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sábado, 30 de outubro de 2010

Jacques Lacan parte 6/7 Grandes pensadores Encuentro completo

Jacques Lacan parte 4/7 Grandes pensadores Encuentro completo

ENCONTRO COM O PASSA DO - por Diadorim Sabiá

ROTEIRO LITERÁRIO

TÍTULO DO FILME: ENCONTRO COM O PASSADO
I
- Coronel Argel, a patrulha florestal, agradece muito sua presença aqui todos os sábados, e, hahahaha, os cavalos também.
Argel sorri para os soldados, e diz que sem esse contato com a natureza, não seria a mesma pessoa. Trazem os cavalos, cinco cavalos preparados para a cavalgada. Os outros amigos de Argel, Leandro, Raul, Emerson e Paulo, começam a argumentar entre si, se seguem o dia todo, ou param no armazém do Creonte, na estrada do Cerne.
Agora já estão em marcha, conversam coisas do trabalho, alguns deles são empresários, o Leandro e o Raul, e os outros dois, trabalham no exército, o Paulo e o Emerson.
O mais novo, Leandro, fala sobre suas aventuras românticas, os desafios, e convida os outros a falarem sobre as mulheres. Naturalmente isso acontece, todos eles são separados, com exceção de Leandro que é solteiro. Hoje excepcionalmente percebemos que Argel se encontra mais calado e introvertido. Embora não seja habituado a falar sobre suas vida pessoal com os amigos, acompanha o jogo deles, mas não parece se divertir muito.
Depois de 10 km de cavalgada, chegam até o Armazém do Creonte, onde tudo se vende, restaurante de frutos do mar, pescados, e pequena hotelaria ao lado, para atender turistas que visitam a região. Os amigos decidem dar uma parada ali, pois avistaram algumas turistas alemães. Argel no entanto, diz a eles que prefere seguir um pouco adiante, mas voltará em breve. Os amigos quase não percebem o que Argel diz, concordam com ele, mas estão mais interessados nas meninas ali...
Argel segue adiante em seu cavalo, adentrando mais na floresta e alcança o rio, vai ladeando o rio, observando o barulho dos bichos, o dia que está nascendo. Por ter vivido muitos anos em Manaus, no exército, na floresta Amazônica, e convivendo com os índios, não sente nenhuma dificuldade de tropegar por essas paisagens. Muito pelo contrário, seu coração se aviva mais, sua paixão reanima, e ele se sente parte daquele cenário ali. Já quase vencido uns 5 km, começa a sentir seu cavalo, áspero, e recalcitrante. O cavalo estaca repentinamente, não quer prosseguir e Argel se vê obrigado a descer e seguir andando... O cavalo parece ter sentido algo no ar, talvez um bicho perigoso, ou cobras... No entanto, à medida que anda, parece mesmo que até os ruídos de outros bichos se dispersam, e faz-se aos poucos um silêncio naquele lugar. Mais alguns metros adiante, Argel avista cacos de cerâmica pelo chão, flechas, coisas antigas, provavelmente um cemitério indígena. Fica ali por alguns instantes, observando e sentindo aquele lugar. Não imaginava que havia ali um cemitério, ouvira falar de uma pequena aldeia, mas ainda não entrará em contato com nenhum índio, nem sequer tinha avistado índios por ali.
Há muito tempo os índios já deixaram quase todos os costumes e se misturavam a tudo aquilo que vinha da cidade grande. Argel então, resolveu retornar, pois já estava um pouco tarde, e seus amigos certamente ainda se encontravam no Armazém. Logo que chegou, Argel visualizou os amigos numa mesa, em companhia das turistas alemães, e acredito, os amigos não dariam conta de sua falta se ele decidisse dormir no mato... Ao se reunir aos amigos, logo o Raul quis aproximá-lo de uma delas. Argel e a turista, Lídia, começaram a conversar.... Até o cair da noite. A turista alemã reparava em Argel seus traços morenos, de expressão forte, bastante másculo, um homem seguro e observador...
