra é esta força que a impele a voltar....  Grande maioria de mulheres que se separam a primeira vez, depois de um longo casamento, notavelmente ficam DEPRESSIVAS E OU ATÉ COM SÍNDROME DO PÂNICO.

Ela sai na rua, ai meu Deus, tô sózinha, ai meu Deus, dá mais alguns passos, ai meu Deus, to sentindo uma coisa, ai meu Deus, parou....   Ela se depara com isso: está sozinha, não é o mesmo lugar, não é a mesma condição anterior, já está EM OUTRA. 

AI QUE VAZIO.... qual é o seu referencial anterior???? Não está funcionando mais, porque esta situação atual é outra, DIFERENTE DA ANTERIOR.  Aquele referencial não cabe a esta nova situação.....

O QUANTO ACREDITAMOS, O QUANTO ACREDITAMOS EM MENTIRAS!!!! A vida toda o sujeito ali, dizendo: você não pode viver sozinha, sabe. Você precisa de uma pessoa, sabe. Você é tão delicada, sabe. Você é a filhinha do papai, sabe..... PUXA VIDA, O PAPAI NÃO SABE VIVER SOZINHO...SABE.

ACREDITAMOS!!! INCRIVELMENTE, NÓS ACREDITAMOS.... E vai um longo tempo para observar que aquilo é uma mentira, UM LOGRO, UMA IMAGEM FURADA. UM SIGNIFICANTE INSUSTENTÁVEL POR SUA NATUREZA REAL...

E a mulher descobre que pode viver, independentemente disso. Dá para entender que houve aí uma MUDANÇA DE LUGARES..... Essa menininha, já está em outra. E o papai, fica gritando lá de dentro, volta, volta, volta, volta para os braços do papai....

ISSO NÃO É BRINCADEIRA!!!! é FODA MESMO!!!  Existem pessoas explodindo internamente, morrendo aos 40 anos de idade, do coração. Existem meninas novas, morrendo de anorexia nervosa.... Toda essa necessidade no consumo de drogas, não é em vão. A necessidade farmacológica, também....

Quem sai fora do circuito, paga o seu preço. Porque isto custa bem caro mesmo!!!


sábado, 1 de junho de 2013

COMO RECONHECER PESSOAS CÍNICAS E DISSIMULADAS - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 1º DE JUNHO DE 2013.

TEXTO COMENTÁRIO, EM RELAÇÃO AO VÍDEO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE: COMO RECONHECER PESSOAS CÍNICAS E DISSIMULADAS.


É exatamente assim mesmo... hahahaahahha...

Em frente a minha casa mora um sujeito, mora sozinho com sua mãe. Ele deve ter hoje uns 50 e poucos anos de idade.

Esse sujeito já foi meu melhor amigo. MELHOR AMIGO!

Não me lembro exatamente como começei a conversar com ele... Ele fazia parte do grupo de amizades do meu irmão, enfim, desde criança, mora em frente a minha casa: eram três filhos e a mãe. Três meninos lindíssimos, que todas as mulheres queriam conhecer e namorar. Eu não. Achava-os bonitos, mas só isso.

Já estava namorando o Ehden, que conheci quando tinha 20 anos, e já estava na Faculdade de Psicologia, lembro-me. O WILLIAN, assim é o seu nome, começamos a falar por telefone, mas acho que ele um dia veio conversar comigo, pegou o meu telefone, e assim começamos a conversar.

Extremamente sedutor, persuasivo, contava-me a sua vida amorosa, e eu contava a minha vida amorosa para ele... Foi indo, foi indo, um dia ele me disse: "Vamos fazer um pacto: você vai me contar todos os detalhes sobre a sua vida sexual, e eu contarei sobre a minha..., assim a gente fica sabendo muito mais sobre o universo masculino e o feminino...".

E eu me abri com ele realmente: na minha INGENUIDADE COMPLETA E ABSOLUTA! Contava os detalhes da minha vida particular com o Ehden, e ele falava da vida dele com as mulheres, geralmente casadas....

Nessa época, eu fazia também análise com o Velloso. E comentava com ele a respeito deste meu amigo....

E o Willian tinha esse detalhe, ele ficava horas no telefone conversando, era assim a nossa amizade... De forma que eu não podia vê-lo, só ouvi-lo.... Sua voz era de veludo, com pausas, respiração.... Tudo previamente estudado e premeditado...

