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terça-feira, 20 de agosto de 2013

ROSAS DE PLÁSTICO - DENISE FRANÇA

CURITIBA, 20 DE AGOSTO DE 2013.

ROSA DE PLÁSTICO, me veio subitamente esta metáfora para esta gente sem expressão, sem ousadia, sem chão: os poderosos. PODEROSOS!

O vaso empoeirado, a casa vazia, as rosas de plástico depositadas ali dentro, sem saber, inexpressivas, solitárias, abundantes em sua falta revelada.

Há uma falta, maior do que todas as faltas, aquela que se revela em seu conteúdo, sem presença de sentido. Justificadamente uma aparência, pois foi colocada ali, a rosa de plástico. Abruptamente num momento isolado da vida, com certidão de uma verdade longínqua que desabou sobre os anos.

Colocada ali, a rosa de plástico, inerte e silenciosa, revela a dolorida queda, em sua impossibilidade o desfecho de uma morta.

Ostentação poderosa, nesta rosa insaciável de toda vaidade, se derrama a cal do sofrimento, e o orgulho da solidão. Sem freios, com a forma primeira e a substância última também quer se comparar à própria morte. Inutilmente.

Inutilmente sem plasticidade. Morta sem morrer.

Sua sede é a secura, o destaque do último grito, permanente e sem ruído algum, o friso da boca aberta para nada. Bobagem, menos que a bobagem, dose única.





segunda-feira, 19 de agosto de 2013

INVESTIGADOR ALEARDO RIGHETTO - POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ

 CURITIBA, 19 DE AGOSTO DE 2013.

HÁ CASOS E CASOS!


Eu, Denise França, namorei o INVESTIGADOR DA POLÍCIA CIVIL, ALEARDO RIGHETTO, mais ou menos 4 anos.

ALEARDO RIGHETTO, em primeiro lugar, é pobre. APAIXONADO PELA POLÍCIA CIVIL desde sempre.

ALEARDO RIGHETTO, coincidentemente, nasceu no mesmo dia que eu, dia 1º de janeiro, 6 anos mais velho...

ALEARDO RIGHETTO é filho de uma mulher que criou seus filhos praticamente sozinha, trabalhou de doméstica muitos anos na casa do Doutor Calixto, coincidentemente, tem um prédio ao lado de minha casa...

ALEARDO RIGHETTO, esteve no EXÉRCITO BRASILEITO, SARGENTO DA INFANTARIA DE PARAQUEDISMO, 9 ANOS, EM MANAUS.... Extremamente rígido  quanto a tudo que diz respeito a normas e regras.

ALEARDO RIGHETTO, nesses 4 anos de namoro, o vi muito poucas vezes, porque a POLÍCIA CIVIL DO PARANÁ, exige dedicação total.

ALEARDO RIGHETTO, quando o conheci, trabalhava de investigador para o DELEGADO RECALCATTI, NA DELEGACIA DE FURTOS E ROUBOS.... Gostava muito do Recalcatti, e ficou muito infeliz quando foi transferido dali...

ALEARDO RIGHETTO depos, foi para outra Delegacia, trabahar com o Gerson Machado.

ALEARDO RIGHETTO, quando eu o namorava, possuía apenas um carro antigo, sem seguro. Ficou profundamente triste quando foi fazer a entrega de uma cadeira de rodas numa farmácia, e deixou o seu carro estacionado... Quando voltou, roubaram o carro. ALEARDO RIGHETTO  ficou um bom tempo sem carro, e mais uma vez, isso dificultou nosso namoro.... Eu tive que pegar onibus de Piraquara, junto com ele, para podermos namorar....

ALEARDO RIGHETTO mora em Piraquara numa das casas de sua mãe.... que é pensionista. Ele falava muito em sua mãe, e sempre ia até a praia de Matinhos visita-la porque ela gostava de ficar lá, passar uns dias com suas amigas.

ALEARDO RIGHETTO, introvertido, sim. Tem uma vida solitária, poucos amigos.... Seus melhores amigos são os cachorros e cavalos, que cuida, os abandonados...