Voltaram para a cidade de camionete como de costume. Argel morava no centro de Curitiba. Divorciado e sem compromisso a algum tempo, Argel se instalará num apartamento, gostava de apreciar o turbilhão da cidade, e imaginar que ali havia mais selvagens do que em outro lugar no norte do Brasil, a floresta Amazônica. Argel, nos finais do dia, abria a janela, chegava à sacada do prédio, e, como no alto de uma montanha, ouvia e percebia todos os sons, distinguindo, sirenes, bozinas, gritos, enfim, o que vinha da cidade. Apurando seus ouvidos, pontos, referências, como aprendera com os índios. Gostava disso, apesar da cidade grande, tudo em seu íntimo era regido por uma lei maior. Sua natureza, poderia se ligar a qualquer pessoa, em qualquer lugar, e logo travava conhecimento, intuição, empatia. O silêncio, e o espírito das matas, como na Amazônia, regia o corpo, regia o funcionamento de seu corpo, a natureza e ele próprio estavam em harmonia, sincronia e unidade. Por isso, e para isso, Argel havia nascido, a sobrevivência, os modos de viver, apesar dos obstáculos, os desafios, e o modo de morrer...
Assim também, seguindo esse mesmo comando, conseguia sobreviver nesta outra selva, de concreto, e com outras espécies de homens.
Os amigos de Argel não entendiam e não chegavam a compreender essa sua particularidade. Viam a vida sem o compromisso de ser um homem verdadeiro, autêntico e real. Apenas gostavam de passar pela vida, e aproveitar as oportunidades, sem nenhum compromisso maior, ideal, quero dizer. Não tinham essa intuição selvagem que caracterizava a personalidade de Argel.
Nesta noite, durante o sono, Argel começou a sonhar, apareceram-lhe vários signos e significados ligados aquele primeiro contato dele com o cemitério dos índios. Muitas cenas antigas, de guerras, ataques, massacres de povos percorriam os caminhos do sonho. E assim, ele estava entregue ali, a um conteúdo que iria mudar sua vida daqui em diante. Argel acordou sobressaltado com a intensidade das emoções, e a veracidade desta experiência nos sonhos. E sabia que aquele sonho estava ligado a sua descoberta do cemitério. No outro dia, resolveu retornar aquele local, porém sozinho, não contou a seus amigos sobre o acontecido.
Esteve lá novamente, colheu o material, segurou entre suas mãos, sentiu e percebeu. E, olhando tudo aquilo, sentiu que precisava conhecer mais sobre aquela região. No caminho de volta, cavalgando na estrada, se deparou com uma índia que volvia a pé e descalça pela mesma estrada. Aproveitando este fato, se aproximou dela, olhou-a nos olhos, a beleza e o encanto daquela índia, não se assemelhavam a beleza das mulheres que conhecia na cidade. Era um outro encanto, e uma outra beleza. Uma naturalidade nos gestos, uma suavidade e uma inocência, que até então ele não encontrara ali com as mulheres com quem se relacionara... E, perguntou a ela se poderia dar informações sobre o cemitério... A índia, entendia perfeitamente a língua, falava tranquilamente, e disse a ele que poderia leva-lo até sua avó, na aldeia indígena, para ele próprio colher as informações de que precisava.
Argel ofereceu garupa para a índia que estava a pé. Ela aceitou, e os dois cavalgaram devagar, observando a paisagem, em silêncio, apenas na presença e na revelação de si próprios, que tinham acabado de se encontrar...
