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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Ao Vivo | cpfl cultura

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COMO LIDAR COM O DESAMPARO E A INSIGNIFICÂNCIA CÓSMICA - DENISE FRANÇA

Curitiba, 30 de novembro de 2012.

COMO LIDAR COM O DESAMPARO E A INSIGNIFICÂNCIA CÓSMICA:   TEXTO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

COMENTÁRIO

Continuo lendo os textos do Doutor Gikovate, e assistindo seus vídeos... Muito me alegra a similaridade de pensamento, as impressões do mundo e das pessoas.... É com bastante ternura, e muita admiração que recebo suas palavras, textos e vídeos....

A insignificância do ser-humano poderia ser bem menor. Os filhotes do homem necessariamente precisam de assistência desde o momento de seu nascimento, na gerência de suas necessidades vitais.... Posteriormente, o outro percebe que este filhote do homem lhe dá uma sensação de poder, na medida em que depende dele para sua sobrevivência, relação de dependência. E todas as fontes para suprir essa necessidade, que chegam por intermédio desta mão humana vem acompanhadas de sentimento, de sensações, de prazer-desprazer, caracterizando um modo específico de conduta que ao longo dos anos de torna um costume e cultura.

O filhote humano recebe tudo isso assim, sem poder verificar a procedência, a qualidade, a autenticidade, a nobreza de caráter e uma série de coisas. Mais tarde, mesmo na posse de consciência, de vontade, o filhote do homem se insere num outro grupo, o grupo social, e da mesma forma segue uma série de "REGRAS DE CONDUTA", e continua isento para analisar e verificar se essas regras são coerentes, produzem bem-estar para a sua vida ou não.

Infelizmente, a educação e o trabalho humano são vistos sempre num sentido ascendente de domínio e status, e por esse mesmo motivo, mesmo que um sujeito tenha a posse de muito conhecimento, esse conhecimento não relativiza as diferenças sociais, a injustiça e uma série de coisas.

Com o conhecimento, o aprendizado da técnica, do conhecimento tecnológico, etc, outros trabalhos são colocados como inferiores, o trabalho braçal, o trabalho doméstico, o trabalho artesanal.... Infelizmente, o ser-humano nesse sentido tem demostrado sua miséria e inaptidão para resolver grandes problemas humanos, e desconstruir as relações de dependência, onde há domínio de um sobre o outro....

Essa forma de conduta do ser-humano gera mal-estar social, em todos os sentidos. Qualquer pessoa que se sinta "inferior" a outra, sempre desenvolve ojeriza, e cria uma relação de hostilidade.  Aparentemente observamos que existe um sofrimento primordial na base das relações humanas, da cultura enfim.... Mas eu pessoalmente, desacredito disso. Outra forma de relacionamento humano é possível, devemos subverter os costumes, nos colocar à prova diária de tudo isso que nos serviu como educação....  Ousar transpor esses limites e verificar a possibilidade de outros.

Eu não acredito que o SUCESSO de uma pessoa seja verdadeiro quando para isso ela tenha que humilhar outras pessoas, dominar e oprimir.... 




