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domingo, 26 de agosto de 2012

GIKOVATE - COMPOSIÇÃO


CONFIAR UM NO OUTRO, ESSENCIAL PARA UM AMOR MADURO - DENISE FRANÇA

Curitiba, 26 de agosto de 2012.

COMENTÁRIO SOBRE O TEXTO DO DOUTOR GIKOVATE: CONFIAR UM NO OUTRO, ESSENCIAL PARA UM AMOR MADURO

Estou aqui escrevendo, no meu quintal. "QUINTAL", bonita palavra que sugere muitas coisas... Para mim, quintal, paz e tranquilidade, lugar onde fico comigo mesma, minhas amigas de focinho, e descano e penso, sinto, revejo os momentos diários, a semana que passou, minha vida, minhas atitudes, enfim, uma série de coisas...

Existe uma música do Milton Nascimento sobre o AMOR: "QUINTAL DO CORAÇÃO"... LINDÍSSIMA MÚSICA.

Aproveitando todos esses elementos, o texto, o quintal, o amor, digo o seguinte:

Fruta madura, plantada neste quintal, o amor. Estrada precisa de chão.... Poeira, e suor, elaboração das vivências, manuseio da sensibilidade, convivência....
Provavelmente nos momentos em que estou em meu "quintal", muitas pessoas passeiam em shoppings, bares, lanchonetes, parques, etc e tal. Eu estou sozinha em meu quintal, sim. Mas esta solidão não está conectada à tristeza e miséria, ou desespero. Não. É uma solidão repleta de coisas boas, a minha vida é aproveitada todos os dias, eu sou uma pessoa legal, sensata, amável, sei amar. Eu sei amar. As lembranças de tudo o que vivi e senti não são rechaçadas porque foram ruins, não. Lembranças da vida realmente vivida em sua razão de ser, honestidade, amizade, dádiva e amor....

Não vivo de lembranças, todos os dias a vida me faz sentir viva, e eu sinto o vento, a chuva, o cheiro, as pessoas que cruzam meu caminho, as pessoas que vem ao meu encontro. Sou autêntica, leal, sincera. O que me move sem dúvida alguma, é o amor.

Estou sem companheiro, não me furto e nem tenho receio dos homens, como eu gosto de homens.... Escrevo sobre o AMOR, sobre o homem e a mulher, tudo aquilo que escrevo, não é ilusão, nem fantasia, existe. EU ACREDITO NO AMOR ENTRE UM HOMEM E UMA MULHER.... AMOR MADURO...

A presença é meu efetivo modo de ser. Sou presente.  Vivo o que precisa ser vivido, a cada dia. Não tenho bola de cristal, tenho vontade, coragem, responsabilidade, alegria, e sigo em frente. Minha palavra de ordem é o compromisso. Compromisso com a verdade. Pé no chão, não vivo no mundo da lua. Existe ENCANTO em minha vida, assim como a mágica das horas: REALIZO ESSE TRABALHO DE ALQUIMIA, transformação dos elementos, sentimentos, emoções....

TRABALHO DE VIDA.

Duas pessoas que se relacionam precisam reconhecer a importância daquilo que estão vivendo juntos. O sentimento, a dimensão do sentimento, a cumplicidade de muitos momentos, a presença do outro, o universo do outro, a particularidade do outro, e assim por diante...

CUIDAR DESTE SENTIMENTO, não torná-lo propriedade, porque não é propriedade de ninguém, é um efeito de sentido, significado, entregue a duas pessoas.... Procurar enxergar o outro: não criar uma pessoa  diferente daquela com que nos relacionamos.

Dia-a-dia, noite após noite.... Construção, produção, CONVIVÊNCIA saudável, e responsável.



quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SEPARAÇÃO - DENISE FRANÇA

Curitiba, 22 de agosto de 2012.

COMENTÁRIO AO TEXTO DE FLÁVIO GIKOVATE SOBRE A SEPARAÇÃO...


Os amores passam ou somos nós que passamos???

"No ano de 2001, eu me separei de um homem com quem havia vivido 13 anos..."

EHDEN ABIB E EU,  1991.

Deixemos de lado tudo aquilo que já sabemos sobre o casamento, o namoro, a traição, etc e tal..., porque é ISSO EXATAMENTE O QUE PASSA, nas relações amorosas.

Podemos criar outra forma de amar uma pessoa, e efetivamente amar essa pessoa?!

Por que o medo de perder?! Alguma vez por acaso efetivamente conseguimos "dominar" o outro a ponto de possui-lo e pulveriza-lo???

Pense, você, nos momentos de eternidade ao lado deste ser, e naqueles momentos de impossibilidade... Pense.

Grande parte das pessoas levará adiante tudo e esse tudo pode comprometer uma coisa essencial: a existência do outro, sua capacidade de criar, de reinventar, amar e tornar a amar outras pessoas. A VIDA.

Todos nós precisamos passar pela experiência da perda do ser-amado, alguém com quem você conviveu anos e anos, e de repente não está mais ali.... O transtorno e todos os efeitos disso, que vem a seguir, a dor, o sofrimento, o esvaziamento, a claudicação diante de nossa própria existência, fazem-nos ver não o absolutismo do Outro, mas a nossa quase incapacidade de amar, e dar substância diferente a este sentimento.

Não é a nossa mãe que amamos no outro, e nem é o ventre materno que deixamos, e nos sentimos abandonados... As sensações de incompletude, de esvaziamento, de impossibilidade são verossímeis, sim, porque vivemos tudo isso por um bom tempo, existem pessoas que até não se recuperam disso..., outras em profunda depressão, outras se suicidam... A verossimilhança  entre o pai e o homem com quem a pessoa vive... Este homem não é e nem nunca vai ser o pai... Não recorra a este tipo de artifício para se relacionar com as pessoas de um modo geral, a verossimilhança.

As sensações são verossimilhantes, mas são assim porque acreditamos que sejam, e porque perpetuamos tudo aquilo que escutamos,ouvimos, da cultura familiar, e social. E perpetuamos porque nos acovardamos no sentido de criar outra coisa, em lugar disso.

Se um laço se afrouxa, o desespero se instala. Se uma pessoa sai daquele núcleo, ou grupo, porque morreu, ou porque decidiu, ou porque escafedeu-se, tudo se desmorona....

A mais tênue sensação de mudança, já causa pânico nas pessoas de um modo geral...

EU NÃO SOU ASSIM... NÃO VIVO A VIDA DESTA FORMA... JÁ FAZ UM BOM TEMPO.

Vivi tudo isso, como todo mundo... Tive outros relacionamentos com homens, e vontade para amar continua perene em mim. Mas eu não sou essa recuperação de mim, apenas isso. E as pessoas que conheço ao longo da vida não me causam mais esse tipo de sensação...

Por que????   Para reinventar o amor, é preciso amar melhor, ir mais adiante...

A grande resistência, de onde derivam todos os medos e impossibilidades, é o ser-humano acreditar que o sentimento lhe pertence, e a pessoa que supostamente abastece este sentimento, é a razão de ser da existência.
ILUSÃO.  O sentimento que nasce conosco ao conhecermos uma pessoa, e nos apaixonarmos, tem muitos significados, sentidos, derivações... Esta pessoa que nos causa o sentimento, tem lugar privilegiado em nossa vida, é substancial, mas nem por isso a materialidade dela pertence ao nosso mundo e a nossa vida. Este é o RESPEITO que devemos tentar obter quanto ao outro, e ao sentimento entre duas pessoas. Manter este sentimento, e salvar o outro de todas as armadilhas possíveis, que advém de uma cultura milenar, de tudo o que nos cerca. Preservar o sentimento intacto, e a vida da pessoa em primeiro lugar, e a nossa vida também...

O SENTIMENTO NÃO NOS PERTENCE, MUITO MENOS A PESSOA...  