Realmente, uma pequena aldeia indígena, algumas famílias que viviam ali já a algum tempo, culturalmente adaptados, com outros costumes vindos da cidade. A índia levou Argel até sua avó. Sua avó era uma espécie de mentora espiritual daqueles indíos ali, guardiã de seu povo e dos segredos daquela raça. A velha índia estava de costas, quando sua neta pediu que olhasse e reparasse na presença deste homem, Argel. A velha largou o que estava fazendo, em frente a uma fogueira, colhendo e aplicando uma massa, e volveu os olhos, em direção a Argel. Não se espantou, mas reconheceu a pessoa que ali se fazia presente, na figura de Argel. Sorriu para ele, e pediu que se sentasse próximo a ela. Ofereceu algo para ele tomar, e deixou-o a vontade. A neta se retirou e os dois começaram a conversar. A velha mais ouvia do que falava a princípio. Argel se sentia a vontade diante daquela velha índia, porque assim sempre foi na selva Amazônica, e ali estava sendo assim também...
A velha índia contou a Argel sobre a aldeia, sobre sua origem, em que momento essas famílias resolveram se instalar ali, quais os problemas que enfrentavam, as dificuldades, a história de seu passado, os costumes de seu povo.... E falou com grande preocupação dos interesses de alguns homens que vinham e entravam na aldeia sem nenhum respeito. Eram homens que lidavam com empresas, não sabia ao certo a natureza dessas empresas, que cortavam madeira naquelas redondezas e coisas assim... Argel não disse nada a índia, mas compreendeu qual a intenção daqueles homens que a algum tempo rondavam a aldeia...
Retornou para a cidade com a promessa feita a velha índia, de retornar, e se aproximar daqueles índios e ajuda-los no que fosse possível. Argel tinha muitos amigos, muitos conhecidos, não só no exército, mas no Governo Federal, políticos e ativistas que sempre estavam ligados ao trabalho e desenvolvimento do povo indígena, e das tribos que ainda existem na Amazônia.
Argel visitou a aldeia indígena várias vezes, não só visitou como também dormiu ali, para perceber melhor a natureza das dificuldades que aqueles índios passavam. E, aos poucos, também foi se aproximando da neta da velha índia. Em seu coração viu nascer um sentimento de carinho e cuidado, a princípio, em relação a ela. Observava todos os passos daquela mulher indígena, admirava o seu trabalho, seu esforço, e progressivamente, a imagem desta mulher foi se fixando em sua mente e em seu coração, dando lugar a um amor que até então ele não sentira por outra mulher. Mas, ainda não revelara a ela, a intensidade de sua paixão. Apenas se contentava com a presença dela ali, de todos os índios, e de vê-la e percebê-la no quadro e no cenário de seus sonhos mais lindos. A única pessoa, testemunha do nascimento deste amor, era a velha índia, que tudo percebia, e tudo via, no mais íntimo de uma pessoa humana.
Á noite, ao redor da fogueira, os integrantes da pequena aldeia se reuniam e, as crianças brincavam enquanto lhes sobrava energia. Os pais contavam uns aos outros o que se passava durante o dia, e quando surgia, desta conversa, um fato mais relevante, acrescentava-se lhe um graveto ao fogo. As chamas se alvoroçavam e a luz alimentava os sonhos e esperanças deste povo. O manto da memória cobria aos poucos o presente, e a crença no destino tornava-se lenda. Eram os mesmos guerreiros de outrora.
As palavras de hoje eram substituídas por palavras de ontem, a língua tupi-guarani renascia ali entre eles, repetiam-nas, cruzavam os gravetos ao fogo, riscavam com a sola do pé o chão, e uma canção, como o murmurinho crescente de um rio, ganhava forma e ocupava o silêncio da noite. Ritmo e espaço, como os troncos e as árvores, o cipó e a unidade, a canoa e o rio, a caça e o caçador, uma só e mesma coisa.
Agora Argel acordara, sabia porque estava ali, o espírito deste povo entrara e cumulara seus sonhos, sua vida.