RELIGIÃO CIÊNCIA 

"Todas as ações e todas as imaginações humanas têm em vista satisfazer as necessidades dos homens e trazer lenitivo a suas dores. Recusar  esta evidência é não compreender a vida do espírito e seu progresso. Porque experimentar e desejar constituem os impulsos primários do ser, antes mesmo de considerar a majestosa criação desejada. Sendo assim, que sentimentos e condicionamentos levaram os homens a pensamentos religiosos e os incitaram a crer, no sentido mais forte da palavra? Descubro logo que as raízes da idéia e da experiência religiosa se revelam múltiplas. No primitivo, por exemplo, o temor suscita  representações religiosas para atenuar a angústia da fome, o medo das feras, das doenças e da morte. Neste momento da história da vida, a compreensão das relações causais mostra-se limitada e o espírito humano tem de inventar seres mais ou menos à sua imagem. Transfere para a vontade e o poder deles as experiências dolorosas e trágicas de seu destino. Acredita mesmo poder obter sentimentos propícios desses seres pela realização de ritos ou de sacrifícios. Porque  a memória das gerações  passadas lhe faz crer no poder propiciatório do rito para alcançar as boas graças de seres que ele próprio criou.
A religião é vivida antes de tudo como angústia. Não é inventada, mas essencialmente estruturada pela casta sacerdotal,  que institui o papel de intermediário entre seres temíveis e o povo, fundando assim sua hegemonia. Com frequência o chefe, o monarca ou uma classe privilegiada, de acordo com os elementos de seu poder e para salvaguardar e soberania temporal, se arrogam as funções sacerdotais. Ou então, entre a casta política dominante e a casta sacerdotal se estabelece uma comunidade de interesses.
Os sentimentos sociais constituem a segunda causa dos fantasmas religiosos. Porque o pai, a mãe ou o chefe de imensos grupos humanos, todos enfim, são falíveis e mortais. Então a paixão do poder, do amor e da forma impele a imaginar um conceito moral ou social de Deus. Deus-Providência, ele preside ao destino, socorre,  recompensa e castiga. Segundo a imaginação humana, esse Deus-Providência  ama e favorece a tribo, a humanidade, a vida, consola na adversidade e no malogro, protege a alma dos mortos. É este o sentido da religião vivida de acordo com o conceito social ou moral de Deus. Nas Sagradas Escrituras do povo judeu manifesta-se  claramente a passagem de uma religião-angústia para uma religião-moral. As religiões de todos os povos civilizados, particularmente dos povos orientais, se manifestam basicamente morais. O progresso de um grau ao outro consitui a vida dos povos. Por isto desconfiamos do preconceito que define as religiões primitivas como religiões de angústia e as religiões dos povos civilizados como morais. Todas as simbioses existem mas a religião-moral predomina onde a vida social atinge um nível superior. Estes dois tipos de religião traduzem uma idéia de Deus pela imaginação do homem.  Somente indivíduos particularmente ricos, comunidades particuparmente sublimes se esforçam por ultrapassar esta experiência religiosa. Todos, no entanto, podem atingir a religião em um último grau, raramente acessível em sua pureza total. Dou a isso o nome de religiosidade cósmica e não posso falar dela com facilidade já que se trata de uma noção muito nova, à qual não corresponde conceito algum de um Deus antropomórfico.
O ser experimenta o nada das aspirações e vontades humanas, descobre a ordem e a perfeição onde o mundo da natureza corresponde ao mundo do pensamento. A existência individual é vivida como uma espécie de prisão e o ser deseja provar a totalidade do Ente como um todo perfeitamente inteligível. Notam-se exemplos desta religião cósmica nos primeiros momentos da evolução em alguns salmos de Davi ou em alguns profetas. Em grau infinitamente mais elevado, o budismo organiza os dados do cosmos, que os maravilhosos textos de Schopenhauer nos ensinaram a decifrar. Ora, os gênios-religiosos de todos os tempos se distinguiram por esta religiosidade ante o cosmos. Ela não tem dogmas nem Deus concebido à imagem do homem, portanto nenhuma Igreja ensina a religião cósmica. Temos também a impressão de que os hereges de todos os tempos da história humana se nutriam com esta forma superior de religião. Contudo, seus contemporâneos muitas vezes, também, de santidade. Considerados deste ponto de vista, homens como Demócrito, Francisco de Assis, Spinoza se assemelham profundamente.
Como poderá comunicar-se de homem a homem esta religiosidade, uma vez que não pode chegar a nenhum conceito determinado de Deus, a nenhuma teologia? Para mim, o papel mais importante da arte e da ciência consiste em despertar e manter desperto o sentimento dela naqueles que lhe estão abertos.  Estamos começando a conceber a relação entre a ciência e a religião de um modo totalmente diferente da concepção clássica. A interpretação histórica considera adversários irreconciliáveis ciência e religião, por uma razão fácil de ser percebida. Aquele que está convencido de que a lei causal rege todo acontecimento não pode absolutamente encarar a idéia de um ser a intervir no processo  cósmico, que lhe permita refletir seriamente sobre a hipótese da causalidade. Não pode encontrar um lugar para um Deus-angústia, nem mesmo para uma religião social ou moral: de modo algum pode conceber um Deus que recompensa e castiga, já que o homem age segundo leis rigorosas internas e externas, que lhe proíbem rejeitar a responsabilidade sobre a hipótese-Deus, do mesmo modo que um objeto inanimado é irresponsável por seus movimentos. Por este motivo, a ciência foi acusada de prejudicar a moral. Coisa absolutamente injustificável. E como o comportamento  moral do homem se fundamenta eficazmente sobre a simpatia ou os compromissos sociais, de modo algum implica uma base religiosa. A condição dos homens seria lastimável se tivessem de ser domados pelo medo do castigo ou pela esperança de uma recompensa depois da morte.
É portanto compreensível que as Igrejas tenham, em todos os tempos, combatido a Ciência e perseguido seus adeptos. Mas eu afirmo com todo o vigor que a religião cósmica é o móvel mais poderoso e mais generoso da pesquisa científica. Somente aquele que pode avaliar os gigantescos esforços e,  antes de tudo, a paixão sem os quais as criações intelectuais científicas inovadoras não existiriam, pode pesar a força do sentimento, único a criar um trabalho totalmente desligado da vida prática. Que confiança profunda na inteligibilidade da arquitetura do mundo e que vontade de compreender, nem que seja uma parcela minúscula da inteligência a se desvendar no mundo, devia animar Kepler e Newton para que tenham podido explicar os mecanismos da mecânica celeste, por um trabalho solitário de muitos anos. Aquele que só conhece a pesquisa científica por seus efeitos práticos vê depressa demais e incompletamente a mentalidade de homens que, rodeados de contemporâneos céticos, indicaram caminhos aos indivíduos que pensavam como eles. Ora, eles estão dispersos no tempo e no espaço. Aquele que devotou sua vida a idênticas finalidades é o único a possuir uma imaginação compreensiva destes homens, daquilo que os anima, lhes insufla a força de conservar seu ideal, apesar de inúmeros malogros. A religiosidade cósmica prodigaliza tais forças. Um contemporâneo declarava, não sem razão, que em nossa época, instalada no materialismo, reconhece-se nos sábios escrupulosamente honestos os únicos espíritos profundamente religiosos."

(ALBERT EINSTEIN - COMO VEJO O MUNDO)



quarta-feira, 28 de novembro de 2012

AS SUTILEZAS DO AMOR (02) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 27 de novembro de 2012.

Agorinha meus queridos, sem reforço nenhum, sem trabalho braçal nenhum, sem pretensão de vítima....

É desesperador, DESESPERADOR, a mentira tomar o lugar da verdade. E não venham me dizer que a verdade é muito relativa. A verdade é relativa o escambau.... A verdade é diferente para cada pessoa...

Não, a verdade não é diferente para cada pessoa...  A noção do que se pode e do que não se pode fazer ficou totalmente vulgarizada... E chegou a um patamar de BESTIALIDADE HUMANA... Inversão total de valores....

NÃO DÁ PARA NEGAR AQUILO QUE UMA PESSOA FAZ. NÃO DÁ PRA NEGAR AQUILO QUE ESTÁ INSCRITO NA PELE DE ALGUÉM...

