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terça-feira, 29 de maio de 2012

PORQUE OS PROCESSOS SE PARECEM COM KAFKA - DENISE FRANÇA

PORQUE OS PROCESSOS SE PARECEM COM KAFKA

Curitiba, 29 de maio de 2012.

Os processos se parecem com kafka, no que diz respeito a sua impossibilidade.  Um dia, sem saber, a gente acaba.
Agora, todos os processos estão sendo digitalizados. O bolor das páginas, o resíduo do tempo, ficará esquecido, outros diretórios, e outras repartições. Em tempo real, nos alcançará aquela barata inominável de Clarice Lispector.
As palavras maleáveis e usadas no dia-a-dia, estão sendo processadas.  De que forma o nosso terror se aglomera, e cria  uma malha fina e sinistra de redes.

O vírus aprovará os processos, apagará o tempo, numa mesquinha forma.

À mercê do outro, nas dobras do cotidiano, moramos. Nos intervalos de hipótese, configuramos um tempo outro, um novo tempo, e divulgamos  uma imagem, apenas uma imagem sem a substância do corpo, da sensação, do sentimento, da emoção, o sangue, e as tripas que comprovam a possiibilidade da morte.
O infinito, a rosa aguardando ao vento, as claves das dunas no deserto, o movimento e a transformação dos ruídos vividos.
Os processos, sempre os processos, inspecionados na hora onde o homem não é homem, onde o homem é deixado ao canto, onde o homem é absorvido no silêncio de si mesmo, para nenhum lugar, nesta hora, os processos são selecionados, contados, gavetados, aludidos.
E, absolutamente, nenhuma presença.
ATURDIDO, ATURDITO.

Excentricidade de um furo, colapso do morto, prostituição do sagrado, justiça da bezerra morta.
JUIZ que saiu de casa, colocou sua toga, revogou a lei, bateu e setenciou e concluiu.
Retirou sua toga, estacionou o carro, e ela abriu suas pernas, e ele sentiu o gosto da saliva e conseguiu no fato instantâneo da vontade, sua falta humana de verdade.
Essa foto, diafragma e luz de seus olhos dentro dos peitos dela, era o princípio de algo, possivelmente, a primeira página de um ato,  alforria de sua idade.

domingo, 27 de maio de 2012

A CORPORAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL E A INCORPORAÇÃO - DENISE FRANÇA



CURITIBA, 26 DE MAIO DE 2012.

A PROPÓSITO DE TUDO O QUE JÁ FOI DITO SOBRE A POLÍCIA CIVIL:


Eu digo:  A DESPEITO DE TUDO O QUE JÁ FOI DITO: EXISTE A CORPORAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL E EXISTE A INCORPORAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL.

Como muitas pessoas sabem, eu sou filha de um GUARDA CIVIL, que trabalhou na SECRETÁRIA DE SEGURANÇA PÚBLICA DO PARANÁ, há muitos anos... Agora este homem tem 83 anos, e o nome dele é JABES CORRÊA DE FRANÇA. O salário dele não passa de R$ 2.800 reais.... Durante o dia ele trabalhava na Segurança, e a noite dava aulas, professor de Letras e Inglês.  No ano de 1966, foi para os ESTADOS UNIDOS DA AMÉRICA, fazer um curso na ACADEMIA INTERNACIONAL DE POLÍCIA, e lá ficou uns 6 meses, mais ou menos. Eu nasci em 1965. 
Acreditem, aprendeu muitas  coisas, tem uma pasta cheia de cursos e certificados (que provavelmente não foram aproveitados...). Mas quando ele voltou ao Brasil, a  Guarda Civil foi extinta,  não aproveitaram nada do conhecimento obtido na ACADEMIA INTERNACIONAL DE POLÍCIA, para melhorar a qualidade dos demais policiais... Infelizmente, desde aquela época, a policia, ou a guarda, estava submetida ao Poder do Estado, ou seja, aos critérios, mandos e desmandos  da Política vigente...