II
Infelizmente, Argel não sabia que seus amigos o queriam separar da tribo, da pequena aldeia, porque Raul, o empresário, estava envolvido na compra daquelas terras, juntamente com um Deputado Estadual daquela cidade. Raul sabia que Argel era uma personalidade muito conhecida entre os indígenas, desde a Amazônia, e o queria longe daquele lugar. Raul, irmão da ex-mulher de Argel, compunha uma intriga de interesses que vinha desde a herança da família passando por uma série de pequenos delitos empresariais, e Raul, não media as consequências de suas atitudes. Isto também porque frequentemente era instigado por sua irmã, que não aceitava a separação de Argel. Preferia ver Argel morto, a que outra pessoa ocupasse o seu lugar.
Naquele dia, Argel ao retornar para a aldeia, percebeu e sentiu em seu coração que alguma coisa havia acontecido. E, no início da madrugada, homens armados entraram na aldeia dos indígenas, aterrorizaram os índios, violaram o acampamento, a aldeia, os índios sem defesa nada puderam fazer a não ser assistir tudo. O mais terrível, a velha índia que tentara defender sua neta do ataque de um daqueles homens, foi agredida violentamente, e agora estava á beira da morte. Os índios, neste desespero todo, pretendiam, pegar suas coisas, e ir embora daquele lugar.
Á beira da morte, no entanto, a velha índia olhava para os olhos de Argel, ajoelhado ao seu lado, segurando sua mão. Argel intuira tudo aquilo e de alguma maneira, se sentia culpado pelo acontecido. Olhava desoladamente a índia e pedia-lhe desculpa por tão desumano propósito daqueles homens ali. E, prometia vingança e segurança para os índios. A velha índia, nos seus últimos instantes de vida, conseguiu ainda conversar com Argel, e revelar-lhe um segredo.
Argel fôra a criança que ela salvara no leito de sua mãe. Criança que quase morrera no nascimento. E esta criança estava predestinada a ser um grande guerreiro, e salvar o seu povo do império cruel da civilização. Ela disse a Argel, sorrindo, que sabia que ele viria um dia, e ficou muito feliz ao reconhece-lo, quando sua neta o trouxe naquela primeira vez. Disse a Argel pra não guardar rancor pelo que havia acontecido ali aquela noite, porque isso já havia sido previsto mesmo... Pediu a Argel que cuidasse de sua neta, em seu lugar, e cuidasse do povo, no lugar dela. As terras eram dele e de seu povo. E assim, enquanto Argel escutava a velha índia balbuciar essas palavras, reconhecia no rosto e nos traços indígenas todo o sentido de sua vida até então. Aos poucos o fôlego da velha índia Maira, foi se extinguindo, até que fechou os olhos para o sonhos dos espíritos, na mata. Neste momento, seus olhos ficaram focados nos utensílios que a velha usava para convocar os espíritos de seus ancestrais na pajelança, e, não teve mais dúvidas a respeito de sua própria vida. Segurou a mão da velha índia, e beijou-lhe a testa. Levantou-se e foi em direção a neta que estava próxima, vertendo lágrimas, e abraçou-lhe com muito carinho, e com toda a força deste mundo, garantindo através deste abraço o compromisso firmado com a velha índia e com os demais indígenas.
No outro dia, conversou com toda a tribo, formaram bases de resistência se houvesse ainda qualquer outro tipo de confronto ali. E Argel sentiu que todos confiavam nele, e aceitavam o seu comando para ser o guia daquela região. Argel disse a todos eles que iria conversar com o Governo Federal, para isso viajaria, e traria uma solução no que diz respeito as terras. Foi o que fez, viajou para Brasília, e esteve pessoalmente a frente do General do Exército Brasileiro, e a frente dos secretários todos ali dispostos. Porque também eles dependiam de Argel para se comunicar com os povos indígenas da Amazônia. Nesse tempo de convivência ali no sul do Brasil, com aquela aldeia, tudo foi transmitido pelos índios e chegou até os povos do norte do Brasil. Argel ganhou destaque, e confiança de todos.
Assinaram em comum, secretários e demais setores, a lei que concedia o direito daquelas terras aos índios, e, consequentemente, nada poderia ser feito para retirá-los dali. Argel agradeceu o empenho destas forças, porque sabia que, de comum acordo, índios e setores do exército brasileiro que protegiam as fronteiras do Brasil, dependiam um do outro, e precisavam se fortalecer, porque a Amazônia precisa continuar presente no mundo, e neste país chamado Brasil. A soberania brasileira.