O RECHAÇO  SE CARACTERIZA NÃO SÓ PELA NEGAÇÃO DAS EVIDÊNCIAS, NEGAÇÃO SISTEMÁTICA, MAS TAMBÉM PELA TORPEZA EM DESCONSTRUIR A IMAGEM DA PESSOA. 

AS SUTILEZAS DO "AMOR" SÃO MUITAS, E INSUSPEITAS.... 

A hostilidade se dá muitas vezes quando a pessoa percebe que não tem abertura para fazer tudo o que quer com a outra pessoa, no uso de sua autoridade ou lugar. Ou quando o outro é uma pessoa justa, honesta e boa. Não encontram respaldo para os seus atos, porque o outro é sensato, e sabe distinguir as coisas.... Isso provoca uma hostilidade sem limites que se agrava ao longo do tempo.

A alteridade da outra pessoa quando está bem demarcada, sem se sugestionar pelas ameaças e chantagens emocionais e ou materiais do outro, também causa hostilidade. 

A hostilidade faz com que a pessoa use de todos os artifícios possíveis: chantagem, humilhação sistemática, desconstrução da imagem do outro diante de pessoas conhecidas, montagem de uma história particular onde o outro é o personagem  evasivo e agressivo e por aí a fora..... E a capacidade de se tornar "camaleão".... As chantagens emocionais, e humilhação são sempre feitas entre quatro paredes. Na frente das demais pessoas, mudam completamente de atitude, se tornam um "anjo" ....Usam de  retaliação, tentativa de afastar essa pessoa do grupo familiar ou social, e até exclusão mesmo. Quando não eliminam de fato. Não esboçam qualquer sentimento ou culpa... Agem como se nada tivesse acontecido. Humilham a pessoa, machucam, magoam e continuam agindo como se não tivessem feito absolutamente nada....

ISSO MEUS SENHORES, NÃO É BRINCADEIRA.

SEMPRE HÁ RISCO DE MORTE PARA UMA PESSOA QUE É HONESTA, BOA E JUSTA.

Quando a pessoa não aceita as determinações e escolhas do outro para si própria. Quando decide ir por outro caminho, quando se trata realmente de uma pessoa "diferente" em relação ao grupo, tudo isso acarreta hostilidade sistemática.



sábado, 24 de novembro de 2012

Jacques Lacan parte 3/7 Grandes pensadores Encuentro completo

AS SUTILEZAS DO AMOR - DENISE FRANÇA

Curitiba, 24 de novembro de 2012.

A empatia em relação ao outro nos permite uma outra forma de ocupação, uma outra maneira de relação.

Nem sempre o tempo de vida  ao lado de alguém significa compromisso verdadeiro, atenção, cuidado, responsabilidade, admiração, carinho, ternura, prazer, respeito.  Sinto muito em afirmar quase o contrário. Muitas pessoas ao longo de suas vidas, dentro de um casamento, ou relação há mais tempo, se EQUIVOCAM  redondamente, criam uma bolha compactadora no lugar deste impossível: a autonomia e a diferença, a alteridade de cada ser.

Casam-se munidos da ideia de complementar o outro, e se complementar através do outro. Este furo, este vazio, este buraco inerente ao ser-humano, o conduz a uma série de comportamentos, a vivência da ansiedade, do medo, do desconforto, da angústia,  o impulsionam a procurar pessoas ou coisas que aliviem e ou atenuem esta sensação. ILUSÃO.

A dramaticidade humana em relação a tudo aquilo que lhe causa pesar, merece uma atenção particular. Nós fomos ensinados a agir desta forma. Ao longo dos anos, um extenso aprendizado de "queixas", orientações para o sofrimento, para produzir problemas, para nos sentirmos inaptos e coitados....

O AMOR SEMPRE VEM EM BOA HORA PARA NOS SALVAR DE NÓS MESMOS.

Cada sujeito deveria fazer este outro exercício diário, buscar o primeiro amor, qual o impulso derivado do nosso ser que nos faz ir em direção ao outro. De que modo buscamos o outro, qual o tipo de atitude em relação ao outro,  qual a intenção que caracteriza essa atitude, de que forma abordamos o outro, qual as artimanhas para arrebatar o outro, e assim por diante.

DRAMATICIDADE HUMANA, porque é produzida em lugar de.  A série de identificações a que nos prendemos ao longo da vida, tem essa função de preenchimento, é o viés de toda e qualquer possibilidade de autonomia. Nós não sabemos o que queremos, não nascemos sabendo AMAR, a necessidade do outro passa pelas nossas vidas logo cedo, a autoridade do outro em relação a nossa pessoa nos marca desde o início....  

Diante de tudo isso, procuramos delinear uma ROTA com aquilo que temos, sentimentos, sensações, crenças, que nos abastecem desde o início. E o que é pior, não colocá-los à prova, não contestá-los, e ainda assim, torná-los fontes de transmissão de SABER.

Não temos AUTORIDADE para  determinar a vida de outrem, sequer a nossa. 










quinta-feira, 22 de novembro de 2012

A TRAIÇÃO - DENISE FRANÇA

Curitiba, 22 de novembro de 2012.

COMENTÁRIO A RESPEITO DE UM TEXTO DO DOUTOR GIKOVATE, SOBRE A TRAIÇÃO....

A TRAIÇÃO se caracteriza pela violação de um pacto de confiança, honestidade, segredo. E principalmente,  quebrado  sem ser revelado. Descobrimos se a pessoa nos conta, ou por terceiros. Nos sentimos decepcionados, frustrados...

Mas a meu ver, a traição é sempre consigo mesmo. Não podemos mentir sobre as coisas que sentimos. Não podemos ocultar nossas intenções do nosso ser. 

A nossa vida não é programável... Gostaríamos de levar a termo aquilo que queremos, pensamos, nossos objetivos. Muitas coisas acontecem, outras não.