Sempre foi assim, o funcionamento da legislação, e a politicagem, impedem que a Instituição ganhe em qualidade e aprimoramento.... Meu pai entrou com uma ação no Tribunal de Justiça para reaver algumas questões, O PROCESSO ATÉ HOJE ESTÁ PARADO, NÃO FOI VISTO E NEM REVISTO, ESTÁ LÁ. Ele sempre liga para o Tribunal de Justiça, e NADA. NADA. A resposta é esta: NADA. Meus Deus, isso faz anos, muitos anos... Coitado, mas a esperança é a última que morre, não é mesmo?!

Então, na minha família, além do meu pai, meu irmão é PAPILOSCOPISTA, e minha prima, já aposentada,  trabalhava no IML, como perita criminal, além de ter trabalhado anos como secretária no SINDICATO DOS POLICIAIS CIVIS... 
Meu pai queria muito que eu entrasse na Polícia Civil, quando eu tinha 18 anos. Fui até o IML, a pedido dele, para começar a trabalhar em retratos falados. Mas, já naquela época também, quem entrava antes, era quem tinha QI., quem indique. E no meu lugar foi escolhido um rapaz, filho de um senhor que já trabalhava ali, um tal de Coutinho...
Pois bem, quer queiramos ou não, as crianças, e a família, fazem parte desta CORPORAÇÃO. Ou seja, nós INCORPORAMOS o trabalho dos nossos pais. Desde criança, sem meu pai saber, eu sempre estudei tudo o que ele estudava e lia. Eu era assim. Todo livro que ele abria, eu abria. Vivia em cima do guarda-roupa no quarto dele, fuçando a mala que ele trouxe dos Estados Unidos, onde haviam apostilas e outros materiais referentes à polícia. Lembro-me que eu pegava livros TÉCNICOS relativos à perícia criminal e lia, esses livros eram complexos, tinham mais de 200 páginas.... Livros ótimos, que todo policial deveria ler....  E eu lia todo esse material, sem o meu pai saber:  hahahahaha. A curiosidade infantil leva à aprendizagem...  
E eu me lembro,  nós dois, meu irmão junto comigo, fuçamos no revólver que havia em casa, um revólver calibre 38.  Era perigoso, mas isso aconteceu... Meu pai escondia as balas em outro lugar, incerto. E um dia, deixou de usar o revólver. As algemas, a gente também brincava com elas...
Eu me lembro de pequena, usava os livros que havia aqui em casa como banquinho. Ficava sentada, e folhando as páginas, lendo o que entendia, ou observava as figuras... Havia muitoooooosssss livros. 
Até latim. Me interessava o latim também.... 
E meu pai dava aulas de inglês para a gente, quando voltou dos Estados Unidos. Tinha um quartinho, com um quadro preto, e nós três, eu, meu irmão, e minha irmã, tínhamos aulas de inglês. 
Não tem como ser diferente, as coisas são assim. AS CRIANÇAS APRENDEM, APRENDEM MESMO, AQUILO QUE OS PAIS FAZEM.... FAZ PARTE, E ISSO CHAMA-SE IDENTIFICAÇÃO, INCORPORAÇÃO... 

Brincávamos de DELEGACIA, aqui no porão de casa.... E até pouco tempo atrás, quando meus sobrinhos eram crianças, a DELEGACIA nunca fechou. Eles também gostavam de brincar de Delegacia, de Bandido e mocinho....  Aprende-se com essas brincadeiras. E, A DELEGACIA PERMANECE ABERTA AQUI, NO PORÃO DE CASA, ONDE É O MEU QUARTO. hahaahahaaha...
Isto não é uma metáfora, é um FATO. A família vive e está dentro do serviço e trabalho dos pais.... Incorpora coisas, se identifica com outras, e muitas vezes, segue a CARREIRA DOS PAIS...