III

Argel esteve novamente em Manaus, e fez uma pequena avaliação de tudo, esteve pessoalmente com caciques e chefes indígenas, percorreu os rios, e dançou com eles.
Todas as noites, o que Argel mais desejava era rever a Naiomi, neta daquela velha índia que salvara sua vida quando de seu nascimento. As noites eram maravilhosas naquela região que ele conhecia com a palma da mão, os ruídos, as matas, os rios, as cascatas, os bichos, o nome de tudo, e de todos os seres estava presente em seu espírito. E, da mesma forma como ele morria de saudades de Naiomi, a floresta fazia uma louvação em homenagem a sua chegada. O chamado da Samaúma ecoava por todos os cantos... em memória dos índios que se foram, dos grandes guerreiros e em razão da presença de Argel.
Argel retornou ao sul do Brasil, para a pequena aldeia, pois não conseguia mais resistir a esse apelo selvagem do seu coração apaixonado. Encontrou Naiomi, à beira de um riacho, preparando algumas coisas... Ela estava ali sozinha, agachada na beira da água, e colocava a água num pequeno pote. Ao seu lado, o cavalo de Argel relinchava, brincava, como que a conversar com Naiomi, ou lhe devolver esperança quanto a volta de seu dono, Argel. Naiomi, envolvida em suas lembranças, e no que estava ali fazendo, não percebeu a presença de Argel.
Argel ainda ficou por muito tempo contemplando aquela cena, e assinalando dentro de seu peito, todas as batidas e impulsos em direção a ela. Todo o seu corpo era um só chamado em direção a ela, como o chamado da Samaúma. Passo a passo, Argel foi até ela, e gritou o seu nome, NAIOMI, NAIOMI, NAIOMI. Naiomi levantou e correu em sua direção. Abraçou-lhe e os dois se beijaram com toda a magia e o segredo do amor. O cavalo de Argel brincava com ele e com ela.
Neste dia, os dois fizeram amor ali mesmo no riacho, nas águas profundas deste riacho, e após nove meses, nascera ali, uma criança, uma menina linda, fruto desse amor entre os dois, ou melhor, deste amor à natureza, deste amor entre duas raças e duas razões... A criança, foi batizada nas águas do riacho, com toda a aldeia presente, ao som das cantigas entoadas pelas velhas índias e pelos seus maridos, as crianças pulavam no rio, se banhavam, se renovavam naquelas águas. E, mais uma vez, o chamado da Samaúma foi escutado em todas as florestas deste país chamado Brasil.
O nome da menina, Samaúma.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

EXPRESSÃO

EXPRESSÃO

AMADO-AMIGO

Sinto tanto, tanto sinto e não sei responder.
OU,
OU o Amor se tornou concreto,
como a poesia concreta se tornou vazia
para os românticos...
OU,
O Amor está passando, trafegando entre os andaimes,
correndo riscos, o amor se finou em novo código,
do qual eu não tenho acesso.

Antes parecia que existia um sempre,
nos olhos do amor até as lágrimas eram lágrimas.
Hoje, o sempre é não conseguir acontecer nos três tempos,
ontem, agora e depois.
Lamento muito, diz um tempo se esgotando em partida,
ou se excendendo em espera.

Sinto tanto e nada serve.
O meu modo de amar não está funcionando,
está mesmo encrespando, feito virada em fita.

Me abraço ao meu carinho.
Percorro o meu sonho e a minha esperança,
as paredes não formam esquinas,
as vizinhas desavenças, parece que falta o fundo de tudo.
Ou, coberto está o céu por um teto absoluto de nada.

E a saudade então??? Ora, a saudade
foi esquecida, as vezes que amei
estão suspensas num rosto sem face,
numa máscara abatida de indiferença.

A minha solidão não é mais solidão
do que uma frase abandonada e cúmplice
do efêmero. Onda e espuma, meio sorriso que ficou
e se alargou na extensão deste mar que a nós separa.