Muitas coisas podem ser vividas ma-ra-vi-lho-sa-men-te a dois, muitas coisas compartilhadas, precisamos dar valor a tudo isso, à particularidade do outro, ao universo da outra pessoa que se aproximou do nosso... Mas, deixar a pessoa ir, se ela quiser voltar, volte. Se quiser ir, para sempre, vá.

SÓ VAMOS CONSEGUIR AMAR OU ENTRAR NO ESPAÇO DO AMOR, QUANDO ADQUIRIRMOS ESTA CAPACIDADE DE VER O OUTRO PARTIR, E ACEITAR.

ACEITAR, REALMENTE ACEITAR....

A honestidade é assim, e tem que ser  assim... Você realmente aceitou a decisão do outro, de ir embora e não voltar nunca mais?????? Aceitou????? Se não aceitou, então não  é AMOR. PONTO FINAL.

Aprenda com a VIDA. NÃO É O TEMPO QUE PASSA, É A VIDA... Ou renunciamos a este amor que nos deixa deprimidos e com a sensação de abandono e esvaziamento, ou aprendemos outro AMOR. Cabe a cada um decidir o que fazer de sua vida em relação ao outro que vem ao nosso encontro.

PORÉM, É ABSOLUTA RESPONSABILIDADE NOSSA, AQUILO QUE FAZEMOS DESTE SENTIMENTO, E PORTANTO, TEM CONSEQUÊNCIAS PARA A NOSSA VIDA E PARA A VIDA DE OUTREM... Esta consciência precisamos ter SEMPRE, QUANDO NOS RELACIONAMOS COM AS PESSOAS...


PRAIA MANSA, CAIOBÁ-PARANÁ






terça-feira, 21 de agosto de 2012

A PREGUIÇA E OUTRAS CONDUTAS AUTODESTRUTIVAS - DENISE FRANÇA

Curitiba, 21 de agosto de 2012.

OBSERVAÇÃO AO VÍDEO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE: A PREGUIÇA E OUTRAS CONDUTAS AUTODESTRUTIVAS.

Acabei de assistir ao vídeo do Gikovate, e ele coloca as coisas ali justamente como são na realidade, de uma forma compreensível, clara.

É salutar que não há como atingir um nível de resistência ou capacidade em uma determinada atividade, física ou intelectual, sem a disciplina.

O exercício sempre fez parte da minha vida, desde os 15 anos, além da infância amplamente repleta de atividades, e a natureza ajudava neste sentido, grama, árvores, rua de barro sem movimento de carros, onde jogávamos bola, bete, e outros brinquedos, bicicleta, skate, enfim...



Aos 15 anos, no CEFET/PR, entrei para a escolinha de vôlei, naquela época os adolescentes não eram altos  como hoje, eu tenho 1.65m de altura, e era levantadora na seleção de vôlei. Era uma atividade que eu gostava muitíssimo, e aprendi ali o esforço físico com mais intensidade... Infelizmente, porque os treinos eram aos sábados, meu pai não queria que eu voltasse para casa sozinha.... Mas, apesar disso, continuei praticando o vôlei com amigas, e em outros lugares...

ITO PEDRO DE SOUZA, PROFESSOR DE GEOMETRIVA DESCRITIVA, E EU... CEFET/PR.


Depois, entrei no Karatê, outra atividade que requer muita disciplina e resistência....  Adoro as artes marciais, os orientais de um modo geral.



Gostava de correr também, longas distâncias, porque eu pesava apenas 49 kgs naquela época com 17 anos de idade.

Uma atividade física, como o exercício, precisa de disciplina: concentração, repetição, resistência que advêm do esforço físico. Não há como adquirir resistência física se a pessoa não sobrevir ao esforço físico. No início do início, é aquela sensação de desconforto relativo ao esforço físico, e depois, quando se adquiri resistência, vêm a sensação de bem-estar e superação.

Para minhas atividades físicas, só tive a necessidade do mestre no início, nos anos iniciais, para aprender a TÉCNICA. Depois, sempre pratiquei essas atividades sozinha, sem problema algum. Não me lembro de ter tido lesões graves ou coisas do tipo, foram poucas as vezes que me machuquei...



O futebol aconteceu na minha vida quando as crianças vieram aqui pra casa e ficaram sob o meu cuidado... Bem no início eu confesso, me lembro deste  fato nitidamente: estava  lendo LACAN, estudava Psicanálise, e, o GUSTAVO e a PATRÍCIA, os dois pequeninos atrás de mim....: "TIA DENI, vamos brincar?!".  Eu relutava, porque estava estudando, mas, um dia, não mais que um dia, sabe o que fiz??? Peguei e abandonei o LACAN em cima de algum lugar e fui brincar com as crianças....

GUSTAVO E PATRÍCIA

E aí, minha gente, começou uma série de atividades de toda a natureza... Entre elas, o futebol, comprei uma bola, e o Gustavo chamou os  amigos, e a Patrícia também... Fazíamos uma equipe de quatro crianças ou mais,  e começávamos a brincar. Com as crianças  sempre brinquei junto, ADORO BRINCAR, hahahaha, não gosto apenas de ficar olhando.... Logo me vêm um impulso de brincar junto, eu sou assim...








E durante toda a infância destas crianças eu acompanhei e participei, e fui gostando do futebol. Depois que as crianças chegaram a pré-adolescência, infelizmente a mãe disse a eles que não precisavam mais frequentar a nossa casa com tanta assiduidade... Isso foi me dito por Patrícia, há pouco tempo atrás...

O ciúme e a inveja causam esses problemas...

Como não tinha mais companheiros de futebol, resolvi pegar a bola e andar por aí, nas praças de Curitiba, canchas, e foi assim que fiz novos amigos, e muitos amigos, praticando esporte nesses lugares, crianças de rua, moleques, jovens, carrinheiros, outros....E isso também me propiciou conhecer outras realidades, bem diferentes.... e até inusitadas...

DELEGADO RUBENS RECALCATTI, MEU AMIGO... FUTEBOL NA ESCOLA SUPERIOR DA POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ....

Sempre a atividade física esteve presente em minha vida, mas eu gostava da prática e não da competição.... A competição acaba pulverizando muitas pessoas novas, com talento e vocação para determinado esporte...
Faço tudo na minha vida porque realmente gosto, e não para me mostrar.... A competição precisa ser entendida devidamente, e o sujeito não deve usar a atividade física para exaltação, ou submissão do adversário....

O MESTRE, se ele existe, deve ser procurado em nosso próprio interior. Devemos saber o que fazemos, e precisamos ousar para ir adiante.
Assim como o mestre existe, assim também o SABOTADOR INTERNO....

Em nossa vida sempre nos deparamos com pessoas ou situações que tornam as coisas mais difíceis, quando não precisaria ser assim.  Eu percebo o trabalho e O ESFORÇO enorme de tantas pessoas em colocar o outro para baixo, e criar problemas onde não existem. Essa questão ainda está aberta em mim, porque não encontro resposta para esse esforço desnecessário em relação as coisas destrutivas. Freud falou no instinto de morte....

Assim como Flávio Gikovate, as condutas autodestrutivas... particulares ou exteriores, provenientes de fora. Este sabotador, é criterioso em seu trabalho.... Mas eu acredito que a razão de sua existência sempre está associada à essa necessidade que temos de NOS PARECER com algo, ou alguém, e quando isso não acontece, nos deprimimos ou frustramos.... Aquela vozinha que diz que vc não é o suficiente, nunca será, está longe de ser....  Palavras e significados que retinem em nossa vida desde pequenos...

Por isso, nas nossas atividades diárias, o importante é eliminar esse ingrediente: A COMPARAÇÃO. Na atividade física, mesmo praticada em grupo, não devemos nos comparar ao outro, e nem levar as últimas consequências aquilo que o professor nos fala... Muitos professores, educadores, costumam colocar medo ou intranquilidade nos alunos logo no início, quando estão começando... E infelizmente, em razão disso, muitos deixam de fazer o que gostam....