CONHECI O DELEGADO RECALCATTI, porque eu quis.  Quando frequentei a ESCOLA DE GOVERNO do ROBERTO REQUIÃO, fiquei com a vontade de prestar um serviço a ele, de alguma maneira, mas não sabia como.... Lá conheci o Delegado Maurílio Alves, e ajudei na campanha para Vereador. Coincidentemente, ACASOS NÃO EXISTEM,  o Delegado Maurílio Alves era amigo de um ex-namorado, Righetto. E então, coincidentemente, ACASOS NÃO EXISTEM, o DELEGADO RECALCATTI  era o chefe da DELEGACIA DE FURTOS E ROUBOS, onde o Righetto era investigador... hahahahahahaaha. Conheci o DELEGADO RECALCATTI em razão do livro que ele escreveu: SEQUESTRO, MODUS OPERANDI, fiquei curiosa para saber o que tinha escrito, e fui atrás dele e fiz amizade... 

(JÁ NO PRIMEIRO CONTATO COM O DELEGADO RECALCATTI, PERCEBI O HOMEM HONESTO, TRABALHADOR, APAIXONADO PELO QUE FAZ, SIMPÁTICO, E MUITO MAIS.... Posteriormente, conheci a mulher do Delegado Recalcatti, LEONICE, PESSOA SENSACIONAL... Isso não é puxa-saquismo, é verdade. Caso contrário, não seria amiga dele.... Só um detalhe, a primeira vez que vi o Delegado, foi no dia 7 de setembro, no Centro Cívico, olhei e vi. Encontrei ele. A mulher dele, eu conheci no ano seguinte, no mesmo lugar onde estava, hahahahhaa, ela olhou para mim e disse: "você não é a Denise, que faz os vídeos???"... hahahaha. Exatamente no mesmo lugar.  E, quando fui visitar o Delegado que estava se recuperando de uma cirurgia, procurando a casa dele, olhei um rapaz, e fui perguntar a rua onde ele morava: Você sabe onde fica a rua tal, onde o Delegado mora??? E o cara disse: Eu sei, sou o filho dele....    hahaahahahahaha.).  ME FALEM DE ACASO, SENHORES....

O ACASO NÃO EXISTE.  E foi assim que eu começei, junto ao DELEGADO RECALCATTI, produzir e elaborar vídeos a propósito de questões particulares à SEGURANÇA PÚBLICA, e ao TRABALHO DA POLÍCIA CIVIL. Faço isso até hoje, e quanto mais estudo e pesquiso sobre essas questões, mais gosto...

 NÃO CONFUNDAM AS PESSOAS QUE FAZEM MAL USO DAS SUAS FUNÇÕES DENTRO DA POLÍCIA CIVIL, E O FATO DE QUE AS PESSOAS DA FAMÍLIA TAMBÉM VIVEM O TRABALHO DO POLICIAL CIVIL, INTEGRANTE DA FAMÍLIA.  

A CORPORAÇÃO DA POLÍCIA CIVIL PRECISA DESTA "INCORPORAÇÃO", DA QUAL NÓS, MEMBROS DA COMUNIDADE PRECISAMOS ABASTECÊ-LA DE COISAS POSITIVAS E PRODUTIVAS, INCENTIVO, E  CRÉDITO PARA QUE ELES, OS POLICIAIS SE SINTAM VALORIZADOS EM SEU TRABALHO....

ACADEMIA INTERNACIONAL DE POLÍCIA - ANO 1966

segunda-feira, 21 de maio de 2012

FORACLUSÃO - DENISE FRANÇA

Curitiba, 20 de maio de 2012.

VOCE DESCONHECE O ABIB MIGUEL?! É ESTRANO PRA VOCÊ?! (13)

FORACLUSÃO:

"FORACLUSÃO foi a tradução proposta por Lacan para verwerfung. É um termo de uso corrente no vocabulário jurídico procedimental e significa o vencimento de um direito não exercido nos prazos prescritos.