O DOUTOR LACAN, no Seminário sobre a Carta Roubada, “La lettre volée” fazendo uma leitura a partir do texto de Edgar Alan Poe, observa a emergência daquilo que nos é revelado.  E Lacan faz essa pontuação: "A carta sempre chega a seu destino...".

"Do seu título original em inglês dado por Poe ao da sua tradução para o francês – “La lettre volée” – podemos ler: carta posta de lado, carta virada (renversée) e, também, desvi[r]ada.  Este sujeito – a carta desviada –, ou mais especificamente, seus trajetos, seus rastros, suas trilhas e desvios e deslocamentos é que determinam os papéis das personagens ao longo do conto, bem como de suas metamorfoses. Estas equivalem a retornos do recalcado. As paragens e percursos da carta servem para indicar-nos posições subjetivas." (Geraldo Majela Martins) 

Eu parto deste princípio: o maior segredo que uma "carta" pode comportar é a "espera". O tempo de espera,  o desespero, o tempo onde os "anagramas" estão  sendo decifrados pelo interlocutor. E nesse sentido, aquilo que enviamos, não nos pertence mais. Se é que algum dia nos pertenceu...

A assimilação, a compreensão, a percepção... Repassamos esse "anagrama" (ROMA - AMOR) para outras pessoas, outros sujeitos, e acontecem uma série de coisas... OU seja,  nós nos tornamos vários na infinita cadeia de identificações ao longo da vida, perpetuidade... E ao mesmo tempo não desejamos isso....

Em que sentido, com que espécie de vetor colocaríamos a "traição" aqui?! Ilusão, desgraça, degradação,
vilipêndio à felicidade, ao lugar como tal...  De repente, não mais que de repente, a imagem sonhada, a "fotografia" do amado se encerra em outro tempo, outro espaço, acompanhada de outro sonho... 

“O primeiro é o de um olhar que nada vê: é o Rei, é a polícia. O segundo, o de um olhar que vê que o primeiro nada vê e se engana por ver encoberto o que ele oculta: é a Rainha, e depois o ministro. O terceiro é o que vê, desses dois olhares, que eles deixam a descoberto o que é para esconder, para que disso se apodere quem quiser: é o ministro e, por fim, Dupin” (LACAN. Escritos, p. 17). 

POR TRÁS DE TODO AMOR.... SEMPRE HÁ UM SIGNO DE PERMISSÃO. UM PASSE.

Quando descobrimos que o outro tem outra pessoa, imediatamente a imagem se despedaça, feito um espelho quebrado. Por quê?! Porque necessariamente é a nossa imagem ideal que nos foge. É o curto-circuito, realidade-sonho.

O incrível, na realidade nada mudou: continuamos sendo nós mesmos em nossas dificuldades, nossas idades... O outro por sua vez, também.

Diante de tudo isso, penso que obturamos ou solapamos algo de nós mesmos, mediante tamanha decepção ou sofrimento.  JUSTA OU INJUSTAMENTE.

Não nos ocorre que o amor não acabou?! Porquê o sentimento amor acabaria em razão do outro não nos querer mais ou não nos reconhecer mais, desfocando seu centro de ação para outra direção?!

O AMOR não seria mais amor se permitíssemos essa passagem, concedêssemos esse "passe" ao outro?! Não seria justamente nesse "tempo" reconhecer que estamos amarrados apenas a uma série de identidades,  ou fragmentos de possíveis, não sendo em cada um senão algo "parecido", muito próximo, algo crível de uma produção onde conhecemos o destino?!

Eu penso que é só no depois, e no aproveitamento deste tempo, separação, amar melhor. OU RECONHECER A POSSIBILIDADE DE PRODUZIR ALGO MELHOR....






sábado, 10 de novembro de 2012

APRENDI UM POUCO COM DEUS E COM O ARQUITETO OSCAR NIEMEYER

CURITIBA, 10 DE NOVEMBRO DE 2012.


O TEMPO É O MELHOR CONSELHEIRO, JÁ DIZIA MINHA AVÓ... HÁ TEMPO PARA
 DANÇAR, HÁ TEMPO PARA COLHER, HÁ TEMPO PARA TUDO.... A NATUREZA EM SI, JÁ É UM ENTUSIÁSTICO MONUMENTO DO ESPAÇO E DO TEMPO... COISAS LINDAS, ATÉ MESMO A ÁGUA EM CONTATO COM UMA ROCHA, ANO APÓS ANO, A TORNA REDONDA.... NÃO DEVEMOS NOS "CRISTALIZAR"... CRISTALIZAR NOSSOS PENSAMENTOS TORNANDO-OS PRECONCEITOS, NOSSOS JUÍZOS TORNANDO-OS INJUSTIÇAS... PRECISAMOS NOS LOCOMOVER COMO O TEMPO, SE FAZENDO VENTO, SE DESPEDINDO DO NOSSO SER ANTIGO, PARA O NOVO... TRANSFORMANDO A VIDA DE UMA MISÉRIA, PARA  UMA VITÓRIA.... É ISSO.









MINHA AVÓ PATERNA - ALVINA

CURITIBA, 10 DE NOVEMBRO DE 2012.

MAIS ALÉM DO SEU TEMPO






C

UM POUCO MAIS SOBRE O AMOR - DENISE FRANÇA



Curitiba, 09 de novembro de 2012.