O professor é alguém que aprendeu, como nós podemos aprender qualquer atividade, isso não o faz um SABEDOR supremo e infalível.... É dessa condição que devemos retirar aqueles que nos ensinam... Aprender é necessário, mas depois, devemos ser nossos próprios professores, mestres... ou então, sempre estaremos vivendo em razão de alguém num patamar mais elevado que nós....

A superação em todas as atividades, vem em consequência de conhecermos nossos limites, dificuldades, nosso corpo em especial, é MUITO IMPORTANTE conhecermos o corpo que temos... E, superar os obstáculos de uma atividade. Hoje pode doer, mas amanhã, nem tanto....

Outro aspecto: o nosso corpo não é apenas material, é o resultado de tudo aquilo que pensamos, e das coisas que absorvemos do mundo exterior, pessoas e fatos.... E carregamos esse corpo ao longo da vida, e a presença dele nem sempre é perceptível pela pessoa. Sabemos que temos um corpo mas não temos consciência dele, e de seus sinais.... As sensações, os sentimentos, precisam também de prática diária e elaboração.... Tudo isso faz com que a nossa convivência com os demais se torne melhor.... mais agradável...

OUTRO ASPECTO AUTODESTRUTIVO, a SUGESTIONABILIDADE... Estamos ali praticando atividade física, e alguém chega e olha e diz: "Nossa, não sei como vc consegue....", ou, "alguém me disse que devemos fazer assim....".  E o sujeito muda repentinamente, perde sua concentração, e causa uma ruptura na  execução daquela prática...  Nós precisamos adquirir sensores para perceber quando uma pessoa realmente está nos ajudando, incentivando, ou quando simplesmente ela intervém em razão da inveja, que nem sempre é explícita.... Esse fenômeno é diário, em tudo o que fazemos... E, quando bem fazemos, e fazemos melhor do que os outros, maior é o esforço na tentativa de sabotar nossa prática.... E, muitos professores ou educadores, não gostam de verificar que existe alguém possivelmente "superior" a eles...

POR ISSO, e em razão disso, a meditação, e a concentração, nos ajudam a não deixar que situações externas prejudiquem o nosso desempenho.... Umas duas horas de meditação, com música ou sem música, nos auxiliam a desenvolver aparatos na nossa sensibilidade, para ficarmos mais precavidos quanto aos estímulos exteriores...

O relaxamento, também é necessário. Quando praticamos muita atividade física, ou trabalhamos demais, física ou intelectualmente, precisamos relaxar, soltar o corpo, soltar o espírito. Relaxar....

Existem muitas outras coisas, mas o básico do básico é isso aí... Comecem e continuem, não se deixem abater....
LEONARDO, EU E CECI...







domingo, 19 de agosto de 2012

FREI BONIFÁCIO PIOVESAN - POR DENISE FRANÇA

Curitiba, 19 de agosto de 2012.

Hoje de manhã, acordei as 5hs, abri o facebook e achei uma música: "TERRA NOSTRA, TERRA DOS NOSSOS SONHOS, ESPERANÇA, TEU NOME É BRASIL... LUZ QUE COLORE A ESTRADA, ESTRADA DOS NOSSOS FILHOS, TODOS OS NOSSOS FILHOS, TEU NOME É BRASIL....".

FREI BONIFÁCIO, BONI, MORREU HOJE AS 5HS NO HOSPITAL NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS, acabei de chegar da Missa de Corpo Presente. Amanhã será enterrado em Botiatuvinha.

O ESPÍRITO DELE PRESENTE EM TODOS NÓS...

Adorava a barba bem cuidada deste Capuchinho.



Nasceu em TREVISO, na Itália, assim como meu bisavô e tataravô.... E veio para o Brasil, quis vir para o Brasil depois de ordenado Capuchinho.
Frei Bonifácio, muito querido de todos nós, meigo, carinhoso, sério, tímido (aparentemente), e gostava muito de música...
Gostava também da leitura, lia muito.... Era confessor na Igreja dos Capuchinhos...



FREI BONIFÁCIO, MUITO OBRIGADO POR TODO O SEU TRABALHO DURANTE ESSES LONGOS ANOS....

Para mim sempre foi um conforto vê-lo na Igreja, ou ali nas redondezas... Muita alegria em meu coração...
FREI BONIFÁCIO, o primeiro capuchinho que conheci, deixei com ele, a minha BIBLIOTECA particular, e muitas coisas que escrevi.... Espero que ele não tenha ficado assustado, mas a minha AMIZADE é assim...
FREI BONIFÁCIO, quando me via, perguntava dos cachorros... Eu sabia e sentia: ele gostava muito de mim.... que bom, que bom.

Esta TRAVESSIA, SEMPRE BEM ACOMPANHADA....



Eu tinha escolhido você em meus sonhos para me cantar canções de ninar durante meu sono, como um querido avô...
Escuto sua voz, e sei que você está aqui para SEMPRE.

EU TE AMO, MEU QUERIDO FREI BONIFÁCIO.

FOTO DO FREI BONIFÁCIO, TIRADA POR MIM...






A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (28) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 18 de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES": (ficção)  TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA OITAVA: VINHO

Observe, insista, admita. A solidão radical em todos nós, um fim, um começo?!

José Ortega y Gasset, leitura preferida de GIKOVATE.  Eu lia nessa época muito dos existencialistas, muito de Nietzche, lia Clarice Lispector, e escrevia muito... Além de Roland Barthes que amei... FRAGMENTOS DE UM DISCURSO AMOROSO.  E depois, Alceu Amoroso Lima... A RETÓRICA DO SILÊNCIO... nossa...

GIKOVATE, salvo amar, digo a ti, a solidão radical de todos nós é uma das condições para bem-amar. O amor passa por uma elaboração mental espetacular, elaboração do espírito, por isso a solidão em todos nós... Para libertar os outros de nós mesmos, de nossas armadilhas, do sabotador interno, de nossas considerações acerca da felicidade, do bem e do mal, de nossas manias, e ilhas, é necessário a solidão radical...
Nesta solidão já não temos a mesma certeza diária, ao acordarmos e transcorrermos o dia... Ao acordarmos e transcorrer o dia, esse outro da solidão maior, segue ao lado, inexplicavelmente solidário. E muito pouco se vê desse ser, nos provoca, nos atiça, o deixamos de lado, tememos, rechaçamos...
Mas, é este ser, da solidão radical, o único que pode abrir as portas do amor MAIOR.
Quando abrimos estas portas, este portal, o outro torna-se radicalmente outro, o silêncio e todas as palavras  já ditas, sabem que são silenciosas e mal-ditas. Escuto o silêncio, a escuta, e encaro este outro radical da solidão de todos nós, inevitavelmente amor, amor...
A-MOR-TE. Não paramos na morte, e a questão que alimenta todas as questões, é esse costume de investigar a vida, e se deparar com o a-mor-TE.

GIKOVATE  as vezes me deixava, deixava de saber que amava o quanto amou. E eu o via precisar mais... Ele era tão sozinho quanto eu, radicalmente sozinho. Eu olhava pra ele, ele estava já bem longe: HO CAPITO CHE TI AMO.... (Compreendi que te amo!).

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (27) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 17 de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA SÉTIMA: BORDÔ


Se o amor é fácil?! Se esperamos nos salvar através do outro, não conheceremos o amor. Navegar nesta nau, sim, coragem, testemunhar os flagelos, as misérias, e levar a embarcação mais adiante, em terra segura. Chegar ao fim da viagem...
Para amar, descobrir, colocar nosso ser como amostra, está aqui, a minha existência ganha significado através da presença de outrem e vice-versa. O outro é único, significante, prenhe, fecundo, criador, transformador.
E suportar, suportar a angústia da solidão do outro em sua existência, seus desvãos, sua transitoriedade, seu desconforto, sua inapetência, o escândalo que o faz amanhecer outra vez ao nosso lado, mais uma vez, mais uma vez deitado ao nosso lado, num sonho desconhecido, numa fortuna insondável, ao nosso lado....