E foi que foi, aconteceu a minha separação do Ehden.... O Willian tentava de todas as formas me "ajudar", me "levantar", era um amigo perfeito.... E inclusive,nesta época, começara a conversar com o meu pai furtivamente,  também...  Meu pai causou a ruptura do meu relacionamento com o Ehden... e outras coisitas mais...

O Willian, esteve ao meu lado neste momento difícil da minha vida, como um verdadeiro amigo....

Mas, o Velloso, uma vez me alertou: "TOME CUIDADO COM ESSE SUJEITO, DENISE...". Eu escutei.

E, depois, compreendi tudo mesmo.... O Willian contava ao meu pai facetas da minha vida. Dizia ao meu pai que o Ehden estava se aproveitando.... Falava mal do Velloso para o meu pai.... Enfim.... Isso tudo eu só soube depois, muito depois...

E, se isso tudo não bastasse, depois que eu me recuperei da depressão profunda, um ano de depressão, um dia estava aqui em frente de casa, e  veio falar comigo, e entregou-me um texto que eu havia escrito em homenagem a nossa amizade. Ele disse que queria devolver o texto, e se eu quisesse poderia tirar uma cópia apenas e entregar a ele, "caso eu quisesse...". Como sempre, atencioso, e DISSIMULADO...

Não fiz nada disso, só peguei o texto e guardei.

O WILLIAN PRESTES, NA ÉPOCA EM QUE EU ME SEPAREI DO EHDEN, e nos anos posteriores, quando retomamos o relacionamento, mas o namoro já  estava todo fragmentado, quase impossível, o meu namorado entrou para a política: foi VEREADOR duas vezes aqui em Curitiba. E nessa época, claro, claríssimo, O WILLIAN ME PEDIU PARA MARCAR UMA ENTREVISTA COM O EHDEN, NO SENTIDO DE APRESENTAR UM "PROJETO" SEU PARA O VEREADOR....

CLARO, CLARÍSSIMO!!!

O Ehden não o recebeu.... E o WILLIAN veio me falar sobre isso, cobrando: "Eu estive com você nos momentos difíceis de sua vida, tentei ajudar, e agora, o Ehden não quer me receber....".

E ASSIM FOI, E ASSIM É, E ASSIM SEMPRE SERÁ....

A DISSIMULAÇÃO FUNCIONA DESSA FORMA.

INFELIZMENTE, NAO FOI A ÚNICA PESSOA DISSIMULADA NA MINHA VIDA!!!

Doutor Flávio Gikovate, eu escutei o seu vídeo, e é claro, o senhor estava falando de sua própria experiência de vida....  E eu pensei: um AUTÊNTICO CAPRICORNIANO!  (hahahahahahaha). Uma vez, basta!!!!! hahahaha.

Pois é, experiência elucidativa mesmo, a convivência humana nos apresenta n e uma possibilidades.... Nós não sabemos o que nos aguarda...

Este sujeito, o Willian, eu o chamo de DON JUAN....  de la bosta.  A miséria humana não é a miséria material, mas a miséria espiritual. E o egocentrismo, é uma característica desta miséria. O egocentrismo deste sujeito era exacerbado, mania de grandeza, inteligência grande, sedução, sugestionamento, controle sobre suas emoções, sabe a hora de dar o "bote".

Hoje, eu o vejo em frente de casa, eu o vejo andando pelas ruas, e sinto uma profunda "aversão".... Sequer o cumprimento. Não tenho vontade de  ouvir sua voz novamente...  Existem detalhes ainda mais sórdidos, que obviamente, não poderia relatar aqui....

Mas, não caí na sedução deste senhor.... E, "incrivelmente", apesar dele ser um homem bonito, não sentia atração por ele.... Gostava mesmo do Ehden, naquela época...

Não sinto pena nem nada... Sinto que um ser-humano assim, é de uma comiseração.... sem precedentes... E, como disse, não é o único caso na minha vida, de dissimulação. Existe alguém bem mais próximo de mim, que usa o que pode e o que não pode para tentar me "prender" de alguma maneira...

Apesar destas pessoas existirem, a minha alma permanece intocável no que diz respeito a isso, desonestidade e mal caratismo...

Eu penso, NÃO PRECISO USAR O MESMO ARTIFÍCO NO TRATO COM AS PESSOAS. ALIÁS, NENHUM ARTIFÍCIO DESTA NATUREZA...

E, lembro agora de um amigo do curso de TEATRO, estávamos falando sobre o ser-humano, num debate em sala de aula, quando ouvi da boca deste amigo: "ASSIM COMO A DENISE..., ELA É O QUE É EM QUALQUER LUGAR...". 