ÙNICO DEFEITO: Não gosta de CORRUPTOS, NÃO ACEITA CHANTAGEM... E por essa mesma razão, foi preso umas 3 vezes, porque quebrou os dentes de um DELEGADO que falou mal de sua mãe para afetá-lo, o que eu chamo de abuso de autoridade, tentativa de humilhação de um subordinado.... De um juiz, que tinha um filho que usava drogas, e por desacato à autoridade, por não aceitar corrupção....

ALEARDO RIGHETTO, gosta muito de pescar, gosta do mar... E mesmo namorando ele lá na praia, em Matinhos, o vi pouquíssimas vezes, porque ele participava da OPERAÇÃO VERÃO....

ALEARDO RIGHETTO É UM CARA HUMILDE, MAS COMPETENTE NAQUILO QUE FAZ. Investigador apurado, que vai ao local do crime, e em busca do criminoso onde ele estiver....

SE POR VENTURA, encontraram alguma arma com ele, provavelmente por outras razões.... Ele prefere bem mais uma LUTA DE MÃOS LIMPAS, sem nenhum tipo de armas, porque daí ele pode medir bem a capacidade e CORAGEM de seu oponente...

O DELEGADO GERSON MACHADO, EU NÃO O CONHEÇO, mas dizem que ele é um casca-grossa, porém, não é CORRUPTO.

Existem muito mais informações a respeito de ALEARDO RIGHETTO, de alguém que o conheceu durante 4 anos.... CORRUPTO, ELE NÃO É....

MAIS INFORMAÇÕES:

Aleardo Righetto amava com paixão o Exército Brasileiro, a Infantaria de Paraquedismo, tem os dedos dos pés atrofiados, em razão do coturno que usava no exército.... Deixou o Exército Brasileiro porque teve que vir para o Sul do Brasil em ocasião da doença do seu irmão. O seu irmão morreu.... E ele então, optou por seguir na POLÍCIA CIVIL... Se apaixonou pela carreira....

Aleardo Righetto, além de policial, é também detetive, FAZ PARTE DO INTERNACIONAL BOUREAU, para encontrar crianças perdidas....

Ele é um sujeito que possui profundo sentimento, mas guarda consigo mesmo, e sofre as INJUSTIÇAS CALADO!

EM RAZÃO de tudo aquilo que tem feito na Polícia Civil do Paraná, de bom, obviamente surgem pessoas que não gostam dele, e o perseguem. Ele é perseguido sim, por pessoas de dentro da Polícia e pessoas de fora, bandidos de quadrilhas.... Muitas e muitas vezes me disse que  não gostava que eu me aproximasse dele, sem avisar, porque tinha receio que me acontecesse alguma coisa, por ser namorada dele....

Bem, eu também não tenho medo dessas coisas, chantagem, perseguição, etc.... mas entendi o ponto de vista dele...

ALEARDO RIGHETTO, uma vez foi convidado para uma festa, um JANTAR DA POLÍCIA CIVIL, até hoje ele não sabe se convidaram por sacanagem ou realmente foi convidado. Aleardo RIGHETTO foi neste jantar, mas como não tinha ROUPA SOCIAL, porque é um cara simples, comprou uma camisa, e a camisa estava com um furo, ou coisa assim, para usar a camisa, foi preciso fazer um remendo.... E foi até o JANTAR, USANDO ESTA CAMISA.... Todo mundo ficou de olho nele durante o jantar por causa da camisa remendada.....

Esse tipo de coisa eu pessoalmente também faço, principalmente quando se trata de figurões, e gente que se acha muito "poderosa"..... É uma forma de satirizar a ELEGÂNCIA DAS AUTORIDADES....

ALEARDO RIGHETTO uma certa vez, deixou de aparecer, e eu fiquei muito brava.... Quando apareceu, explicou o motivo da ausência: ESTAVA EM MATINHOS, concertando a casa, quando então o cara que estava em cima do telhado, escorregou e caiu em cima dele, no ombro.... Ele passou a noite toda com uma dor infernal, e depois foi até o pronto socorro, mas daí, acabou que foi até uma farmárcia, comprou ARNICA, e foi esse o remédio que o curou....