UM POUCO MAIS SOBRE O AMOR


SEMINÁRIO 8: "A TRANSFERÊNCIA" (JACQUES LACAN)


"Fedro nos dice que el amor, que es el primero de los dioses que imaginó la diosa del Parménides, en el cual no quiero detenerme aquí, y que Jean Beaufret en su libro sobre el Parménides identifica, creo, más justamente que con cualquier otra función a la verdad, la verdad en su estructura radical -y repórtense sobre esto a la manera como he hablado en la cosa freudiana: la primer imaginación, invención de la verdad es el amor. Y también nos es aquí presentado como siendo sin padre ni madre. No hay genealogía del amor. Sin embargo, la  referencia ya se hace a Hesíodo en las formas más míticas. En la presentación de los dioses ese algo que se ordena es una genealogía, un sistema del parentesco, una teogonía, un simbolismo . En esta mitad del camino que les he dicho que va de la teogonía al ateísmo, esta mitad del camino que es el dios cristiano, vean desde el punto de vista de su organización interna, este dios trino, este dios uno y tres ¿qué es? si no la articulación radical del parentesco como tal en lo que tiene de más irreductible, de misteriosamente simbólico. La relación más escondida, y como lo dice Freud, la menos natural, la más puramente simbólica, la relación del padre al hijo. Y el tercer término permanece ahí presente bajo el nombre del amor. Es de allí que partimos, del amor como dios, es decir como realidad que se revela en lo real, que se manifiesta en lo real, y como tal sólo podemos hablar de él como mito. Es por eso que estoy también autorizado ante ustedes para fijarles el término, la orientación de lo que se trata cuando intento dirigirlos hacia la fórmula metáfora-substitución, del erastés al eromenón. En esta metáfora que engendra este significado del amor. Tengo el derecho de introducir esto, para materializarlo ante ustedes, de completar mi imagen, de hacer de ella verdaderamente un mito."


Estamos fora disso, porque a manifestação daquilo que somos quase sempre chega até a outra pessoa com variações, com as vicissitudes do outro... E estamos de fato saboreando um bocado da maçã, não sei se conheceremos  o resto...

Existem pessoas incríveis no mundo, isso não significa que sejam mais humanas, ou especiais. São especiais de fato mas por conseguirem ter filtrado do vivente humano, tudo,  a infinitude de manifestações.... 

Se eu partisse desse mundo hoje, partiria feliz...  A pessoa humana e a vida me encantam por demais, apesar da miséria e apesar das tristezas e sofrimentos. 

Eu pude amá-los no transpasse de mim mesma, sem egoísmo, com a perfeita definição do ser e não do ter... Amei o gesto, amei o gosto, sentir o amargor, senti a dor, perdi, não recuperei, tornei a amar, senti a alegria do sorriso, a delicadeza das pequenas expressões, a sutileza do prazer, o gozo magnífico e extraordinário ao lado de um homem, a sensação de criar uma pequena criatura e vê-la crescer, a descoberta de coisas diferentes e inusitadas, a ousadia de transgredir, a permanência do amor mesmo diante das asas abertas no precipício do vazio e solidão absolutos...

Eu digo, sempre em mim permaneceu o amor... e assim será. 

Descubro as pessoas no dia a dia com alegria... com ternura. Respeito o espaço da alteridade, e sigo sem impedir o outro de se despedir quando assim quiser. O meu costume é esse, porque dentro de mim, em minha vida, toquei a essência, signifiquei meu nome, inventei outro nome, descobri o verdadeiro nome, e isso me basta.  Sou pessoa humana.  









sexta-feira, 9 de novembro de 2012

UM POUCO SOBRE O AMOR - DENISE FRANÇA

Curitiba, 09 de novembro de 2012.


UM POUCO SOBRE O AMOR. 

Existem autoridades e doutores em todas as especialidades, e complicações... A tecnologia andou, andou, andou, ontem eu estava na sala de espera do CETAC, esperando o resultado da mamografia, ultra sonografia..., enfim, a tecnologia consegue filtrar nosso corpo, descobrir coisas.... Ali no CETAC haviam muitas pessoas esperando, e isso não pára nunca....

O CORPO HUMANO... Atravessamos esse corpo, com a luz, com o laser, as grandes cirurgias, quando se abria o corpo com o bisturi..., estão sendo substituídas pelo laser, por operações microscópicas, enfim.... e isso vai longe,  realmente a tecnologia é uma coisa de louco...

Mais ao alcance do povo, se aproximando mais um pouquinho do povo, as coisas estão melhores do que dantes....

MAS, ESSE ATRAVESSAMENTO DO CORPO HUMANO, não chega até a ALMA... Mesmo a para-psicologia que assim pretende entender os fenômenos para-normais, ainda assim, não chegamos a esse NÚCLEO, O KERN...

CONGRATULAÇÕES A TODOS OS MÉDICOS, AOS DOUTORES....  Existem pessoas excepcionais em todas as áreas, vivendo para isso...

EU NÃO TENHO TÍTULOS, E NEM OS QUERO... A minha experiência de vida tenho repassado aqui neste BLOG, nas entrelinhas da minha vida, e observação humana, animada pelos comentários, textos, vídeos do DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE....

ANIMADA PELA PRESENÇA DESTE DOUTOR, GIKOVATE, tenho vontade de falar e escrever....

Porque existem lembranças em minha vida de muito trabalho realizado em análise, em PSICANÁLISE, com outro doutor, VELLOSO, e isso implica saudades daquele trabalho, saudades de outros amigos, muito queridos que deixaram em minha vida um SINAL DE AMOR, de perseverança, de trabalho mesmo, trabalho de vida, sem se resignar e nem persignar com o óbvio, com o empuxo cultural.... e sem se ENVAIDECER COM OS TÍTULOS....

Por isso, e só por isso, me anima falar, escrever, isso é muito gostoso.... Escrever para mim é uma necessidade, elaborar pensamentos, criar, expressa-los, é uma prioridade em minha vida...

ESCREVER É UM RAIO X, OU UMA FOTOGRAFIA HUMANA DE OUTRA NATUREZA...