O casulo do casal, os filhos da dispensa, o véu da liberdade,
o espaço do sorriso, o primeiro encontro, foram
devolvidos a mim e atestados enquanto utopia,
como um beijo dado ao espelho desta vidraça,
o rechaço de tudo.
O rechaço da importância de ficar um momento a mais,
quando seria possível amar e ser amado.

Olhar com outros olhos o outro e se aproximar,
apaixonar-se é a minha destreza de princípio, minha
via de mão única. A estrada onde os afetos e seus efeitos
se diciplinaram de tal modo que não há mais novidade.
E muito menos coragem. Eu não fico, me ultrapasso.

Outrossim, não consigo tocar a tua mão,
nem beijar os teus olhos, quando mais eu amo.
Quando mais eu amo...
Quando mais eu amo, e encontro
teus olhos nos meus, seguro o aflito desejo
e chamo o que me irá levar para depois.
No ato do momento, quando haveria entrega.
É tudo dizer, quando haveria entrega
outra mão te puxa, e conduz para o impossível
o beijo, e o meu testemunho.
E isso tudo, quando mais eu amo.

Não sinto mais a dor que me faria ir embora de vez.
Apenas eu simplifico o fim e sustento outra vez.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Jacques Lacan - No saben que lo saben

PAREDE (03) - por Diadorim Sabiá

PAREDE (03) - por Diadorim Sabiá

PAREDE (03) - por Diadorim Sabiá

PAREDE (03) - por Diadorim Sabiá

PAREDE (06) - por Diadorim SAbiá

PAREDE (06) - por Diadorim SAbiá

PAREDE (03) - por Diadorim Sabiá

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

AS SENSAÇÕES

AS SENSAÇÕES

... desensibilização. O ser-humano está perdendo a sensibilidade.
... as sensações do amor. Gostar de alguém, apreciar a companhia, sentir vontade de tocar, olhar nos olhos, descobrir esconderijos desta pessoa, inúmeras vezes repetir dentro de si mesmo, o tom da voz, a cor dos olhos, o jeito de ser, o jeito de se aproximar, o sorriso, a caminhada, a expressão, enfim...
... as sensações do amor, amado-amigo, a cada dia, a cada instante fechamos os olhos, escutamos a infinidade de ruídos, a infinidade de diferenças. As sensações do amor distinguem as formas, as cores, o cheiro, tudo que chega até a nossa necessidade, e abre o desejo.
... amado-amigo, eu me animo em dizer, sinto o espírito das coisas, sinto o alerta do tempo, a intuição que me mostra o momento oportuno. Sensações do amor, da proximidade ao outro. Alegria, conforto, ternura, abrigo, cuidado, carinho, destino.
... e o sentimento que chega também é compartilhado, até mesmo produz um sentido e significado novo para tudo aquilo ao meu redor. A árvore, as folhas, os pássaros, a grama, os bichos, compõem este quadro, fazem parte destas sensações...
... o chamado dentro de nós, é isto que precisamos saber escutar. Sentir a nossa frequência, o movimento, a passagem de sensações e sentimentos, a diluição dos estados do espírito, "precisamos" significa que nada seremos enquanto pessoa humana se não atendermos a isso.
...portanto, amado-amigo, o encontro com a natureza, nos ajuda a entender e perceber esse movimento. As criaturas da natureza nos dão gratuitamente a capacidade de respirar, viver, escutar, sentir, meditar, acreditar, responder, com autenticidade e naturalidade.
... amado-amigo, selvagem é o homem que vive nas cidades urbanas. O homem das matas faz parte da vida.