ALEARDO RIGHETTO, CONVIVEU, MINHA GENTE, COM ÍNDIOS, NA SELVA AMAZÔNICA, ISSO ANOS E ANOS A FIO.... Uma pessoa que convive com índios, puros, selvagens, jamais SE TORNARÁ UM CORRUPTO!!!!  Aleardo RIGHETTO, tem em suas veias o mesmo sangue dos índios, e ele conhece forma e lugares, e tem O SEXTO SENTIDO, proveniente de sua capacidade de SOBREVIVÊNCIA, e tudo aquilo que adquiriu esse tempo todo vivendo na AMAZÔNIA, com a natureza e os índios....

INFELIZMENTE, ISSO TUDO SEMPRE FOI RECHAÇADO, e geralmente rechaçam o melhor da pessoa, o que deveria fundamentalmente ser aproveitado no exercício da profissão, principalmente de políciais e a inteligência da polícia....

ALEARDO RIGHETTO ADORA A LEITURA, e estudou por conta próprias.... Costumava ir até o INSTITUTO MÉDICO LEGAL, participar de autópsias, para saber o que acontece com o trajeto de uma bala no organismo humano, e conhecer outras coisas.... Estudou muito em livros e é um sujeito ESPIRITUALISTA....

ALEARDO RIGHETTO É CAPAZ DE VIVER ISOLADO POR ANOS A FIO, SE PRECISAR, porque adquiriu essa capacidade de SUPORTAR A DOR E A SOLIDÃO.

O MESMO POSSO DIZER DE MIM MESMA, e isso não é só sobrevivência, mas treinamento, dia após dia.....

ALEARDO RIGHETTO, CONSEGUIU conter sozinho uma REBELIÃO que se iniciava numa DELEGACIA.... Quando a rebelião começou, o DELEGADO CAIU FORA.... Ele ficou praticamente sozinho.... Telefonou para o CORPO DE BOMBEIROS, e pediu que trouxessem um caminhão com aquelas mangueiras.....  O que ele fez, se estava sozinho diante de uma possível rebelião em cadeia????  Aproximou o caminhão, puxou a mangueira, e colocou numa pressão suficiente em direção as grades e aos presos que estavam tentando se revoltar.....  Os presos receberam o jato de água e se acalmaram.... e A REBELIÃO FOI CONTIDA EM RAZÃO DESSA ESTRATÉGIA MILITAR.....

OBVIAMENTE, NENHUM MEIO DE INFORMAÇÃO NOTICIOU ISTO!!!!!  Nem sequer o Delegado deve ter agradecido a ele.....

ENTÃO, MINHA GENTE, AÍ ESTÃO MAIS INFORMAÇÕES SOBRE O INVESTIGADOR DA POLÍCIA CIVIL, ALEARDO RIGHETTO, e eu assino embaixo tudo aquilo que escutei de súa própria boca..... é verdade, e tenho dito.....

MAIS INFORMAÇÕES AINDA SOBRE ELE:

O Investigador da Polícia Civil, Aleardo Righetto, tem o DIPLOMA DE DIREITO.  Desde que eu o conheci, ele me falava de suas ex-namoradas que, quando ele dizia que tinha feito DIREITO, elas diziam: "POR QUE VOCÊ NÃO É DELEGADO???!" 

E ELE DIZIA: "NÃO QUERO SER DELEGADO, QUERO SER INVESTIGADOR!"  E ponto final.

Então, neste caso especial, o fato de não querer ser Delegado, já diz muita coisa. Não tem necessidade de status, nem do salário que um Delegado ganharia.... Gosta de trabalhar como investigador porque é esta a paixão dele....

E ele leva consigo geralmente a medalhinha de SÃO JORGE, para proteção....