Nada aqui é dito ao acaso, mesmo que pareça... Nada na minha vida, de vivido ou percebido, é dito ao acaso.... tudo elaborado, e facultado dentro disso: RESPEITO HUMANO. Muita leitura, MUITO ESTUDO....

O AMOR, linguagem diferenciada neste universo CIENTÍFICO... 

"OS RICOS NÃO SABEM AMAR",  "É MAIS FÁCIL UM CAMELO PASSAR PELO BURACO DE UMA AGULHA, DO QUE UM RICO ENTRAR NO REINO DOS CÉUS"... 


Vamos pegar essa duas frases, uma do Lacan, e outra de Jesus... O Lacan considerado um PSICANALISTA BÍBLICO, fez a leitura dos textos bíblicos... e catou ali coisas incríveis... Principalmente no SEMINÁRIO 3  - Introdução a uma questão sobre a Psicose, quando ele fala: 


"La noción de comprensión tiene una significación muy neta. Es un resorte del que Jaspers hizo, bajo el nombre de relación de comprensión, el pivote de toda su psicopatología llamada general. Consiste en pensar que hay cosas que son obvias, que, por ejemplo, cuando alguien está triste se debe a que no tiene lo que su corazón anhela. Nada más falso: hay personas que tienen todo lo que anhela su corazón y que están tristes de todos modos. La tristeza es una pasión de naturaleza muy diferente. Quisiera insistir. Cuando le dan una bofetada a un niño, ¡pues bien!, llora, eso se comprende; sin que nadie reflexione que no es obligatorio que llore. Me acuerdo del muchachito que, cuando recibía una bofetada preguntaba: ¿Es una caricia o una cachetada?. Si se le decía que era una cachetada, lloraba, formaba parte de las convenciones, de la regla del momento, y si era una caricia, estaba encantado. Por cierto, esto no agota el asunto. Cuando se recibe una bofetada, hay muchas maneras de responder a ella además de llorar, se puede devolverla, ofrecer también la otra mejilla, también se puede decir: Golpea, pero escucha. Se presenta una gran variedad de secuencias que son descuidadas en la noción de relación de comprensión tal como la explícita Jaspers. De aquí a la vez que viene pueden referirse a su capítulo la Noción de relación de comprensión." 


"En cambio, nada hubo comparable a la manera en que procede con Schreber. ¿Qué hace? Toma el libro de un paranoico, cuya lectura recomienda platónicamente en el momento en que escribe su propia obra -no dejen de leerlo antes de leerme- y ofrece un desciframiento champollionesco, lo descifra del mismo modo en que se descifran los jeroglíficos. Entre todas las producciónes literarias del tipo del alegato, entre todas las comunicaciones de quienes, habiendo pasado más allá de los límites, hablan de la extraña experiencia que es la del psicótico, la obra de Schreber es ciertamente una de las más llamativas."


"Hay allí un encuentro excepcional entre el genio de Freud y un libro único. Dije genio. Sí, hay por parte de Freud una verdadera genialidad que nada debe a penetración intuitiva alguna: es la genialidad del lingüista que ve aparecer varias veces en un texto el mismo signo, parte de la idea de que debe querer decir algo, y logra restablecer el uso de todos los signos de esa lengua."

"La relación con el propio cuerpo carácteriza en el hombre el campo, a fin de cuentas reducido, pero verdaderamente irreductible, de lo imaginario. Si algo corresponde en el hombre a la función imaginaria tal como ella opera en el animal, es todo lo que lo relacióna de modo electivo, pero siempre muy difícil de asir, con la forma general de su cuerpo, donde tal o cual punto es llamado zona erógena. Esta relación, siempre en el limite de lo simbólico, sólo la experiencia analítica permitió captarla en sus mecanismosúltimos. Esto es lo que el análisis simbólico del caso Schreber demuestra."


"Traduciendo a Freud, decimos: el inconsciente es un lenguaje. Que esté articulado, no implica empero que esté reconocido. La prueba es que todo sucede como si Freud tradujese una lengua extranjera, y hasta la reconstituyera mediante entrecruzamientos. El sujeto está sencillamente, respecto a su lenguaje, en la misma relación que Freud. Si es que alguien puede hablar una lengua que ignora por completo, diremos que el sujeto psicótico ignora la lengua que habla."


SEMINÁRIO 8: "A TRANSFERÊNCIA":



 "La célula analítica, incluso mullida, incluso, todo lo que ustedes quieran, no es nada menos que un lecho de amor y esto, creo, se debe a que a pesar de todos los esfuerzos que se hacen para reducirla al común denominador de la situación, con toda la resonancia que podemos otorgarle a este término familiar, no es una situación a la que hay que llagar, como lo decía hace un momento, es la más falsa situación que existe. Lo que nos permite comprenderlo, es justamente la referencia, que procuraremos tomar la próxima vez, referencia a lo que está en el contexto social, la situación del amor mismo. Es en la medida en que podamos seguir de cerca, retener lo que Freud tocó más de una vez, lo que es en la sociedad la posición del amor, posición precaria, posición amenazada, digámoslo ya, posición clandestina, es en esa medida misma que podremos apreciar por qué y cómo, en esta posición, la más protegida de todas, la del consultorio analítico, esta posición del amor, allí, se vuelve aún más paradojal. Suspendo aquí, arbitrariamente, este proceso. Que les baste con ver en qué sentido quiero que tomemos la cuestión. Rompiendo con la tradición que consiste en abstraer, neutralizar, vaciar de todo su sentido lo que puede ser cuestionado, en el fondo de la relación analítica, tengo la intención de comenzar por el extremo de aquélla que supone aislarse con otro para enseñarle ¿qué?."