... amado-amigo, beijos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A TEMPO

A TEMPO

...AMADO-AMIGO,
a tempo de dizer outras coisas, se vê que as vezes acreditamos e desacreditamos depois. Ando pelas ruas de Curitiba, assim sempre, longas caminhadas, observando o rosto, a expresssão quase a mesma, a pressa, o consumo, a ignorância, a miséria no ralo, no meio-fio um pedaço de alguma coisa.
... o pára-brisa dos carros, o pára-brisa das caras anônimas e tão conhecidas, tão sem inocência, tão exteriores e superficiais como uma mentira. Sem ternura, me parece o mundo, eu acredito e desacredito.
... ando pelas ruas, meu desassossêgo, minha procura, ah eu penso, se por acaso deparasse com os teus olhos na dobra de uma esquina, seria feliz. Seria feliz sim, te encontrar. O ar e a quentura do espírito, me ajudam a acalmar tudo aquilo que vejo. O homem se consumindo, sumido, ido, sem destino. Imediato numa proporção quase inumana.
... amado-amigo, olha só o resto de muitos, as propagandas dos candidatos pelo chão, parece que nem foram, sequer estiveram. Eleitos pelo voto do povo, começarão sentados e terminarão sentados, inércia própria do político, cadeiras que se arrastam para quase nada.
... procuro então enxergar sobre as árvores, ver o céu, achar um indício daquilo que acredito sobre este território febril das máscaras.
... acredito por instantes e desacredito depois. É a urgência de encontrar alguma ternura nisso tudo. Gente do povo, cachorro de rua, sorriso sem dentes, vendedor de pipocas, talvez. Compro um pedaço de doce de amendoin, adoço minha boca, beijar minha saliva, o gosto de saudade. O gosto que me falta e eu acredito.
... voltarei sempre a encontrar. O meu modo de ver, real encontro, eu sei. Ultrapasso o meu desânimo imediato, torno a encostar meu coração no outro, e as paredes se desfazem. Toco com a palma da mão o asfalto, recomeço em outro dia.
... as esquinas, o avesso das horas, a tempo de dizer como é necessário o amor, amado-amigo.

DELEGADO RUBENS RECALCATTI 1111 - por Diadorim Sabiá

sábado, 2 de outubro de 2010

AMOR DE ÍNDIO - MARIA BETHÂNIA

Maria Bethânia - Poema dos Olhos da Amada

É o Amor - Maria Bethânia

FOLHA AVULSA - por Diadorim Sabiá

FOLHA AVULSA

...amado-amigo,
imagino assim, corrigir ou anexar ao meu passado, ou ao meu futuro, uma única folha de lembrança, a mais suave, de todas a primeira, ou a única, inesquecível para sempre, mesmo que esta folha ou página seja avulsa.
... eu imagino, amado-amigo, a luz entrando pela janela, aos poucos meus olhos se abrem, olho o quarto, e estou inevitavelmente presa ao seu abraço, você que ainda adormece ao meu lado.
...não sinto espanto,nem vergonha, nada que desfaça o acalanto. Simplesmente sei que o amor é presente, autêntico. O calor do seu corpo ao lado do meu, esse estreito aconchego, aonde cabem todos os anos da sua vida, os anos da minha vida, todas as confissões, todos aqueles que se foram, os que ainda existem, que passaram e estiveram em nós.
... Imagino, amado-amigo, esta folha avulsa como uma ilha. Alto-mar, ligada ao sacrifício da solidão, ligada à extenuação do corpo cançado, ligada sobretudo ao horizonte, deixada ali confessa e testemunhal, prova.
... essa folha avulsa, amado-amigo, sempre estará em todos os momentos, quedada e silente, prestes a ser página de muitas páginas. Estará no intervalo, nesse efêmero momento de reconhecer o teu semblante em outro semblante, seja por engano, seja por coincidência, seja por semelhança.
...amado-amigo, eu te vi assim, ao meu lado dormindo, seu abraço circundando minha cintura, sua mão inflamando meu coração. Folha avulsa, estampidos do coração, calor da sua pele, descanço do que foi satisfeito, calma do que teve acabamento, desejo cumprido.
... Folha avulsa em nossas vidas como todo achado. Não é surpresa e nem mesmo memória, apenas signo. Estrela em todos os mares, lugares e noites desiguais.