INVESTIGADOR ALEARDO RIGHETTO



sexta-feira, 9 de agosto de 2013

A IMPORTÂNCIA DO DINHEIRO - DENISE FRANÇA



A IMPORTÂNCIA DO DINHEIRO: MINHA RELAÇÃO COM O DINHEIRO
Procuro em minha vida, as  primeiras lembranças que fazem alusão ao dinheiro.  Moedas, as moedinhas que eu ganhava e guardava em latinhas. Meu avô, italiano, nos finais de semana dava a seus netos, alguma quantia em dinheiro, moedinhas... Esperávamos por isso, imaginando o que faríamos com aquela quantia.
Minha família era pobre, casa de madeira, construída por meu avô. Aprendemos a construir nossos brinquedos com madeira, pregos, latas, enfim.... O Avô ajudava e alimentava nossa criatividade. Tínhamos direito a um presente por ano, no Natal. E ansiosamente esperávamos o ano todo por ele. Assim também, lembro, um par de alpargatas para durarem o ano todo...
No Domingo, íamos com meu avô assistir a missa, na Igreja dos Capuchinhos, e ao final da missa, meu avô comprava pipocas para a nossa delícia...
A merenda escolar era um suco, pão com manteiga, ou pão com goiabada. Não recebíamos dinheiro para comprar o lanche. Nos primeiros anos da minha vida, não lembro de nada além disso em relação ao uso do dinheiro.
Sim, lembro: Quando a “santinha” chegava lá em casa, algumas vezes minha mãe abriu a santinha e retirou algum dinheiro para comprar pão. Eu não considerava que aquele ato fosse um “roubo”, mas uma necessidade. E, algumas vezes, minha mãe me levava junto até a casa de um Vereador, quanto tinha que pedir dinheiro emprestado. A mulher do vereador não tinha filhos, não podia ter filhos. E todas essas vezes, eu achava que ia ser deixada lá, em troca de dinheiro...
Lembro das minhas vontades e desejos. Quanto íamos ao supermercado com minha mãe, as vezes ela comprava um chocolate, que era dividido entre eu e meu irmão.  Lembro a primeira vez que conheci o “chicletes”. Lembro do Ki-suco. Lembro da gasosa de groselha.
Sabia e via que a vida lá em casa não era fácil. Dificuldades financeiras, brigas. Lembro nitidamente que às vezes a mensalidade do colégio atrasava, eu estudava em colégio de freiras. Lembro que isso despertara em mim dúvidas entre aquilo que as freiras falavam da vida de Jesus Cristo e o problema no atraso do pagamento: as freiras não “perdoavam”. E eu era excluída porque tinha cabelos curtos, usava calças, me parecia com um menino, e acabava nos últimos lugares...
Aos poucos fui relacionando esses fatos com a falta de dinheiro em casa. As brigas também. Minha mãe e meu pai brigavam muito, por causa de dinheiro... O dinheiro era o motivo. Mas essa relação sempre me parecei equívoca. Havia outra coisa.
Mas a minha vida de criança não era alterada, em razão daquilo que eu vivia, e gostava. A presença do meu avô me fazia assimilar outras coisas... Construção, pintura, o porão cheio de coisas interessantes. Eu via meu avô fazer o seu trabalho, entendia, aprendia a lidar com as ferramentas. A presença do meu avô me proporcionava reconhecer outra coisa.
No colégio de freiras, eu era a primeira da turma, ou uma das melhores, gostava de estudar, não tinha dificuldade, ensinava meu irmão, quatro anos mais velho que eu. Minha mãe dizia que ele era “atrasado”, bôbo... E eu tinha a responsabilidade de ensiná-lo, ajudá-lo.
Nesses primeiros anos da minha vida, até os 10 anos de idade, o dinheiro não teve representação em minha vida além disso.
Aos 11 anos, fui para outro colégio de freiras. Entrando na adolescência, eu começava a ter dificuldades e perceber que minhas amigas usavam roupas que eu não podia usar. A conversa entre as meninas, falavam dos meninos, paqueras, e festinhas em casa, as roupas, a moda. Eu me angustiava com isso, porque não tinha jeito de vestir roupas melhores, e nem tinha jeito de participar das festinhas, por causa do meu pai, e da minha mãe: eles não deixavam. Então, eu não sabia o que dizer, quando surgiam conversas sobre esses assuntos nos grupos de amizade.