"Quiero decir que ese Zeus, esta Afrodita, y este Eros, son el padre, el hijo y el Espíritu Santo. Esto simplemente para permitirles imaginar de lo que se trata cuando Fedro habla en estos términos de Eros. Hablar del amor para Fedro, es hablar de teología. Y, después de todo, es muy importante darse cuenta que este discurso comienza con una introducción así, ya que aún para mucha gente, y justamente en la tradición cristiana, por ejemplo, hablar del amor es hablar de teología." 


(hahahahahahahahhahahaha......)


O LACAN é um filho da mãe mesmo.... hahahaha...

Mas, desses parágrafos acima dá para sacar que não existe regularidade na conduta humana. O ser humano, a via da regra e de valor que ele aplica em sua conduta diária já é uma espécie de embuste. 

O sujeito humano não sabe o que é o AMOR. Não sabe amar.... E, de trás para frente, no reverso desta questão, quando ele se dedica a entender ou "compreender" algo que está afetando sua vida, sua particularidade, é porque, exatamente aí, ele transgride, ou seja, produz um artifício, na verticalidade da cultura, ele produz esse artifício: o AMOR. 

Na horizontalidade cultural, ele procura saber.

Parece loucura, mas é isso mesmo. Existe algo na conduta humana que escapa à compreensão, mas está ali, e se manifesta todos os dias.... E se manifesta mais profundamente enquanto signo, AMOR. Reiteradamente, é neste momento de desolação, de angústia - porque é esse exatamente o movimento, onde o bicho homem se encontra com a sua verdade. E só pode abarcá-la sob o risco de morrer, e mais uma vez, produz, historicamente falando, a ciência que o reproduz, enquanto imagem, sonho, futuro, possibilidade. 



E eu estava ali, como no início, no princípio de tudo, a originalidade humana...  A linguagem do AMOR,  esperando na sala do CETAC, e observando esta sinuosidade humana, pessoas entrando e saindo, com suas chapas e resultados, mais próximos do CORPO HUMANO, da textura do vivente, como absolutamente impróprios, incoerentes, com um número de série nas mãos, desconhecendo a vida, ora vivendo, sobrevivendo, nas proximidades da morte, na restauração da vida, no artifício mesmo...

"No princípio era o VERBO, e o VERBO se fez CARNE..."



domingo, 4 de novembro de 2012

David Gilmour HD - Remember That Night (Full Concert, Royal Albert Hall ...




MA-RA-VI-LHO-SO!!!! 
O CARA É UM MAGO... POR ISSO VALE A PENA VIVER....

PESSOAS RARÍSSIMAS....

A INCOMPLETUDE HUMANA - DENISE FRANÇA

Curitiba, 01 de novembro de 2012.

COMENTANDO O TEXTO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE, SOBRE A INCOMPLETUDE DO HOMEM...

Estamos chegando ao NATAL, outra vez... Ontem fui até o centro de Curitiba, e percebi que as lojas já começaram com os enfeites de natal, e o número de pessoas aumentou... Fui andando pelas ruas, e percebi um mendigo ainda dormindo no chão, e ao seu lado um cachorro ensonado... Percebi estas criaturas na contramão do consumo.... 

Voltei para casa, eu estava triste... Essa tristeza vez ou outra me pega, não é uma tristeza derivada da minha pessoa, é uma tristeza das coisas que vejo...  Quando frequento as aulas de teatro no CEP, volto para casa alegre, quase sempre sorrindo....  Aqueles meninos e meninas me dão alegria, são pessoas sensíveis, com sonhos, esperanças, começando a ir de encontro ao seu destino, pensam, tem um pensamento crítico, fazem uma leitura da realidade, se preocupam uns com os outros.... Procuram ser honestos consigo mesmos, e esse caminho tende a ir em frente... Isso muito me alegra mesmo, e principalmente, aceitam a minha presença, gostam de mim...

Na minha família  meu pai e minha mãe não saem daquele centro especular...., queixas, sofrimento, dinheiro....  Assistem televisão, passam a maior parte do tempo falando das pessoas, fazendo fofoca, não são sensíveis, nem carinhosos, curtem a dor, preferem os problemas, e não são sinceros.... Simplesmente não me conhecem, fabricaram uma Denise que não existe, e com a qual travam lutas, guerras,  sou o motivo do sofrimento deles, e da desgraça em geral.... Essa imagem foi criada pelo meu pai  já há muito tempo, imagem que ele repassa sistematicamente e incansavelmente as demais pessoas da família e fora da família... Imagem que ele usa para suprir sua demanda interior, de frustração, insatisfação, e autoritarismo radical.... 

FELIZMENTE SOU O CONTRÁRIO DISSO TUDO. (Por um bom tempo em minha vida tentei ser o que meu pai dizia... Tentei acreditar que era o que ele dizia, tentativa que quase me levou a loucura... Mas, não existe maldade dentro de mim, e alguém que não é ruim não pode praticar o mal... Eu sou o que sou...). 

Estranha para a família, fora do ninho desde cedo. Isso muito me entristece, por demais, mas levo os meus compromissos até o fim. Sou eu que cuido da casa, que vem segurando a barra dos outros, em todos os sentidos.... Sei porque faço isso, não me deixo entregar a esta ideia criada por eles, de que sou problema, de que não presto... Estão cristalizados nesta forma, e não conseguem sair disso. E eu que estou de fora, sou o paredão desta projeção especular... Isso não é um privilégio meu,  porque provavelmente acontecesse assim em todas as famílias...

Frequento uma academia, e gosto de exercícios, atividade física, lá as pessoas também são queridas, amigas, pessoas da terceira idade, percebo outra realidade, e me deixa feliz saber que estas pessoas estão procurando uma qualidade de vida melhor.... Também saio de lá me sentindo bem...