Como era tocar em GIKOVATE?!  Quando sentimos que tocamos o outro, a sensibilidade do outro, provocando este encanto, esta sensação de bem-estar,  a permissão do corpo alheio que se abre para o nosso toque??
O amor é uma permissão, um consentimento, uma dádiva, um dom.
Não existe amor pela força, pela opressão, pela submissão do outro como objeto.

Entre duas pessoas o amor se instala assim, no toque desta permissão.... A testemunha que somos, e o segredo que abrimos, a concessão para a verdade entre duas pessoas.
Como era tocar em GIKOVATE?!

Sentia que ele sorvia o meu toque. Reconhecia o meu corpo, a sua pele assimilava a sensibilidade da minha, nós dois nos olhávamos e tornávamos a olhar um nos olhos do outro, sem palavras, a nossa respiração se cercava da respiração do outro, voltávamos nosso olhar para as fronteiras e os limites do nosso espaço físico e abríamos essa concessão, de nos pertencer ali, naquele momento... Assim é o amor.

Meus olhos fechados, a lembrança dele, o beijo molhado, longo, apaixonado, entrega. Imediatamente era isso: abraçados, a música ao fundo, ele me conduzia, dançando, sentindo abraçados que chegávamos a ocupar o mesmo espaço, no aconchego ele tocava a superfície do meu espírito.
Olhava pra mim mesma, e através do prazer que ele me dava sentia aos poucos chegar nesta linha proximal do meu corpo, na divisa do espírito e exatamente neste momento ele e eu nos tornávamos uma só pessoa.  Ao mesmo tempo que nos desfazíamos de nossa materialidade individual, e nos entregávamos a esta outra coisa, substancial e única entre nós dois.

PRESENÇA.







quinta-feira, 16 de agosto de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (26) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 16 de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA SEXTA: MAÇÃ







quarta-feira, 15 de agosto de 2012

OLHAR - DENISE FRANÇA


OS DILEMAS - DENISE FRANÇA

Curitiba, 15 de agosto de 2012.

CARACTERIZANDO SITUAÇÕES:  OS DILEMAS

A HISTÓRIA DE ROBIN





Apresento o personagem desta realidade que vou lhes contar: o Robin.

Eu conheci esse cachorro numa festa de aniversário na casa de minha tia Lourdes. Estava ali na cozinha, junto aos demais familiares e então olhei pela janela  e vi, era o Robin. Fui até lá onde ele estava e me deprimiu profundamente o estado deste cachorro. Ele estava com duas bolas enormes de pêlo na orelha, estava todo sujo... Nossa, muito triste.

Este cachorro tinha sido dado a minha tia por sua filha, Carmem. A Carmem se casou, e foi morar longe. E, minha tia também arranjou um companheiro, e o cachorro foi ficando nos fundos da casa,  jogado as traças. Minha tia estava velha para dar conta do cachorro, e o companheiro dela,  mais novo, era um sujeito extremamente grosso, estúpido, batia no cachorro sem dó nem piedade. Era o típico machão de cozinha.
Este animal se tornou bravo, a ponto de ninguém chegar perto....

No dia seguinte ao aniversário, fui até lá de manhã, pra conhecer essa figura, O ROBIN, mais de perto. Realmente, ele sequer deixava encostar no pêlo, e rosnava... hahahahahaha.  Olhei de perto o estado dele, precisava de um banho, precisava cortar as duas bolas de pêlo das orelhas, e também na parte traseira, embaixo do saco, coitado, não podia nem sentar.... e o canil estava todo sujo, nem sei se o infeliz do companheiro de minha tia, trocava a água para ele...

Então, peguei a coleira, e convidei o ROBIN para passear. Ele olhou, e ficou entusiasmado, embora desconfiado. De leve, coloquei a coleira no Robin e fomos passear. E assim, consecutivamente, todos os dias... E ele foi adquirindo confiança em mim...
Havia também outras duas cachorrinhas, a Kelly, uma poodlezinha branca e a Lydinha, uma cooker:


Minha tia cuidava destas cachorrinhas.

Então, meus queridos, chegou a hora de dar banho no Robin, fui até uma veterinária, próxima, e expliquei a ela as condições do cachorro, e pedi que desse um banho nele... O Robin sequer deixava colocar a focinheira, era impossível. Saí e deixei o cachorro lá.
Depois de um tempo, a veterinária me ligou e disse que não foi possivel dar banho nele, porque era muito bravo. hahahahahahaha.
Então, minha gente, tomei a decisão de fazer isso sozinha. Peguei uma bacia grande, esquentei água, misturei a água fria, tudo isso na frente dele, e fui conversando com ele: olha, meu amigo, este aqui é um banhinho maravilhoso que você vai tomar junto comigo, e se você me morder, eu não vou ficar com raiva de você, mas espero que isso não aconteça, porque é para o seu bem... E, conversa vai, conversa vem, ele me olhava, olhava a água....
Daí então, coloquei a coleira nele, segurei a coleira com uma mão, e com a outra, aos pouquinhos fui derramando a água, e ele foi percebendo que não era perigoso, começei a esfregar o sabão, e foi indo. Aproximei a tesoura de minha mão, e chegou o momento crucial, ou vai ou racha. Mas foi. Consegui cortar as bolas de pêlo das orelhas, e milagrosamente, as do traseiro dele, que machucavam o saco do pobre infeliz....

Sequei ele com a toalha, tudo isso conversando e brincando... e assim foi, precisam ver a cara de felicidade dele.... e o sorriso....
O ROBIN começou a confiar em mim, e, mesmo assim, tinha uma coisa que ele não deixava eu fazer: pegar no colo. Ele era um cooker muito grande, pesado, e eu segurava por baixo, e brincava que ia pegar ele no colo, e ele já rosnava desconfiado...
Eu olhava pra ele e dizia: um dia vou te pegar no colo...

Passeávamos todos os dias, um grande passeio, e o Robin passou a ser o meu querido amigo. Eu amava aquele cachorro, porque vi todos os passos que tive que fazer para ganhar  sua confiança e vi como um animal se transforma mediante o carinho, atenção e cuidado.
O único entrave entre mim e o Robin, era o marido de minha tia. Eu dava banho no Robin, lavava o canil, limpava a calçada, deixava tudo arrumadinho, e quando chovia, no outro dia, aparecia lá e via o animal todo sujo, sequer tinham o cuidado de deixar ele num lugar seguro.
Mas, a companhia do Robin era melhor do que tudo aquilo ali...

Outro acontecimento que mudou os fatos: minha tia, velha, que eu também cuidava, porque ela tinha síndrome do pânico, e o seu estado se agravava porque o companheiro dela brigava com ela, a ameaçava e daí se manifestavam as crises... Conversava muito com ela, e a minha companhia por ali, em sua casa, ajudava...
Então, numa tarde, ela tropeçou no degrau da escada, e quebrou o fêmur. Levaram para o hospital, e no dia seguinte fizeram a cirurgia. Saiu da cirurgia, mas logo em seguida morreu em decorrência de uma embolia, porque o líquido proveniente da quebra do osso entrou na corrente sanguínea, e formou uma espécie de coágulo...
Foi tudo muito de repente para todos....