Normalmente eu tinha uma amiga de verdade, com a qual conversava e contava meus problemas, partilhava segredos. Engraçado, mas nessa idade, fui percebendo que os meninos me olhavam e gostavam de mim, por outras razões: não era por causa da roupa que usava. Gostavam de mim pela conversa, pela amizade, pela inteligência e criatividade. Isso superava a falta de recursos para comprar e se vestir de forma mais “bonita”.
A angústia só vinha quando as outras meninas me consideravam “fora do grupo”, pelas razões anteriores. A angústia não partia de mim, mas destes comentários.
A minha relação com os meninos sempre foi satisfatória, apesar desta impossibilidade.
Aos 14 anos de idade, fui estudar na Escola Técnica Federal do Paraná. Passei na prova, e entrei nesta escola. Tudo ali era um universo cheio de possibilidades.... Adorei o curso que fazia, porque gostava de desenhar... As pessoas ali eram da mesma “classe” que eu, a maioria era pobre. Todos tinham dificuldades em casa... E o universo estudantil naquele lugar girava em torno do conhecimento. Um conhecimento promissor e novo... As amizades, fortes amizades, e a possibilidade de interagir com os professores em tudo.
Comecei a estudar, sem dificuldades em aprender. O primeiro problema que tive, foi em “redação”, eu não conseguia expressar meus pensamentos, e minhas redações sempre eram carregadas de erros... Mas inexplicavelmente, conheci um professor que era escritor... E foi através da presença dele, que comecei minhas leituras.... e inexplicavelmente comecei a elaborar meus pensamentos, a entender a realidade, a lidar com conceitos, bem antes de muitas pessoas....
Tive um grande amigo nessa época, o Gilberto. Longas conversas, caminhadas, tudo em torno do conhecimento, leitura, estudo, sonhos....
O dinheiro nessa época  tinha outra significação, dependeria da profissão a ser escolhida. Em minha casa, do meu pai e minha mãe eu só ouvia: “isso não dá dinheiro!”  Eu não pensava em dinheiro, pensava no conhecimento, no saber. E fazia todos os cursos que gostava, desenho artístico no Atelier do Museu Alfredo Anderson. No esporte, comecei a jogar vôlei na escolinha, para entrar na seleção. Entrei como levantadora.
A minha timidez, e ansiedade, eram em razão da autoridade do meu pai e mãe, que me proibiam de viver com meus amigos e de namorar. No entanto, as minhas amizades eram poucas mas infinitamente verdadeiras e sensíveis. E o meu amor era sublime e reescrito através de histórias...
Tentava driblar este problema do dinheiro, que não era problema para mim, mas era um imperativo no núcleo familiar. Mas não me convencia. As razões para escolher isso ou aquilo em função do dinheiro jamais me persuadiram. Dentro de mim existia uma outra razão para a vida...
E fui adiante, mesmo contra os preceitos da família. Sempre lendo, estudando, procurando cursos para aprender gratuitamente.
Desde a infância até o final da adolescência, o dinheiro não teve nenhum valor substancial na minha vida. O conhecimento, a criatividade faziam parte da base daquilo que eu procurava.
Quando saí da Escola Técnica, um pouco depois, por volta do ano 1982, tinha amigas que eram de família “rica”, e eu observava os recursos da família delas, mas isso não me impressionava, e a amizade com essas pessoas era real, e não havia outro tipo de interesse.
Uma dessas amigas, havia descoberto a “terapia”, pois havíamos aprendido as bases da “psicologia” em uma das matérias do curso. Essa amiga propôs a mim que fizesse terapia, para me conhecer melhor. Ela fazia. Eu comecei a fazer terapia com aquele professor da Escola Técnica que dava aula de Psicologia. Coisas extraordinárias aconteceram, porque de terapeuta ele tinha muito pouca coisa, tinha mais de neurótico.... Acredito que eu o ajudei mais do que ele a mim.... Ficamos amigos.