A companhia das criaturas de focinho e a natureza em geral, me dão grande contentamento, paz e tranquilidade. São criaturas afetivas, sensíveis, inteligentes e sociáveis.... Na companhia destas criaturas realimento o meu vigor espiritual, me coloco outra vez em sintonia. Gosto da quietude, do silêncio, vejo e percebo que sou uma pessoa legal, estou bem comigo mesma...

Outro lugar que frequento, a igreja dos Freis Capuchinhos, ao lado de minha casa.... Existem amigos mais carentes que me fazem ir até a igreja, saber como estão... Converso com essas pessoas, troco idéias, brinco, sempre com senso de humor, escutando e apaziguando a irritabilidade, o desconforto, descentrando a dor e tristeza quando a realidade é muito cruel.... Amo muito os Freis Capuchinhos, e a recíproca é verdadeira. São pessoas habilitadas para aquilo que fazem, não são religiosos radicais, tem uma espiritualidade que caminha com a realidade do mundo, tentam adaptar esta igreja a esta realidade. Escuto as palavras deles, nos sermões, conversas, e da mesma forma me sinto tranquila, recupero a minha alegria, com estes freis capuchinhos.... E ademais, percebo coisas inusitadas e divertidíssimas vindo da parte deles... 
Muitas vezes já me deu ataque de riso, ouvindo estes capuchinhos.... hahahaha.... O que eu sinto é uma sensação próspera de muita alegria mesmo, na presença deles...

Quanto à comunidade, hoje já não me olham da mesma forma como antes... Existe respeito a minha pessoa...  Mas a hipocrisia continua na conduta  e vida de tantos, por aqui....

Ando sempre pelas ruas, conhecendo os lugares, o tipo das pessoas, conversando, escutando, ouço muito o rádio, tenho profundo respeito pelas pessoas do povo, que são aquelas que mais gosto de conviver... 

A minha vida espiritual é cultivada pela leitura, convivência diária com o mundo, com a diversidade de mundos, a música é fundamental na minha vida, a criatividade,  a produção de coisas novas.... 

A sensação que tenho é de um extrato antigo para um extrato novo, é isso que percebo. Mesmo as pessoas que cultivam a hipocrisia, ou seja, a falsidade e a aparência, mesmo essas pessoas se deparam com a realidade de sua ignorância, de sua prepotência.... do seu profundo egoísmo. São pessoas infelizes.

Todos de um modo geral, naquilo que escuto do que dizem, e naquilo que a conduta deles mostra, revela,  a tentativa constante de assimilar outra coisa, e de responder a essa demanda, a solidão, a incompletude humana.... 

Percebo que a maioria das pessoa insatisfeitas consigo mesmas, depositam em outras pessoas a sua insatisfação, são pessoas consumistas, compensam esta insatisfação comprando coisas, para manter um status e uma aparência de que tem alguma coisa de sobrevalor sobre as demais pessoas... Tem necessidade de subjugar outras pessoas, sempre seguindo um critério de superioridade e inferioridade. Não aceitam diferenças, vivem em razão de preconceitos, não procuram descobrir e perceber as coisas em sua complexidade e particularidade.

Existem pessoas intermediárias, que percebem a realidade, pensam, e ficam no meio termo, são capazes de mudança, mas são sugestionáveis, e inseguras... Padecem por falta de ousadia... Aceitam a realidade precária, por medo de perder a estabilidade aparente... E aceitam aquilo que é conveniente aceitar...

E existem pessoas raras, diferentes, ousadas, profundamente honestas consigo mesmo e com as demais pessoas, geralmente mais sozinhas, não se conformam com a realidade, criativas, sobrevivem a tudo e a qualquer revolução ou tempestade... Estão além de seu tempo, e se ultrapassaram... São substanciais...

Eu sou assim...

Para essas pessoas a incompletude humana se encontra num nível secundário, porque não trava o curso da vida, a vida sendo mais importante do que as comiserações humanas. Eu diria que não sucumbem a este ruído, ao murmúrio dos pensamentos, à infinitude das queixas... Não sucumbem ao prazer imediato e á aparência das coisas...

Sensibilidade, intuição, inteligência e criatividade... Gostam de aprender, aceitam as diferenças, vão de encontro ao inusitado, curtem a vida, não se deixam abater. A alegria de viver é real e são pessoas autênticas.  Geralmente são pessoas simples, e o seu conhecimento é real, e por isso mesmo são humildes, não se colocam superiores aos outros... Sabem e não tem carência de títulos... São muito mal compreendidas em seu tempo, chamadas de loucas, ou outros adjetivos...









Essas pessoas respeitam profundamente todas as manifestações humanas, cultura, raça, crenças, a arte, a ciência, os cultos, e acreditam que a angústia, a ansiedade, a desesperança, a dor, o sofrimento, existem, existem e colaboram para o sentido mais criativo da ALMA HUMANA... SÃO AMIGOS DA HUMANIDADE.




sexta-feira, 2 de novembro de 2012

JANIS JOPLIN EN MONTERREY

JANIS JOPLIN - Summertime Recording Session (1968)

Janis Joplin - Little Girl Blue (This is Tom Jones, 1969)




MA-RA-VI-LHO-SA!!!!

Solo Guitar - Gilmour / Marvin - In Concert "50 Years Of The Fender St...




MA-RA-VI-LHO-SO!!!!

Solo Guitar - Gilmour / Marvin - In Concert "50 Years Of The Fender St...

Pink Floyd - On The Turning Away Live HQ!!!

Shine On You Crazy Diamond, Pink Floyd - David Gilmour

David Gilmour Wish you were here live unplugged

PINK FLOYD "Coming Back To Life" (1994)