Chorei bastante porque gostava dela, e apesar de sua morte, no dia seguinte ao enterro já estava lá em sua casa de novo, cuidando dos seus cachorros, resolvi cuidar dos três cachorros.... E assim foi. Dava banho em todos, limpava o canil, calçada, fazia a tosa deles, etc e tal. O advogado deu o direito deste companheiro de minha tia, ainda residir na casa dela, embora ele não fosse casado com minha tia.
A contragosto ele me via todos os dias ali, cuidando dos cachorros. E sempre com aquele ar de senhor, arrogante, indelicado, e estúpido. Mas eu continuei cuidando dos cachorros porque eles precisavam de alguém que fizesse isso.

A situação foi ficando cada vez mais insuportável... Eu percebia que ele realmente não queria que eu cuidasse dos cachorros. Mas, aquela casa, assim como o terreno era herança de meu avô, Joanin, e por isso, jamais eu iria deixar de entrar ali e cuidar dos cachorros de minha tia.

Um dia, a empregada que me contava tudo o que acontecia ali, inclusive a maneira sórdida com que era tratada por ele, me disse que ele iria ligar para falar comigo sobre alguma coisa. O infeliz ligou e disse: "Não quero mais que você venha aqui cuidar dos cachorros, vou soltar eles no sítio....".   Nossa, meu sangue ferveu, e daí eu disse a ele tudo o que havia engolido esse tempo todo... Não teve outro jeito. Liguei para a minha prima, filha de minha tia, Carmem, e contei o que havia sucedido. Ela veio até minha casa e disse que ia pegar a Lydinha, e levar para sua casa, e eu ficaria com o Robin, e ele ficaria com a Kelly.
Foi o que aconteceu.

O Robin veio para a minha casa, já haviam aqui, três cachorros, mas eu dei um jeitinho de conciliar esta situação. Jamais entregaria o Robin a uma pessoa como essa, execrável....

E, aos poucos o Robin foi se adaptando a esta casa, e as pessoas da família.
Senti que o Robin ia morrer quando um dia, desmaiou na rua, e depois acordou. Ele já estava com a idade de 15 anos.... Adorava passear, era um cachorro feliz. E agora, eu abraçava ele por baixo, e conseguia levantar ele, e depois ele se fazia de brabo mas entendia o recado e gostava desta brincadeira. Eu abraçava o Robin, a gente rolava pelo chão, e era a coisa mais linda do mundo....
Um dia ele começou a tossir, e desmaiar com frequência, eu então percebi que estava no fim.
A veterinária veio aqui em minha casa, disse que era questão de tempo, não duraria muito.
E, no dia de sua morte, eu fiquei sentada ao seu lado, e ele latia, latia.... Não me deixava sair de perto. Quando eu saía, ele latia, daí eu voltava, e colocava ele no meu colo, e aguardava.... Nossa, chorei muito neste dia....

Então, ele deu três latidos pro alto, esticou as patinhas, e morreu.... Eu não tive como controlar minhas lágrimas, que renascem neste momento de lembrança.... Chorei por um GRANDE AMIGO....

Esta é a história do ROBIN.
A Kelly continuou ali com ele, sendo mal cuidada. Eu cuidava da cachorrinha às escondidas, pulava a cerca e ia cuidar dela quando ele não estava em casa.... Era preciso.

PORQUE EU FALEI EM DILEMAS?????  COMO RESOLVER UM DILEMA????

Está aqui a conclusão:  O Robin e as outra cachorrinhas, precisavam de cuidado. Eu sabia que tinha que resolver este dilema, porque havia a presença cruel do Adinel, companheiro de minha tia.
Aprendi que na vida, não dá para ficarmos em cima do muro. Diante de um Dilema, temos que escolher.
Eu escolhi cuidar deles e sofrer o que viesse da parte deste canalha... Foi o que fiz, anos e anos... e fui até o fim cuidando deste cachorro.
Meu melhor amigo. Amar alguém, é mais importante do que tudo.... Chova, ou caia granizo, eu sigo em frente, no compromisso que assumo, ATÉ O FIM.

 O ADNEL OLHOU PRA MIM UM DIA E DISSE:
"O QUE VOCÊ VEM FAZER AQUI????"

EU DISSE:
"ESTA CASA É DO MEU AVÔ. VOCÊ SE LEMBRA DE QUANDO IA VIAJAR COM MINHA TIA, E EU CUIDAVA DOS SEUS PASSARINHOS?!"

ELE DISSE:
"CUIDOU PORQUE QUIZ!!!"

EU DISSE, OLHANDO FIXAMENTE NOS OLHOS DELE:
"VOCÊ É UM SAFADO!"

E SAÍ.







segunda-feira, 13 de agosto de 2012

CARACTERIZANDO SITUAÇÕES - DENISE FRANÇA

Curitiba, 13 de agosto de 2012.

OBSERVAÇÃO AO TEXTO DE FLÁVIO GIKOVATE: DINHEIRO E SUCESSO, ESFORÇO, DESEMPENHO....

Ah Doutor Flávio Gikovate, o que o dinheiro não é capaz de fazer, não é mesmo????

Dia dos Pais, minha irmã Beti Paulista, é uma arquiteta famosíssima, trabalha na Prefeitura de São Paulo. Elisabete França mora no Bairro Santa Cecília.  Duas vezes por ano ela faz uma visita para nós curitibanos.... Porque sua vida é muito atribulada, viagens ao exterior, palestras, etc e tal. Que beleza, e desejo a ela ainda mais sucesso!!!!

Eu, acordo todos os dias, as 5hs da manhã, e me perguntam: "Mas pra que acorda essa hora"??? Ora bolas, eu acordo esta hora para ficar de quatro e pastar... Acordo a esta hora, para ter mais tempo para fazer tudo o que faço.  Esta disciplina já leva muitas décadas... Levanto e faço todo o trabalho doméstico. Minha mãe tem 78 anos de idade, e meu pai, 83 anos... Moro aqui, e esta é minha casa. Não moro com os meus pais e vivo as custas deles... Moro aqui, porque desde que me separei, há muito tempo, assumi esse serviço doméstico, e outros, como cuidar de crianças, não as minhas, e cuidar de cachorros, os meus e de outros, e estar aqui porque a minha consciência diz que é necessário cuidar de pessoas idosas, e eu um dia também vou ficar velha como todo mundo.... É o tal do SEMANCOL, que para mim, e na minha vida, não falta.... E outras atividades, de todos os tipos...

A tarde, faço outro tipo de coisas, cuido do jardim, quando me sobra tempo, faço as minhas coisas, crio, escrevo, produzo videos, desenho... canto. E a noite, já fazem 5 anos, eu estudo. Por que estudo???? Tenho 48 anos e gosto de aprender, sempre gostei de estudar, e a convivência com as pessoas no dia a dia faz parte do meu trabalho. TRABALHO DE VIDA não é profissão.  Eu estou aqui, de repente estou em outro lugar, e de repente, estou em outro lugar, ora bolas, EU SEI O QUE FAÇO E PORQUÊ FAÇO. ESTOU ONDE TENHO QUE ESTAR...

Mas, coloquei estas duas situações, porque estão e tem a ver com o que o Doutor Gikovate escreveu. Penso em minha irmã, é uma pessoa de SUCESSO, mas em nenhum momento, desejo ser igual a ela, ou tenho inveja daquilo que ela conquistou.... NÃO CONSIGO SENTIR INVEJA DAS PESSOAS...

Eu gosto de mim exatamente do jeito que sou,  as coisas simples que faço no decorrer do dia, o ano inteiro, andar no jardim descalça, ficar junto a minhas cachorras, ouvir música, cantar, andar... brincar, enfim. A ÚNICA COISA QUE REALMENTE ME TIRA DO SÉRIO, são alfinetadas que levo dela, quando vem para cá, e de outras pessoas que visitam esta casa.... Pessoas que se sentem no direito de olhar para mim e dizer:  "DENISE, O QUE VOCÊ FAZ???"  Não precisa ser nenhum expert para saber que essas pessoas estão se referindo ao dinheiro....