Fiquei feliz por isso, porque existem pessoas que nos enxergam...  e apreciam nossa amizade, pelo fato de sermos pessoas LEGAIS, SINCERAS E HONESTAS....


sexta-feira, 31 de maio de 2013

FAMÍLIA (ESTRUTURA): MANDOS E DESMANDOS (4) - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 31 DE MAIO DE 2013.

 Continuação....

Não uso maquiagem, não costumo "maquiar" a realidade. Se falo sobre a minha vida, se para falar de assuntos relevantes ao mundo, às pessoas, escondo e reporto a elas apenas uma "imagem", possivelmente estaria sendo desleal com o leitor.

INCRIVELMENTE, usando esta palavra que li no texto do Doutor Flávio Gikovate, incrivelmente algumas pessoas "acham" ou "gostariam" que eu contasse mentiras, histórinhas bonitinhas e maravilhosas a respeito da minha vida particular e pessoal, para assim deste modo esconder condutas, e comportamentos de outros seres que fizeram parte desta existência.

SINTO MUITO, NÃO POSSO!

 Na leitura de tudo aquilo que escrevo, acho também que dá para perceber que o meu interesse no ser-humano, não é o mesmo interesse das fofoqueiras que vivem nas esquinas da vida. O meu interesse é sério, a minha vida, a minha existência depende de tudo aquilo que eu filtro da realidade.

Eu não devolvo às pessoas que me cercam a gratuidade da vida. Custa caro levar a sério a vida, a nossa, e das demais pessoas. Custa muito caro mesmo. A gente fica, POR INCRÍVEL QUE PAREÇA, COM UM SALDO DEVEDOR...

Muitas pessoas, as mais íntimas, nos cobram a FALSIDADE.

Gostaria de dizer, "nossa... o meu pai era um cara que me respeitava, carinhoso, afetuoso, que beleza". Não sei porque razão as pessoas não podem dizer o que sentem e o que foi, o que está sendo. Mentem idiotamente para si mesmos e para os outros, e cultivam essa mentira como verdade, sabotam a vida, devolvem uma IMAGEM IRREAL...

Explico o porquê disso: a cultura nos obriga a dizer que estes seres que nos criaram são PERFEITOS. São modelos de vida, inatingíveis.... SÃO O IDEAL. A realide diária nos demonstra outra coisa: a humanidade, são pessoas, são fálíveis....  E quanto mais volvemos para o IDEAL, mais longe ficamos da possibilidade de uma relação mais autêntica, mais espontânea, menos sofrível, e mais cabível a cada um...

Se uma mãe decide RENUNCIAR A SUA COROA DE RAINHA, e opta pela amizade com o filho ou a filha, possivelmente a vida e a convivência se tornarão menos árdua para ambos os lados. Ou seja, esta mãe poderá revelar seus pensamentos, suas emoções, numa "boa", sem se sentir ridícula ou apequenada em razão daquela imagem que criaram.... E o filho sentirá mais facilidade de chegar até essa mãe para conversar, trocar idéias....

A RECÍPROCA É SEMPRE VERDADEIRA.

Um pai autoritário, despótico, não pode esperar do filho senão a distância e a inimizade, o CONFLITO.

A amizade com o filho não quer dizer anarquia, mas respeito. Amizade e responsabilidade. Responsabilidade no lugar do medo e do mando.

quarta-feira, 29 de maio de 2013

FAMÍLIA (ESTRUTURA): MANDOS E DESMANDOS (03) - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 29 DE MAIO DE 2013.

TEXTO COMENTÁRIO EM RELAÇÃO ÀS OBSERVAÇÕES DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.


Estendendo minhas observações anteriores a estas, experiências vividas a partir dos 18 anos de idade, e suas relações com o momento atual de vida.
Por que o Teatro?! A atividade intelectual sempre fez parte da minha rotina habitual, desde os 15 anos de idade. Interesse e curiosidade em saber, entender, compreender, e principalmente, elaborar mentalmente minhas próprias experiências vividas... Li muito e muito mesmo.

O fato de viver não nos dá a consciência efetiva de tudo o que fazemos, e porquê fazemos, pensamentos, emoções, atitudes. Vivi fortes angústias derivadas da família: o autoritarismo do meu pai não me permitia seguir livremente, o que pensava e o que queria e gostava de fazer.... Em casa, era mandar e obedecer, ou calar... 