E nesse momento, comecei a estudar Psicologia por conta própria....  Meu pai queria que eu fizesse Faculdade. Ele dizia: pra ser alguma coisa na vida, tem que fazer Faculdade. Casar, só depois de se formar... Outro imperativo!
E entrei para a Faculdade de Psicologia. Mas, não tive boas impressões do lugar e da dinâmica de estudo. Eu amava a escola técnica, e, quando entrei na Faculdade, vi que a estrutura era outra, e deixava a desejar. Fiquei frustrada, e o conhecimento que tinha de Psicologia, também fez com que o curso fosse indiferente...
A novidade aconteceu, quando comprei um livro, e comecei a estudar PSICANÁLISE. Na leitura fui surpreendendo um outro universo que me agradava muito. E, coincidentemente, nesse momento da minha vida, segundo ano do curso de psicologia,  estava lendo esse livro na sala de aula, quando então uma outra aluna sentou-se ao meu lado e pediu para dar uma olhada no livro. Chamava-se Deyse Malucelli. Ela olhou o livro, folheou, leu alguma coisa e me perguntou: Você não gostaria de fazer Psicanálise??? Daí eu conversei com ela, e ela me disse que eu teria que fazer uma análise pessoal, e para isso, me indicou seu amigo: Doutor Velloso.
Fui. E comecei minha análise pessoal no Colégio Freudiano de Curitiba. Lembro-me do primeiro dia de análise. Fiz uma comparação entre aquele terapeuta que eu conhecera, e a figura do Velloso. Ele era quieto, não havia nenhum tipo de euforia, senão seriedade, sobriedade, e escuta.
A presença do Velloso repercutia em mim dessa forma: ESCUTA. E, quando comecei a falar, e observava o silêncio dele, comecei a escutar minhas próprias palavras... Assim comecei a compreender a práxis psicanalítica.
As repercussões da minha análise foram de encontro ao universo familiar e suas contrariedades. De que forma eu poderia encarar o meu pai, em seu autoritarismo, seu imperativo... Como responder a isso...
Durante toda a minha análise, da mesma forma, foram observados meus problemas, questões humanas, essenciais, mas a questão do dinheiro nunca tomou um lugar prioritário.
Nessa época, da Faculdade, eu não trabalhava, e o meu jeito para resolver esse problema de serviço para ganhar dinheiro, foi a ideia de datilografar textos, ler e interpretar textos, ajudar em nono grafias. Assim, foram os primeiros trabalhos que fiz e recebi dinheiro como pagamento.
O Velloso observou em mim o que eu sempre dizia em relação ao dinheiro: “Eu não sei cobrar!”  Não, eu não consigo “cobrar”, e muitas vezes, não cobro mesmo...
O meu trabalho, eu chamava de “serviço”, talvez porque a figura do meu avô me ensinou isso em relação ao trabalho, uma coisa por outra. Eu faço um serviço pra você, e você me retorna de outra maneira...
E assim foi. A minha relação com o dinheiro partiu desse princípio.
Com 20 anos de idade, eu comecei a namorar um homem, com 16 anos a mais que eu, de família árabe. Na verdade, meu primeiro namorado, antes disso, não tinha convivido por muito tempo com homens..., numa relação séria.
Aliás, não imaginava que esse homem quisesse um relacionamento sério comigo. Começamos a namorar e logo em seguida, ele quis conhecer minha família. Outra coisa que também me surpreendeu...
E foram longos anos de namoro.
Muitas coisas mudaram em minha vida em razão deste relacionamento. Percebi que minha família queria que eu casasse com ele, por interesse. Eu gostava mesmo dele. Não me apaixonei à primeira vista,  demorou um pouco para isso. Fui conhecendo ele e fomos ficando cada vez mais próximos e envolvidos afetivamente. Gostei muitíssimo da família dele, porque me receberam com muito carinho, a família dele era uma família diferente da minha, afetiva.