E essas pessoas em seu dia a dia são chatas, materialistas, pegam o carro e se deslocam até a outra esquina para comprar pão. Não fazem muito ESFORÇO...  Sentam-se á mesa do café, riem, falam coisas banalizadas, e depois levantam da mesa e não são capazes de fazer esse ESFORÇO TERRÍVEL de lavar o seu pires de café.... É UM ESFORÇO FENOMENAL PARA ALGUMAS PESSOAS FAZER QUALQUER TIPO DE SERVIÇO QUE APARENTE UM STATUS INFERIOR, COMO O SERVIÇO DOMÉSTICO.... No entanto, alguém tem que fazer esse trabalho, o de limpeza da privada, o de limpeza das ruas, o de limpeza das foças,  o de construção das casas, e por ai vai.... São pessoas humanas que fazer esse trabalho....

Também não tenho nenhuma inveja das pessoas que frequentam esta casa e a convivência é pacífica.... Mas, eu percebo o FUNCIONAMENTO disso tudo, e com certeza, não posso negar, existem pessoas generosas e pessoas egoístas...

Não, eu não sou generosa, eu sou JUSTA, JUSTÍSSIMA... E para chegar a termos uma compreensão do que é justo e do que não é justo, vai sim um longo caminho....
Não sou do mesmo modo, masoquista, ai coitadinha de mim.... Não não sou. E não gosto de jogos e fantasias sadomasoquistas, como essas que tentam sistematicamente armar, dando alfinetadas e o ar de superioridade em razão do dinheiro, e coisas do tipo, MENOSPREZANDO O REAL ESFORÇO DE UMA PESSOA. Eu não faço isso com pessoas que dão as tripas coração para alicerçar as bases de sua vida, e de outras vidas.... Não brinco com o SUOR E O SANGUE ALHEIO...
Não existe ESFORÇO numa profissão, que seja desnecessário. O trabalho, é trabalho. Seja intelectual ou físico, exige esforço e dedicação, concentração e disciplina....

O STATUS MATERIAL seja ele alcançado em razão da profissão, ou em razão do dinheiro pura e simplesmente, não tem significado, não faz parte da minha vida. Não é por ai que eu sigo... Mas como convivemos com outras pessoas no dia a dia, temos que nos haver com situações de todo o tipo.

CONCLUSÕES:  A minha primeira e certeira conclusão: O DINHEIRO CAUSA, PROVOCA DEPENDÊNCIA EMOCIONAL E MATERIAL..... É ATRAVÉS DELE, OU DAQUILO QUE ELE REPRESENTA QUE SE MANIPULA O OUTRO, COLOCANDO-O NUMA CONDIÇÃO DE OBJETO E NÃO DE SUJEITO....

Segundo, a renúncia a esses fatores materiais, impossibilitam os outros de mercantizar a nossa vida. Quanto mais nós nos desvinculamos do dinheiro, e não criamos situações de dependência, as pessoas que usam destes elementos,  não tem meios para nos manipular...NÃO ESTOU DIZENDO, DINHEIRO A MAIS NO BOLSO, estou dizendo, a nossa RELAÇÃO COM ESSE ELEMENTO, E O QUE ELE REPRESENTA PARA NÓS... COMO FAZEMOS USO DELE...
O sujeito humano, infelizmente, sente prazer em situações de humilhação, em situações em que coloca o outro como submisso a seu poder.... Porque não aprendeu a fazer outra coisa, e ser diferente.
A cultura cria essa ilusão acerca do status, e do poder.... e por isso mesmo, as pessoas tentam manipular e mandar na vida daqueles que possuem menos.... ISSO É UM FATO. Não pode ser banalizado.

Outro aspecto, o conhecimento, a universidade, faculdade, ensino, não necessariamente dão ao sujeito humano, capacidade de lidar com a vida, consigo mesmo, e com os demais... Na maioria das vezes este conhecimento, é apenas pra cumprir uma categoria de pertencimento social, e status... Quando conhecemos mais a fundo a vida das pessoas ao nosso redor, na convivência, observamos que não são pessoas felizes, e muitas vezes são frustradas, e tantas vezes, seguem uma vida profissional que não tem relação com a sua personalidade, ou talento próprio..... As pessoas que "pegam no pesado" são pessoas que dão mais valor ao que tem, e, ao trabalho dos outros, e me parecem ser mais autênticas.... no convívio.

Pergunta: Do que você vive, DENISE FRANÇA????
Resposta: EU VIVO DISSO TUDO QUE FAÇO, VIVO DO AMOR QUE DOU, NAQUILO QUE FAÇO, E VIVO PARA AMAR... CRIAR E PRODUZIR, INTERVIR.

"Ai meu Deus, é santinha, ou sacrificada????!!!!!"
Nem santinha, e nem sacrificada, esta é a minha vida, e a minha direção.... Não me preocupa se as pessoas entendem ou não, se as pessoas digerem ou não esta forma de ser... Mas esta é a minha direção.

OUTRA COISA, DE SUMA IMPORTÂNCIA:   O MUNDO DÁ VOLTAS, MUITAS VOLTAS.... E NÓS GOSTARÍAMOS DE SEGUIR UMA ORDEM, PORÉM, A NOSSA VIDA PODE SER DESBANCADA A QUALQUER MOMENTO, EM RAZÃO DE QUALQUER COISA.... E É ISSO QUE TORNA A VIDA INTERESSANTE.... E, SE A PESSOA SE COLOCA APENAS NUMA POSTURA, E ACHA QUE É AQUILO QUE É, ALI, NAQUELE LUGAR, E SÓ ISSO, INFELIZMENTE VAI QUEBRAR A CARA QUANDO TIVER QUE ASSUMIR OUTRA CONDIÇÃO DE VIDA.....

Então, meus queridos, o que a DENISE FAZ,  a DENISE FAZ.... E FAZ MUITO BEM FEITO, E FAZ A CONTENTO, E FAZ E CONTINUARÁ FAZENDO....o resto é resto....

sábado, 11 de agosto de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (25) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 11 de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA QUINTA:  ABACATE

A noite prepara a madrugada, sonhos para um outro dia, a alegria chama a vida...escrevendo, procuro o sentimento, o mais exato argumento, a honesta aparição delineada nos teus lábios. O futuro me desarma a certeza até de hoje, embora hoje tenha vivido o segundo e o primeiro, o terceiro, e o instante último.
Sem medo, e sem espera, contemplo o escuro, meus olhos se debatem em formatar uma imagem sensível ao penetrar esta névoa, e abordá-la concretamente no entusiasmo de você ser isto, e riscar com precisão meus  olhos dos teus olhos.
Mesmo desaparecendo essa possibilidade, e esticando meus braços e lançando-os através desta névoa, a tua existência imediatamente permanece atrás de mim, sustada nos pilares da vida, e atrás de mim simplesmente para alcançar-me e me suspender ao equívoco que norteia nosso amor.
Livre solilóquio de amar-te em mim, através de tua voz. Simplesmente por isso. Por isso. O amor não esconde a carência, mas a perpetuidade da vida.
A perpetuidade da vida que não é o bocejo da aurora, mas a primeira hora desta inspiração.

BEJART-POELVOORDE-LE GAC-PAS DE DEUX

Bejart Brel Quand on n'a que l'amour

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (24) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 08 de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA QUARTA: VERDE

Acautelo-me quanto às fantasias que alguns homens desenvolvem em torno de uma mulher. Experimento saber que essas coisas se desenvolvem a partir de quase nada, sequer em razão do descobrimento da mulher. Ela aparece desnecessária como sujeito nesses casos. Quase absolutamente desimportante, o fluxo dessas fantasias acontece como no vai e vem das rodas.
Meus modos do prazer caminham em outros corrimãos. Nem brincadeira de azar e nem brincadeira de fogo, acontece absolutamente na sintonia deste ser concreto e material, o homem. O homem amado.
Digo inexoravelmente que o imaginário se desenvolve e transita no vácuo de um elemento distinto de todos os demais.