O querer em contraposição à vontade do meu pai, não poder fazer, não ter liberdade de ir e vir, de ser... A angústia produzida por essa pressão do meio era muito grande.... As minhas amizades eram de conversa, de desabafo, de troca de experiências, e os amigos, muitos deles eram pessoas que pensavam, artistas, professores e outros... Eu desenvolvi desde muito cedo o modo da observação, da leitura do comportamento humano, e tentar sobreviver neste meio opressor era uma questão de justiça. 

Nesse sentido, sempre questionei a autoridade do meu pai e da minha mãe, porque nunca conseguiram me convencer de suas razões. E principalmente porque a autoridade do meu pai era arbitrária, injusta e incoerente. Sempre lutei contra isso, e ainda hoje luto.

Eu não travo mais uma luta interior como quando era jovem, o meu espírito é verdadeiramente livre para pensar e ser. Mas as armadilhas, e o modo ardiloso, a especulação em torno de tudo o que faço e penso, nunca deixaram de existir, isto posto, porque essas pessoas ainda existem...

Muitas foram as direções que tomei, os livros que li, minhas tentativas de encontrar meios para não me sentir assim tão sufocada. A amizade sempre foi um caminho, a amizade verdadeira me proporcionava conhecimento e bem-estar.

Desde cedo também, motivada por amigas que faziam psicoterapia, procurei este conhecimento. E a psicologia era uma matéria favorita, quando entrei na Faculdade, não senti nenhuma dificuldade.

Esses adendos, preâmbulo, para evocar a consciência que temos de nós mesmos, do mundo, dos outros, da realidade que nos cerca... Esta consciência não está dada ao nascermos, e muito menos ao longo da vida. Somos sensíveis a esta consciência ou não somos sensíveis, então procuramos por alguma coisa: um sentido.

A filosofia, psicologia, literatura, não são matérias de pessoas problemáticas, "esquisitas", mas de pessoas que se preocupam em entender, pessoas que observam o mundo, e elaboram suas percepções de vida...
Infelizmente em minha casa, achavam mesmo que eu era uma "louca" porque havia escolhido essa direção...

Hoje, ao conviver com esses estudantes do curso de Teatro, percebo a mesma procura,  a empatia que nos cerca. Olhando para eles, lembro da minha juventude.  Alunos de 20 anos ou mais, sensíveis a tudo isso que acabei de dizer. 

A elaboração mental, racional, a elaboração emocional, a sensibilização do corpo e da mente, do espírito para tudo o que vivemos e nos cerca, resumidamente, faz parte do teatro... E portanto, esteve em mim desde sempre...

A criatividade existencial é isto: a capacidade de recriar a vida, através da produção de novas possibilidades existenciais... viver, sentir, transformar estes sentimentos, renunciar a outros, e seguir honestamente diante de si mesmo e dos demais.

Mas a razão maior de falar sobre o Teatro, é a convivência que estou tendo com homossexuais.  O universo existencial de pessoas que se consideram gays, antes era desconhecida para mim.

Quase todos os meninos do curso são gays. Percebo o quanto de preconceito existente em relação a esse fator,  o quanto de discriminação e de falta de conhecimento a esse respeito, sem relação com a verdade e com a realidade destas pessoas.

Sempre e sempre, a melhor forma de saber sobre uma realidade diversa da nossa, é conviver.  Eu convivo no curso de teatro com pessoas maravilhosas, numa relação humana. Reabasteço minha energia pessoal todos os dias através desta convivência, com alegria, amizade, carinho, muito carinho, e sinceridade...

E com ternura quero agradecer esta convivência carinhosa e afetuosa de pessoas maravilhosas.

A vida sexual deles, não me importa. A escolha sexual desses jovens, não me constrange em nada, muito pelo contrário, me dão liberdade de falar tudo o que penso, vivo, e pratico.

A promiscuidade ligada à homossexualidade, foi algo produzido e desenvolvido arbitrariamente. Nem todos os homossexuais são promiscuos, não existe nenhuma relação de verdade e de fato entre uma coisa e outra.

Voltamos sempre ao tema da sexualidade, e da opressão, re-pressão. Nesta amizade recíproca, verdadeira, percebo muitas coisas. A sexualidade é algo incerto, variável, inconstante, um mundo onde a fantasia é um recurso, e tem respaldo em nossas experiências pessoais, nossa história de vida.

Estou aqui escrevendo e tenho que sair, continuarei mais tarde....