Para abordar o tema, Lacan se apóia nos texto  de Freud Die Verneinung no qual Freud propõe que o juízo de atribuição é anterior ao juízo de existência.
Freud afirma que anterior a verneinung (negação) deve existir uma bejahung (afirmação).
A ausstossung (expulsão), operação que Freud entende como constitutiva do psíquico, é regulada pelo princípio do prazer: a expulsão do desprazeroso e a inclusão do prazenteiro estabelecem uma primeira distinção entre um fora e um dentro.
Desta forma, a negação é uma forma tardia a serviço do recalque e a verwerfung (foraclusão) é um obstáculo, pois age anulando a bejahung (afirmação).
O recalque gera sintomas e a foraclusão irá gerar fenômenos diversos, como por exemplo, a alucinação e o acting-out."
(Márcio  Peter de Souza Leite)

Tanto Freud como Lacan utilizaram muitos termos jurídicos. Nada na obra de um ou outro é em vão. O problema sempre residiu na leitura e tradução de ambas as obras.

Conversamos com o "colarinho-branco", a gola do sujeito, o engolimento do seu predicado: um fazer absolutamente desempedido, e encostado nas saias e brocados do Estado.

O problema da Lei, é a ilegalidade, o que é ilegal ou ilícito?! Argumentar em favor do acusado, sabendo que ele está prenhe de delitos, significa safar-se do discurso da legalidade?! Provocar a mentira no outro, sustá-lo da possibilidade de dizer a verdade, sugestioná-lo nesta loucura da produção compulsiva de meios de burlar a lei, isso tudo, é uma forma de pertencimento do ato de constituir um outro legado: o poder e seu desmando.

O acusado, volto a dizer, o deste colarinho, será condenado por desvio de verba pública, por formação de quadrilha, por falsidade ideológica e outras fissuras não permissivas. Não o será condenado por Isso. A condenação de um sujeito, depois do processo, julgamento, é a sua apresentação, presença e contradição. Seus atos ilícitos passam a se apresentar de uma outra maneira, numa circunstância onde ele já é um outro. Outro lugar, outra momento lógico.

ABIB MIGUEL, sabe de sua condenação. ABIB MIGUEL  esteve preso em PIRAQUARA. Não dá para voltar atrás. Mesmo o acusado injustamente, liberto de sua pena, jamais será e pertencerá a sua condição anterior.

Meus senhores, a condenação de uma pessoa não é nem leve e nem branda, a condenação dos homens não é suave. A condenação de uma pessoa, e o seu lugar de pertencimento, que se aproxima da sua identidade,  já é dado no seio da cultura, antes mesmo do nascimento deste sujeito.

O assujeitamento de qualquer cidadão à condenação de seus atos, caminha mais no sentido do cumprimento do direito, da ética, daquele que anda na linha, e daquele que não pertence ao bando.

Exemplo: imaginemos uma mulher. Agora imaginemos uma mulher sem marido. Agora imaginemos uma mulher sem marido e sem filhos.... A condenação aí já está sendo delcarada e manuseada pela sociedade, de forma sistemática e insensata.

Imaginemos esta mulher, sem marido, e sem filhos, extremamente capaz em inteligência, em labor diário, etc e tal., bonita, persistente, simpática, altruísta.... e vamos lá. Pois então meus caros, a condenação dela é ainda maior, frente à acusação de não ter marido e nem filhos.

Não estou brincando, estou sendo IRÔNICA.  Estou lhes passando o lado insensato da LEI, estou lhes passando a prescrição de toda legalidade, e hipoteticamente, a VERDADE.

O ASSASSINATO CULTURAL, OU SUICÍDIO CULTURAL, se apresenta frente aquilo que transparece de VERDADE E DIFERENÇA.

As margens e franjas, a suspensão do ato, as grades da justiça, o isolamento, tudo isso é anterior ao crime.

Hoje em dia, o fora-da-lei  é um produto, uma mercadoria produzida por tudo aquilo que se pretende acabado ou em acabamento. Não existe FALA, a elaboração de um processo corre em direção a este acabamento que só faz promover mais e mais a fabricação deste produto, o fora-da-lei.

O mais-justo se tornou marginalizado. Capotou nas veredas do incompreensível, do desabitual, do ilógico, do precário, e quase miserável.