Ai querido, meu homem amado, escutar esse sax, essa batida rítmica do teu coração, e olhar teus olhos cheios de prazer e satisfação, ai querido, dá uma bobeira mesmo...
Namorar todas as tuas esquinas, seu lapso e colapso das lembranças, ai querido, e vem mansamente me ter, quando o querer te pede...
A memória de teu destino anda dentro de mim, escuto teu caminho, teus passos, a sobre-hora do tempo,
recebo tuas boas vindas, querido.

Seja sempre bem-vindo. A maturidade da vontade com que desejo você, caminha a par de nós dois, e anda nos ultrapassando. Por isso exatamente provo a saudade dos teus olhos escuros, teu sorriso, brinco ainda nas cócegas que provoco em teu corpo, na irreverência com que recebo todo o teu prazer. Quando penso em você, inevitavelmente resgato um pouco de mim. E este pouco de mim se encontra comigo assim, inusitadamente, como um trevo de quatro folhas, amor...
Querido...









AMOR - DIADORIM SABIÁ

terça-feira, 7 de agosto de 2012

QUANDO FALAR É AGREDIR - DENISE FRANÇA

Curitiba, 07 de agosto de 2012.

QUANDO FALAR É AGREDIR:  OBSERVAÇÃO A RESPEITO DA LEITURA DO TEXTO ESCRITO PELO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

Acabei de fazer a leitura deste texto.

Existem coisas que precisam de disciplina, exercício, sensibilidade, e outras coisas.
Naquilo que dizemos, precisamos escutar as nossas próprias palavras, o tom delas, a intenção que nos leva a dizer isso e aquilo.
Depois, escutar o outro, e perceber ou se aproximar em perceber estas mesmas coisas. A intenção, o tom de voz, o olhar do outro, sua expressão fisionômica e corporal.
Falar não é somente com a boca, e a articulação de uma palavra. Existem coisas que são ditas de outras formas, e são muito mais sutis.
O tom da ironia, o tom do deboche..., isso é perfeitamente percebível numa fala. A alegria, a euforia, a humildade de quem fala, isso também é perfeitamente percebível, a intenção.
A INTENÇÃO.

Nos determos em escutar o outro, é uma ARTE mesmo. Muitas coisas são significativas naquele que fala, e esboçam os pensamentos, manifestos e os que não se manifestam...
Se quando escutamos nos colocamos numa postura defensiva, não conseguimos escutar realmente o outro. Se nos mantemos tranquilos e abertos, receptivos, escutamos e transmitimos também esta tranquilidade ao interlocutor.

Concordo com o Doutor GIKOVATE, existem coisas que não devem ser ditas. E nós percebemos quando uma pessoa tem a intenção de nos magoar, ou nos deter, ou fazer uma chantagem emocional sem palavras, mas muito bem elaborada...
A verdade não consiste em dizer tudo, mas a VERDADE consiste em dizer aquilo que é importante e necessário para o bem-estar no relacionamento, na qualidade de vida, na convivência.
Eu não costumo mentir, quando me comunico com as pessoas. Mesmo porque desconheço a mentira. Mas, existem coisas que naquele momento não podem ser ditas, e isso cabe a nossa sensibilidade de escutar, e de nos manifestar em relação ao outro.
Por outro lado, existem pessoas que precisam ouvir e escutar uma RESPOSTA incisiva.

Eu já experimentei uma centena de vezes, escutar de alguns homens na rua, que eu não conheço, dizerem agressivamente: GOSTOSA!!!!    Esse "gostosa" me vem de  uma forma tão agressiva e manifestamente agressiva, que simplesmente eu desconsidero de onde veio... E, já respondi a isso, algumas vezes. Ao que então o sujeito fica ainda mais agressivo quando a resposta é contrária, ou seja, quando eu me manifesto negativamente, respondendo, NÃO!!!. A resposta do cara vem em seguida: "VADIA", "VAGABUNDA", coisas do tipo.

Isso não é habitual em minha vida. Mas é um funcionamento que percebi na manifestação de alguns homens, cafagestes e safados....  Jamais faria isso com um  homem que sabe como conquistar uma mulher.... E o homem que sabe o que fazer, jamais chegaria para a mulher e diria:  GOSTOSA!!!... O homem que sabe o que fazer, diz "gostosa" na ocasião certa, e adequadamente, conforme a postura da companheira...

Este é apenas um pequeno exemplo. Mas diariamente, nos deparamos com situações assim, porque o ser-humano desaprendeu qual é a função da palavra, e desaprendeu a conversar ao invés de retrucar, e ameaçar o outro.
Em questão de segundos, no trânsito, a pessoa pode abrir o vidro e tirar um revolver e desferir tiros contra o outro... porque sentiu raiva.
Precisamos aprender novamente a usar as palavras para amenizar situações problemáticas de intranquilidade e irritação. Usar a palavra para estabelecer laços com as pessoas que não conhecemos, e com aquelas com as quais convivemos.

OLHAR NOS OLHOS DE QUEM FALA, É IMPORTANTÍSSIMO.... O simples olhar, as vezes, ameniza muitas coisas. Um olhar de carinho, de sorriso, pode quebrar o gêlo entre duas pessoas, pode suavizar uma tempestade inicial, e muito mais.

Porque não tentarmos nos exercitar e sensibilizar um pouquinho mais, no uso das palavras, e no significado delas... ?!


OUTRA DICA:   que tal começar e se exercitar ouvindo os sons da natureza, logo cedo....

domingo, 5 de agosto de 2012

COMO ACEITAR AS DIFERENÇAS - DENISE FRANÇA

Curitiba, 05 de agosto de 2012.

OBSERVAÇÃO A PARTIR DA LEITURA DO TEXTO DO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE>COMO ACEITAR AS DIFERENÇAS.

Diferença não é oposição. Diferença não é inimizade. Diferença não é traição. Diferença não é o contrário do que a gente é.

Todos os caminhos do conhecimento humano vem a partir da curiosidade em relação aquilo que é novo. Aquilo que não sabemos, aquilo que não temos domínio.
A outra pessoa, por mais semelhante a nós, sempre será outra pessoa. A VIDA DESTE SUJEITO, ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTE DA NOSSA VIDA.
Na generalidade dos casos, queremos argumentar estas diferenças, para torna-las algo do nosso domínio. Mas não a pessoa.
Vagamos, feito nós mesmos, na ilusão de merecimento da nossa imagem através do outro. Se o outro gosta, nós sorrimos, se o outro não gosta, a frustração se instala.
Mediante esta impossibilidade de nos apropriarmos do outro, pelo conhecimento, ou desconhecimento dele, faz com que nosso encontro tenha a intenção de suprir algum tipo de necessidade do outro lado. E muitas pessoas se tornam "boas", aparentemente boas, em razão disso.
A DIFERENÇA, segue outro curso, ou DISCURSO.  Se atrela à justiça, ao altruísmo. Capacidade que vem da assimilação do outro em sua adversidade, outra realidade. Renúncia a tudo aquilo que nos cristaliza numa identidade, ou modelo.
Quantas pessoas existem no mundo?!
Sim, e cada uma um universo particular. Mas, essa concepção também deve ser  ultrapassada, porque sempre estamos forjando elementos, numa elaboração secundária, que customize o mesmo núcleo, de uma maneira diferente. Isso não quer dizer que tenhamos alçado um voo a outros horizontes...
Nos debatemos com a VERDADE, e a JUSTIÇA em razão disso.