Eu estudava e namorava. Minha vida era assim. Em análise, levava todos esses conteúdos, familiar, sentimental...
Existiam duas dificuldades essenciais na minha vida: o autoritarismo do meu pai, e a ágora-fobia que eu desenvolvi ao longo dos anos da adolescência, por razão do medo e das brigas em casa, quando eu saía para estar com meus amigos, e voltava para casa. Eram brigas com gritos, e muitas palavras de chantagem emocional, etc e tal. Eu não podia responder ao meu pai, era proibida de fazer muitas coisas sem razão justa, e ele determinava a minha sorte.
Um dos motivos para eu fazer a análise também foi esse, a agora fobia. E por esse mesmo motivo, no quarto ano da faculdade”, fiquei impossibilitada de fazer os estágios em razão deste problema.
Eu havia estudado psicologia muitos anos, vários autores e quando me deparei com essa dificuldade em minha vida, realmente me senti incapaz de solucionar.
Foram longos anos de análise.
O Ehden Abib, meu namorado, foi enriquecendo ao longo dos anos. Quando o conheci, ele me contou uma história a propósito da falência de sua empresa na Arábia Saudita, Bahrain. Era uma empresa de construção de Estradas. Era uma empresa familiar, e os irmãos eram seu ascensoristas.  Nunca tive acesso à vida profissional do Ehden. Não me interessava por isso. Nunca cheguei sequer a  ligar para o seu trabalho.
Em primeiro lugar fui honesta com ele, não tinha razões para mentiras na minha vida, ou para esconder sentimentos e pensamentos. A HONESTIDADE existiu desde sempre em minha vida na relação com as pessoas.
E assim foi. Em dado momento do curso de Psicologia, Psicanálise, e análise, eu me coloquei essa questão: por que eu precisava de Diploma?! Eu não achava necessário fazer a Faculdade, e nem ter Diploma. Essas questões eram essenciais para o meu pai, e não para mim.
Parei a Faculdade e continuei a Psicanálise.
Nessa época eu já escrevia bastante,  tinha um sonho, de editar um livro. Esta era uma coisa que eu queria muito fazer. 
Infelizmente, tudo aquilo que dizia respeito as coisas que eu gostava, a nível de conhecimento, não tinham repercussão na vida do Ehden, porque a prioridade dele era o “dinheiro” e a “política”. Jamais imaginava que isso pudesse ser assim tão imprescindível à vida dele.
Ele dizia coisas assim para mim: “Você vai ser a mulher mais rica...”, “Não precisamos nos casar, já estamos juntos...”. Ele dizia essas coisas com convicção. Nunca duvidei. Mas eu não tinha interesse em dinheiro, e muito menos “posição social”.
Eu levava para análise esses acontecimentos.
Minha vida sexual com o Ehden Abib era excelente. Quando descobri a sexualidade junto a ele, o nosso relacionamento ficou ainda mais próximo e firme. Não havia dúvidas que seguiríamos juntos.
Porém, meu pai todos os anos exigia de mim que me casasse com ele. E, por sua vez, o Ehden não queria se casar comigo, por uma razão inexplicável. Ele simplesmente não conseguia... E dizia: “Nós já estamos juntos....”.
Por mim, o relacionamento tal qual existia, já era concreto. Mas eu tinha que repassar sempre essa mensagem do meu pai a ele, porque existia essa “pressão” da família que me oprimia a cada dia.
Por fim, eu entendi o seguinte: “Meu pai na verdade, não queria mesmo que eu casasse, porque não queria abrir mãe de sua filha a ninguém... E por isso mesmo, me mantinha naquele regime de opressão, e proibição.” O Ehden por sua vez, gostava de mim, mas tinha uma espécie de fobia ao casamento.... Eu sentia que ele gostava muito de mim, mas a única contrariedade entre nós, era a importância do dinheiro na vida dele, e aquilo que era prioridade pra mim, o conhecimento, a criatividade...