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (23) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 05 de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA TERCEIRA: GIZ

Depois de algum tempo eu o encontrei casualmente, na Biblioteca Municipal do Rio de Janeiro. Ele estava de pé ao lado de uma estante, com um livro aberto nas mãos. Fiquei emocionada em encontra-lo ali. No tempo em que estivemos distantes um do outro, me detive em vários afazeres e consegui assimilar a ausência dele em minha vida.
Gikovate fechou o livro, tirou os óculos, passou o braço ao redor de meus ombros e me convidou para sentarmos, e disse: QUERO E PRECISO FALAR COM VOCÊ.
Eu conversava com ele e olhava seus lábios, olhava os olhos, tentava perceber porquê e para quê ficamos esse tempo afastados...Não nos sentíamos distantes, mas havíamos descoberto juntos naquele instante, em frente ao mar, algo não suprimível em relação a nós dois, ao nosso envolvimento.  Apesar do nosso amor, ou simplesmente porque havíamos calcado outro rumo, imprevisível em relação ao perfeitamente previsível e aceitável. E por isso, também não nos sentimos constrangidos naquele novo impulso e movimento do encontro casual.
Embora ele não gostasse de se sentar ao chão, como não gostava da areia do mar, e fosse de melhor conveniência a cobertura de um edifício, e as luzes da noite paulistana, eu o descobri de sua camisa branca, de seu colarinho inequívoco, sua irritação foi o súbito impulso para querer me beijar.
Este beijo depois de tudo, foi dado, foi transformado, foi supurado, foi colocado, foi abastecido, ultrapassou  esse primeiro limite erguido e construído por nossa razão e desconsolo inicial. Foi um tapa na vaidade, no orgulho, na ideia de que tínhamos ainda propriedade sobre aquilo que sentíamos.
Ele me amava, e estava declarando isso naquele intervalo, por isso mesmo, resolveu partir.
E eu senti profundamente a sua partida, mas não morri de amor. Senti a presença dele, ao meu redor inequivocamente.
Porém, havia ali uma outra etapa, e a sensação de que estávamos ambos tateando um novo chão. Sentimos isso neste primeiro encontro, e sentimos isso ao longo do descobrimento de nossas vestes, olhando o mais verdadeiro em nós mesmos. Nos sentamos na cama, e olhando-o, vi quanta coisa guardada e ao mesmo tempo revelada ali. E por isso, mais eu o respeitava, porque ele também procurava a aproximação disso em nós mesmos.
Dois corpos  nus, vestiam a permissão de outra vez, alocados no sentimento chamado amor. Ele disse com ternura: você está em mim...
E eu percebi que em Gikovate só existia uma forma de irritação, a de deixar e largar de uma forma para se conduzir a outra, ainda bruta e tenaz. Depois, a irritação passava e sua calma retornava e dava lugar ao aconchego...



A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (22)- DENISE FRANÇA

Curitiba, 04 de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA SEGUNDA: DAMASCO

O afrodisíaco. Escutar o barulho do mar, a noite, as estrelas, o vento nos cabelos, isso tudo para algumas pessoas não representa muita coisa se não estiver associado a algum tipo de artifício. Para mim o mais natural e sensível me causava muito prazer, quase o mesmo bem-estar de uma companhia agradável.
Não me sinto sozinha em nenhum momento. Estou falando da angústia e ansiedade, o desconforto de ser vista andando em todos os lugares sem nenhuma figura ao lado... Aprecio e gosto de me conduzir sozinha, converso e interajo com as pessoas que vem ao meu encontro.
E GIKOVATE vinha em minha direção outra vez, não eram iguais os dias com ele. Embora fizéssemos tudo o que fazíamos no dia a dia de nossas vidas particulares, quando estávamos juntos o movimento era o mesmo, mas a emoção dos olhos dele, e dos seus gestos, sua expressão, o tom de voz, tudo isso enriquecia as coisas diárias. A imantação que permitia olhar outra vez, e mais uma vez, e outra, os olhos do amado, e saber que era uma nova e promissora vez.
O segredo. O corpo do segredo é olhar novamente.Olhar mais uma vez e se deter neste olhar. Este olhar, não é o olhar em sentido visual, mas o olhar em seu sentido perceptivo. Conseguir enxergar o outro. O que não é tarefa fácil....
E era importante para nós desconstruirmos a imagem:
Nós dois ali, eu e ele, ele e eu,  a noite estrelada, de mãos dadas, olhávamos o céu e escutávamos o barulho do mar. O mar não saía das nossas mentes, as ondas quebrando, e eu segurava a mão dele, e ele segurava a minha mão. Silêncio nosso, nosso silêncio. Segredo e anatomia da natureza humana, afrodisíaco momento.
Pergunte se nós dois acreditávamos no romantismo. Pergunte.
Existiam coisas impossíveis para Gikovate: o mar era impossível.
Ele me olhava olhando o céu, fixa, e feliz, apaixonada. E esta imagem subitamente se rompia, e ele ficava apreensivo, porque cuidava de mim neste momento. Vamos, querida, disse.
E eu olhei os olhos dele que me olhava cuidando de me ver, e respondi: pode ir, querido.
Organizou a pálida cor em sua tez, imediatamente soergueu, e eu o vi partir, sem olhar para trás.
Eu o vi partir pela primeira vez, com as mãos no bolso, andar, sozinho no andar, sem mim, absolutamente concreto, frio, responsável, racional, imantado e sem perguntas.
Não senti medo de perdê-lo neste instante, mas descobri o seu ciúme.


quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A COMPOSIÇÃO DO BEIJO (22) - DENISE FRANÇA

Curitiba, 1º de agosto de 2012.

"ENSAIO DE LUZES" (FICÇÃO): TEXTO DEDICADO AO DOUTOR FLÁVIO GIKOVATE.

INSPIRAÇÃO VIGÉSIMA SEGUNDA:  BLUE JEANS

A paciência de Gikovate  era notória. Os dias dele eram pautados na disciplina, os horários, os compromissos. Raramente ele faltava a seus compromissos, e era extremamente metódico. Talvez isso parecesse um tanto chato, mas esse sistema o ajudava a encontrar as coisas em seu devido lugar, para que não perdesse tempo e comprometesse seu trabalho.
A desorganização em Gikovate não era um móvel que fizesse parte de sua vida. A minha função muitas vezes era quebrar este excesso de disciplina e deixa-lo entrever outros espaços. Mesmo tomando um cafezinho, ele observava tudo ao seu redor,  tinha essa rapidez de estabelecer os vetores num ambiente, compor um ritmo, porque este era mesmo o seu modo.
Nossos momentos juntos não significavam o extraordinário em nossas vidas, simplesmente o relacionamento humano de um ao outro, assimilando as nuanças, o sentimento, o carinho, o desejo.
Algumas pessoas não conseguem imaginar suas vidas sem dependência emocional. Eu, ao contrário, não crio laços de dependência, e um homem que me submete a algum tipo de jogo desta natureza, não me traz bem-estar, não sinto tesão por homens assim.
A presença efetiva significa este contato com a natureza da outra pessoa em sua complexidade, habitamos este campo quando estamos juntos a esta pessoa, quando nos ocupamos de pensar acerca desta pessoa, mas isto não nos possibilita exercer qualquer tipo de domínio, ou laço emocional que interfira na liberdade de pensamento, de ser, de sentir, de se manifestar, de expressão do outro.
O amor nos vincula ou outro, mas a cada dia precisamos libertar o outro, e nos libertar dele. Do contrário, a acomodação e o vínculo que cria esta estratégia de dependência, se voltará contra a nossa própria pessoa, e nos impossibilitará de calcarmos a nossa real função humana: não estaremos mais vendo o outro, mas criando um outro a partir das nossas necessidades, e se relacionando com este "sintoma" e efeito de aparência. Não estaremos nos relacionando com uma pessoa efetiva.
Essa desconstrução da imagem, todos os dias precisamos realizar tanto em nós mesmos, quanto naquilo que pensamos ver. Aquele ser não nos pertence, nós não pertencemos a ele.