A família do Ehden também gostava de mim, no entanto, o Ehden tinha um lugar específico na família dele, resolvia todos os problemas, morava na casa da mãe, e cuidava da filha de seu irmão... Essa estrutura me revelou o seguinte: que a família dele não queria abrir mão do filho....
Essas coisas não precisam ser ditas..., declaradas, a gente sente, percebe.   Ao longo dos anos, o lugar aonde nos colocam, o lugar que ocupamos, e representamos...
E aí, o laço se rompeu. Não vou contar aqui as coisas que aconteceram....
E o dinheiro?! Pois é, foi nesse rompimento com o Ehden, depois de um ano em depressão profunda, e mais o tormento do autoritarismo do meu pai, que me fez compreender as relações de dependência e a função do dinheiro.
 FOI NESSE ROMPIMENTO COM O EHDEN, DEPOIS DE UM ANO EM DEPRESSÃO PROFUNDA, E MAIS O TORMENTO DO AUTORITARISMO DO MEU PAI, QUE ME FEZ COMPREENDER AS RELAÇÃOES DE DEPENDÊNCIA E A FUNÇÃO DO DINHEIRO.
A agora fobia se desfez da seguinte maneira:
Meu pai me levava de carro para as consultas com o Velloso. E eu não aguentava mais ouvir aquilo que ele dizia até chegar ao consultório do Velloso. Ele fazia toda uma série de chantagens,  cobranças,  comentários, que me eram INSUPORTÁVEIS. EU NÃO AGUENTAVA MAIS...
Então, num belo dia de consulta, eu disse: “Pode deixar que eu vou sozinha....”. Eu tinha decidido isto. Eu pensei: Vou cair na rua, desmaiar, se isso acontecer, alguém me levanta... E, na hora de abrir o portão e sair, meu pai veio correndo e disse: “Não, espere, deixa que eu te levo...” . E eu observei de forma bem transparente porquê ele queria me levar ao Velloso.
Eu disse: “Não!” E saí. Eu senti uma força imensurável. Uma força que me puxava para o meu pai, como se fosse uma corda elástica que me prendesse e não me deixasse andar em frente, livre. Eu percebi isso tão nitidamente, o elo espiritual que me mantinha prisioneira às vontades do meu pai...
E fui, fui me arrastando até o consultório, passo a passo, com uma angústia quase insuportável...
Quando cheguei lá, o Velloso ficou surpreso! E eu contei o que havia acontecido. E paulatinamente, dia após dia, eu fui perdendo o medo, até que esse medo, simplesmente se desfez.
Em segundo lugar: eu recebia uma quantia em DINHEIRO, que era dada a mim todo mês.
Essa quantia em dinheiro era pouca, nada além de 150 reais atualizados... O irmão do Ehden  pediu que fizesse a carteira de trabalho, porque ele era Diretor da Assembléia Legislativa do Paraná, e resolveu me “ajudar”, eu era uma empregada fantasma...
Quando rompi com o Ehden, fui até a Assembléia Legislativa do Paraná,  fechei a minha conta no Banco.
Em terceiro lugar: outro elo que eu desfiz: peguei este dinheiro, fui até a Igreja dos Capuchinhos,  coloquei o dinheiro na mesa do Frei Bonifácio, e disse: estou fazendo VOTO DE POBREZA! Pegue esse dinheiro e dê aos pobres.
Em quarto lugar: não tinha mais dinheiro para comprar cigarro. Eu era fumante. Deixei de fumar.
Não podia mais pagar o Plano de Saúde. Resolvi fazer exercícios regularmente para manter minha saúde. Caminhar, longas caminhadas, etc.
Em quinto lugar: comecei a APRENDER COMO SOBREVIVER SEM DINHEIRO!
Fazia todas as atividades possíveis sozinha. Atividades dentro de casa, e atividades fora de casa. Comecei a fazer artesanato, para vender...
ENFIM, ACHO QUE NÃO PRECISO DIZER MAIS SOBRE AS MINHAS RELAÇÕES COM O  DINHEIRO.... ACHO QUE FICOU BEM CLARO PARA TODOS, O QUE O DINHEIRO REPRESENTOU PARA MIM.
A MINHA EXPERIÊNCIA EM RELAÇÃO AO DINHEIRO É ESSA.
EU ME COLOQUEI À PROVA. E REAFIRMO AQUI ESTA TESE: O DINHEIRO CAUSA RELAÇÕES  DE  DEPENDÊNCIAS POSSÍVEIS E IMPOSSÍVEIS ENTRE AS PESSOAS.  SEJAM ELAS EMOCIONAIS, MATERIAIS, ETC. O INVERSO NÃO É VERDADEIRO: O DINHEIRO NÃO PROMOVE A INDEPENDÊNCIA EMOCIONAL DE NINGUÉM, MUITO PELO CONTRÁRIO. 
A MINHA EXPERIÊNCIA É PARTICULAR. FOI EXATAMENTE O QUE EU VIVI: SÃO FATOS!